{"id":7228,"date":"2014-04-28T16:46:09","date_gmt":"2014-04-28T16:46:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/28\/comissao-da-verdade-anistia-juliana-e-gilda-avelar\/"},"modified":"2014-04-28T16:46:09","modified_gmt":"2014-04-28T16:46:09","slug":"comissao-da-verdade-anistia-juliana-e-gilda-avelar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/28\/comissao-da-verdade-anistia-juliana-e-gilda-avelar\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade anistia Juliana e Gilda Avelar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 4 de abril deste ano aconteceu mais uma se\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade em S\u00e3o Paulo, que tem como objetivo esclarecer as atrocidades ocorridas contra civis durante o per\u00edodo da Ditadura Militar iniciada em 1964 e que se prolongou por 21 anos. Esse ato de anistiar pessoas \u00e9 importante tanto para os perseguidos quanto para a fam\u00edlia. Confira a seguir uma entrevista com Juliana e Gilda Cosenza Avelar. Por ser irm\u00e3 das duas, orgulho-me ao saber que o sangue da Esquerda corre por nossas veias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7227\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/familia60092.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve uma se\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Anistia que julgou 24 processos de filhos de perseguidos pol\u00edticos na Ditadura Militar. Voc\u00eas foram duas das anistiadas. O que acharam do ato? O que sentiram?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Juliana:<\/strong> O ato \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, pois demonstra que n\u00e3o apenas os estudantes da d\u00e9cada de 1960, que sofreram com as restri\u00e7\u00f5es impostas pela Ditadura e pelos seus atos como a tortura, ex\u00edlio e outros, foram atingidos de forma direta. Ficou evidente que os seus filhos, assim como os pais, tamb\u00e9m foram atingidos de forma direta e um exemplo disso s\u00e3o as certid\u00f5es de nascimento que tiveram que ser alteradas na data e no local de nascimento por quest\u00e3o de seguran\u00e7a para as crian\u00e7as, direito b\u00e1sicas como a identidade foi violada. \u00c9 importante tamb\u00e9m pelo fato de tornar p\u00fablico a um n\u00famero maior de pessoas, e principalmente para os jovens de hoje, o que aconteceu na \u00e9poca do regime ditatorial para que esse tipo de crime n\u00e3o ocorra nunca mais de forma institucional como naquela \u00e9poca. O pedido de desculpa do Estado Brasileiro a n\u00f3s, filhos dos anistiados, traz o reconhecimento p\u00fablico do que foi o Regime da Ditadura e suas consequ\u00eancias. O que eu senti, muita emo\u00e7\u00e3o. Ver os meus pais sendo homenageados por tudo o que fizeram me deixou mais orgulhosa dos pais lutadores que eu tenho. Se pudesse escolher os escolheria com certeza e digo com toda a certeza sempre estarei ao lado deles nessa luta por um mundo melhor.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gilda:<\/strong> O ato foi muito significativo. O sentimento pessoal foi de muita emo\u00e7\u00e3o e, como cidad\u00e3, de satisfa\u00e7\u00e3o em ver o Estado reconhecer seu erro. N\u00e3o h\u00e1 repara\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 de certa forma, o reconhecimento de que a hist\u00f3ria oficial, aquela contada nos livros escolares, n\u00e3o corresponde \u00e0 real.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Juliana e Gilda, como foi viver naquela \u00e9poca? Como conseguiram carregar um nome falso e n\u00e3o poder contar a ningu\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><strong>Juliana:<\/strong> A segunda pergunta eu n\u00e3o sei responder ao certo. Talvez nossos pais possam te falar em detalhes como eles conseguiram esta fa\u00e7anha. N\u00f3s s\u00f3 ficamos sabendo que o nosso sobrenome era outro depois da anistia e isso sim foi dif\u00edcil de aceitar, pois eu j\u00e1 tinha 12 anos e minha irm\u00e3 10 anos. Tivemos que fazer caligrafia v\u00e1rios meses para acostumar com o sobrenome novo. N\u00e3o entend\u00edamos muito o porqu\u00ea de algumas restri\u00e7\u00f5es, mas aceit\u00e1vamos quando os nossos pais nos explicavam que isso era para melhorar o mundo. Acho que o sangue socialista veio pelo DNA e pelo exemplo de casa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gilda: <\/strong>\u00c9ramos crian\u00e7a e n\u00e3o t\u00ednhamos a compreens\u00e3o do que ocorria. Nossa identidade, nosso nome, nossas origens e a identidade de nossos pais s\u00f3 foram revelados com a anistia, portanto n\u00e3o havia ang\u00fastia porque desconhec\u00edamos a verdade. Todavia, havia apreens\u00e3o com o hor\u00e1rio e com a possibilidade de nossos pais n\u00e3o voltarem, com os homens maus (eventuais agentes da Ditadura que se aproximassem) de quem dever\u00edamos manter dist\u00e2ncia e muitas perguntas n\u00e3o respondidas satisfatoriamente, mas que pela pouca idade e pela confian\u00e7a em nossos pais, aceit\u00e1vamos sem questionamentos. Orgulho-me em dizer que a nossa inf\u00e2ncia foi muito feliz e que nossos pais foram muito competentes em proteger nossa integridade f\u00edsica e ps\u00edquica. Todavia, estranh\u00e1vamos n\u00e3o poder levar os amiguinhos em casa, a aus\u00eancia completa de fam\u00edlia, a insist\u00eancia de nossos pais em que v\u00e1rias coisas e pessoas deveriam ser esquecidas. S\u00f3 fomos entendendo essas coisas com o passar do tempo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas poderiam resumir a Ditadura em uma s\u00f3 frase?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><strong>Juliana:<\/strong> Vou resumir em uma \u00fanica palavra &#8211; Liberdade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gilda: <\/strong>&#8220;Ditadura, Nunca Mais. Viva a Liberdade!&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Comparem para os jovens que n\u00e3o viveram naquela \u00e9poca, a situa\u00e7\u00e3o de hoje com a da Ditadura.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Juliana:<\/strong> A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 simples &#8211; Liberdade. Ser livre para ir e vir, estar, permanecer, falar, dizer o que pensa, \u00e9 fundamental para o desenvolvimento de qualquer ser humano. Se hoje podemos desfrutar de todos esses e outros direitos fundamentais, como o de votar, \u00e9 consequ\u00eancia da luta de milhares de jovens brasileiros da d\u00e9cada de 1960 que enfrentaram todos os obst\u00e1culos para a constru\u00e7\u00e3o da Democracia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gilda: <\/strong>A luta de classes permanece hoje. N\u00e3o acabou e muito ainda precisa ser conquistado. As for\u00e7as reacion\u00e1rias continuam utilizando um grande aparato para fazer valer seus interesses, como por exemplo da grande m\u00eddia, todavia ter a liberdade de pensamento, de express\u00e3o e de locomo\u00e7\u00e3o preservada, n\u00e3o tem pre\u00e7o. A democracia \u00e9 uma conquista que custou a vida de muitos e que deve ser mantida e ampliada sempre.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Virna Sena Avelar (13 anos) \u00e9 estudante e colaboradora do Vermelho\/CE. Virna \u00e9 irm\u00e3 de Juliana e Gilda Cosenza Avelar que, na foto, est\u00e3o com suas filhas acompanhadas da m\u00e3e, Gilse Cosenza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Opini\u00f5es aqui expressas n\u00e3o refletem necessariamente as opini\u00f5es do site.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 4 de abril deste ano aconteceu mais uma se\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade em S\u00e3o Paulo, que tem como objetivo esclarecer as atrocidades ocorridas contra civis durante o per\u00edodo da Ditadura Militar iniciada em 1964 e que se prolongou por 21 anos. 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