{"id":7243,"date":"2014-05-05T17:21:36","date_gmt":"2014-05-05T17:21:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/05\/cnv-recebe-denuncias-de-violacoes-de-direitos-de-seis-etnias-indigenas-antes-e-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2014-05-05T17:21:36","modified_gmt":"2014-05-05T17:21:36","slug":"cnv-recebe-denuncias-de-violacoes-de-direitos-de-seis-etnias-indigenas-antes-e-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/05\/cnv-recebe-denuncias-de-violacoes-de-direitos-de-seis-etnias-indigenas-antes-e-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"CNV recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos de seis etnias ind\u00edgenas antes e durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Assassinatos, remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada ou sob coa\u00e7\u00e3o de suas terras tradicionais, persegui\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es ilegais, estupros, trabalhos for\u00e7ados ou em condi\u00e7\u00f5es de semi-escravid\u00e3o. Nos \u00faltimos dias 25 e 26 de abril em Dourados, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade tomou, com o apoio de diversos parceiros locais, os depoimentos de representantes de seis etnias: guarani-\u00f1andeva, guarani-kaiow\u00e1, terena, kinikinau, ofai\u00e9-xavante e guat\u00f3, todas do Mato Grosso do Sul. Os ind\u00edgenas, em sua pr\u00f3pria l\u00edngua, relataram dez casos de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorridas no Estado entre 1946 e 1988, ou seja, antes e durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7242\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/5_caso.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>\u00cdndios dep\u00f5e sobre a venda da aldeia Buriti, o que causou a remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de v\u00e1rios ind\u00edgenos Foto: Alline Gois \/ UFMS  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia sistem\u00e1tica contra os \u00edndios no Estado culminou na expuls\u00e3o das etnias de seus territ\u00f3rios tradicionais. Aldeias foram dizimadas ou separadas. Grupos \u00e9tnicos foram colocados dentro de terras de outros grupos com os quais n\u00e3o possu\u00edam v\u00ednculo. Agentes de Estado agiram como corretores de im\u00f3veis, repartindo as \u00e1reas ind\u00edgenas entre fazendeiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sexta-feira (25), a CNV recebeu relatos sobre sete casos: agress\u00f5es e remo\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ind\u00edgena Paraguassu, em 1977; o despejo da aldeia Takuara, em 1953; a explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena e a viol\u00eancia nos ervais da Cia Matte Laranjeira, entre as d\u00e9cadas de 40 e 60; o caso da aldeia Cachoeirinha; a remo\u00e7\u00e3o e a venda das terras da aldeia Buriti (1967); o deslocamento for\u00e7ado, pris\u00e3o e assassinato na terra ind\u00edgena Taunay-Ipegue (1967) e trabalho for\u00e7ados, pris\u00e3o e tortura de Kaiow\u00e1 no Reformat\u00f3rio Krenak, nos anos 70.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo caso contou com o depoimento surpreendente de Bonif\u00e1cio Reginaldo Duarte, de 74 anos, que revelou a tortura e trabalhos for\u00e7ados a que foi submetido no pres\u00eddio Krenak, localizado no munic\u00edpio de Resplendor, em MG. Ele achava que seria levado para um lugar onde aprenderia uma profiss\u00e3o, mas ao chegar l\u00e1 era espancado se n\u00e3o conseguisse concluir suas tarefas do dia. Segundo contou, os \u00edndios eram torturados num tronco numa esp\u00e9cie de jogo no qual carcereiros apostavam quais dos presos aguentariam mais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado (26), pela manh\u00e3, a CNV recebeu mais tr\u00eas relatos de casos de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na UFGD: o etnoc\u00eddio Kinikinau, a expuls\u00e3o dos Guat\u00f3 da Ilha \u00cdnsua pelo Ex\u00e9rcito, em 1972, e a transfer\u00eancia for\u00e7ada dos Ofai\u00e9, em 1978.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os Ofai\u00e9 representam 0,15% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Mato Grosso do Sul. Falam a l\u00edngua da etnia apenas oito pessoas, que lutam para preservar as tradi\u00e7\u00f5es do grupo \u00e9tnico. &#8220;Nossa hist\u00f3ria \u00e9 longa, triste e cheia de sangue, l\u00e1grimas e sofrimento. Hoje somos compostos por Ofai\u00e9, Kaiow\u00e1, Terena e n\u00e3o-ind\u00edgenas e continuamos juntos em busca de nossa dignidade e do respeito da sociedade, do poder p\u00fablico, mas sofremos muito. Somos o restante de uma etnia que no final do s\u00e9culo XIX \u00e9ramos duas mil pessoas&#8221;, contou Ata\u00edde Francisco Rodrigues, antigo cacique Ofay\u00e9. O grupo hoje vive num terreno cedido pela Cesp como compensa\u00e7\u00e3o ambiental pelo alagamento da \u00e1rea que ocupavam por uma hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um dia inteiro e uma manh\u00e3 em que os depoimentos foram prestados no cine-audit\u00f3rio da Universidade Federal da Grande Dourados, a CNV foi no s\u00e1bado \u00e0 tarde conhecer a Reserva Ind\u00edgena de Dourados, e participou de uma roda de conversa na Escola Municipal Ind\u00edgena Tengatu\u00ed Marangatu. Ap\u00f3s atividades culturais, cinco casos de remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas de ind\u00edgenas de suas terras tradicionais foram contados por lideran\u00e7as guarani, terena e kayow\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os casos relatados pelas lideran\u00e7as, crian\u00e7as na \u00e9poca em que ocorreram as remo\u00e7\u00f5es, deram pistas sobre como os agentes p\u00fablicos, primeiro da SPI, depois da Funai, convenciam os \u00edndios a deixarem suas terras e irem para reservas longe de suas \u00e1reas tradicionais por meio de coa\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as e argumentos falsos. Os casos foram narrados em sua l\u00edngua nativa e traduzidos pelo doutor do Museu Nacional, Tonico Benites.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Coordenadora do grupo de trabalho Graves Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos no Campo ou Contra Ind\u00edgenas, Maria Rita Kehl avaliou positivamente os dois dias de audi\u00eancia p\u00fablica em Dourados, pois permitiram que seu grupo de trabalho ganhasse tempo: &#8220;Foi de grande proveito para mim juntar todas essas etnias aqui em Dourados, gra\u00e7as aos parceiros que tivemos para a realiza\u00e7\u00e3o desse evento, pois eu n\u00e3o teria tempo para ir em cada aldeia e ouvir todos os casos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ser um painel da viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas no per\u00edodo investigado pela CNV, que cobre o per\u00edodo entre 1946 e 1988, Maria Rita espera que o relat\u00f3rio tamb\u00e9m ajude a firmar a import\u00e2ncia da cultura ind\u00edgena para o Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu espero que esse relat\u00f3rio tamb\u00e9m mostre n\u00e3o s\u00f3 as maldades que fizeram com os \u00edndios &#8211; isso vai mostrar com certeza &#8211; mas que mostre tamb\u00e9m como o Brasil ficaria pobre culturalmente, pobre como um pa\u00eds, uma na\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o colaborasse para a recupera\u00e7\u00e3o dessas terras da cultura ind\u00edgena&#8221;, afirmou Maria Rita.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia da CNV em Dourados contou com o apoio e realiza\u00e7\u00e3o da UFGD, sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor Neimar Machado, da Faculdade Intercultural Ind\u00edgena (FAIND), da UFGD, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no Mato Grosso do Sul, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Funai e Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Veja o \u00e1lbum de fotos e mais informa\u00e7\u00f5es publicadas pela CNV no Facebook:<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.625796920847467.1073741942.340384002722095&#038;type=1\">https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.625796920847467.1073741942.340384002722095&#038;type=1<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7a a comunidade Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Ind\u00edgenas, criada especialmente para o evento por estudante de jornalismo da UFMS, parceira do evento:<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/comissaonacionaldaverdadeindigenas?fref=ts\">https:\/\/www.facebook.com\/comissaonacionaldaverdadeindigenas?fref=ts<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte- Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\/Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assassinatos, remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada ou sob coa\u00e7\u00e3o de suas terras tradicionais, persegui\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es ilegais, estupros, trabalhos for\u00e7ados ou em condi\u00e7\u00f5es de semi-escravid\u00e3o. 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