{"id":7316,"date":"2014-05-29T00:16:10","date_gmt":"2014-05-29T00:16:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/29\/juiz-diz-que-buscou-resgatar-sentido-da-lei-da-anistia\/"},"modified":"2014-05-29T00:16:10","modified_gmt":"2014-05-29T00:16:10","slug":"juiz-diz-que-buscou-resgatar-sentido-da-lei-da-anistia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/29\/juiz-diz-que-buscou-resgatar-sentido-da-lei-da-anistia\/","title":{"rendered":"Juiz diz que &#8216;buscou resgatar sentido da Lei da Anistia&#8217;"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>O juiz federal Caio M\u00e1rcio Guterres Taranto, da 4\u00aa Vara Criminal do Rio, disse nesta ter\u00e7a-feira que &#8220;buscou resgatar o sentido origin\u00e1rio da Lei da Anistia&#8221; ao aceitar den\u00fancia feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra os cinco militares acusados da morte do ex-deputado federal Rubens Paiva. Taranto lembra que o ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Batista Figueiredo vetou, em 1979, trecho do primeiro artigo da lei que garantiria anistia \u00e0queles punidos por &#8220;outros diplomas legais&#8221;, o que seria o caso do C\u00f3digo Penal, e beneficiou &#8220;os que foram punidos com fundamento em atos institucionais e complementares&#8221;.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;A Lei de Anistia \u00e9 expressa contra atos pun\u00edveis previstos nos atos institucionais. Quando o presidente Figueiredo vetou a parte final do artigo primeiro, excluiu a conduta tipificada no C\u00f3digo Penal. A conduta objeto da den\u00fancia (tortura, oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, fraude processual) n\u00e3o tem resguardo em atos institucionais&#8221;, afirmou o juiz de 38 anos, 12 deles de magistratura.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Para Taranto, a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por si s\u00f3, n\u00e3o determina a aplica\u00e7\u00e3o da Lei de Anistia. &#8220;O que estava em vigor na \u00e9poca era o AI-5, que disciplinava o modo de agir. Mas pelo desenvolver dos fatos narrados na den\u00fancia e o contexto probat\u00f3rio, agiram \u00e0 margem dos atos institucionais. Eles exorbitaram muito&#8221;. O general reformado Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, os coron\u00e9is reformados Rubens Paim Sampaio e Raymundo Ronaldo Campos, e os irm\u00e3os e ex-sargentos Jurandyr e Jacy Ochsendorf foram acusados de homic\u00eddio triplamente qualificado, oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, associa\u00e7\u00e3o criminosa e fraude processual.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Ao aceitar a den\u00fancia, o juiz exp\u00f4s ainda argumentos segundo os quais esses crimes n\u00e3o prescreveram. Ele lembra que a constitui\u00e7\u00e3o em vigor j\u00e1 reconhecia a compet\u00eancia da Uni\u00e3o em celebrar tratados internacionais. &#8220;J\u00e1 incidia o princ\u00edpio geral do direito internacional, acolhido como costume pela pr\u00e1tica dos Estados e posteriormente por resolu\u00e7\u00f5es da ONU, de que os crimes contra a humanidade s\u00e3o imprescrit\u00edveis&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Para o jurista Renan Quinalha, assessor da Comiss\u00e3o da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, decis\u00f5es como a de Taranto v\u00e3o ajudar a mudar a interpreta\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia. &#8220;A decis\u00e3o traz mais elementos do que as anteriores na prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e \u00e0 Justi\u00e7a. Ele aponta argumento interessante que n\u00e3o estava sendo observado no Brasil que \u00e9 o de que a anistia se destina aos crimes punidos pelos atos institucionais. Ainda que se queira estender a anistia aos militares, deixa claro que s\u00f3 os crimes cometidos pelos civis s\u00e3o anistiados. A autoanistia n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida do ponto de vista do direito internacional&#8221;, afirmou. Para Quinalha, a decis\u00e3o foi bem fundamentada e dificulta a revis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o jurista Ives Gandra se referiu \u00e0 decis\u00e3o de Taranto como &#8220;respeit\u00e1vel, mas equivocada&#8221;. &#8220;A Lei de Anistia j\u00e1 foi duas vezes examinada pelo Supremo e abrange todo tipo de crime. A caracteriza\u00e7\u00e3o da tortura como crime hediondo veio muito depois da anistia. E a lei s\u00f3 retroage a favor do suspeito, do criminoso, nunca contra ele&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Para Gandra, a lei \u00e9 &#8220;irretoc\u00e1vel e encerrou qualquer tipo de crime. &#8220;Onde a lei n\u00e3o descrimina, abrange tudo. O juiz tem todo o direito de se manifestar dessa forma, mas a decis\u00e3o n\u00e3o vai se sustentar em fun\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia do Supremo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Paran\u00e1 Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O juiz federal Caio M\u00e1rcio Guterres Taranto, da 4\u00aa Vara Criminal do Rio, disse nesta ter\u00e7a-feira que &#8220;buscou resgatar o sentido origin\u00e1rio da Lei da Anistia&#8221; ao aceitar den\u00fancia feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra os cinco militares acusados da morte do ex-deputado federal Rubens Paiva. 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