{"id":7323,"date":"2014-05-30T19:10:08","date_gmt":"2014-05-30T19:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/30\/comissao-debate-circunstancias-da-morte-de-anisio-teixeira-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2014-05-30T19:10:08","modified_gmt":"2014-05-30T19:10:08","slug":"comissao-debate-circunstancias-da-morte-de-anisio-teixeira-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/05\/30\/comissao-debate-circunstancias-da-morte-de-anisio-teixeira-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o debate circunst\u00e2ncias da morte de An\u00edsio Teixeira durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, a tese de que ele foi uma das v\u00edtimas da ditadura militar ganhou for\u00e7a<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 11 de mar\u00e7o de 1971, An\u00edsio Teixeira pretendia visitar o amigo Aur\u00e9lio Buarque de Holanda, no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro, para tratar de sua candidatura \u00e0 Academia Brasileira de Letras. O encontro n\u00e3o ocorreu. A candidatura n\u00e3o seguiu adiante. An\u00edsio Teixeira desapareceu na manh\u00e3 daquele dia. Dois dias depois, a fam\u00edlia recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que o corpo havia sido encontrado. A justificativa da morte: o educador teria ca\u00eddo no fosso do elevador do pr\u00e9dio do amigo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7322\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/225341b8df603de10a392e75c7a6d77f922.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"500\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, as circunst\u00e2ncias do desaparecimento e da morte n\u00e3o convenceram a fam\u00edlia e parte da sociedade brasileira. Com o passar do tempo, a tese de que ele foi uma das v\u00edtimas da ditadura militar ganhou for\u00e7a. As investiga\u00e7\u00f5es feitas pela fam\u00edlia, que encaminhou dossi\u00ea \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) e \u00e0 comiss\u00e3o instalada na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) &#8211; institui\u00e7\u00e3o idealizada por Teixeira e da qual foi reitor, em 1963 &#8211; apontam novas pistas sobre o que ocorreu efetivamente. Pistas que foram discutidas em audi\u00eancia p\u00fablica convocada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na audi\u00eancia, o ex-deputado e ex-preso pol\u00edtico Haroldo Borges Rodrigues Lima, sobrinho de Teixeira, leu trechos de not\u00edcias veiculadas na \u00e9poca, entre outros, pelo jornal \u00daltima Hora. As mat\u00e9rias tratavam da situa\u00e7\u00e3o em que foi encontrado o corpo no fosso, da aus\u00eancia de testemunhas da entrada de Teixeira no pr\u00e9dio e dos sapatos e do palet\u00f3 que ele sempre usava, mas que n\u00e3o vestia quando foi encontrado. Tudo isso gerou a d\u00favida, expressa pelos jornais, de que a morte teria sido consequ\u00eancia de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o n\u00e3o foi resolvida pelos investigadores, de acordo com o filho do educador, Carlos Ant\u00f4nio Teixeira. \u201cMeu pai foi retirado do local onde foi encontrado sem a presen\u00e7a da per\u00edcia. Esse corpo foi retirado sem per\u00edcia e simplesmente transportado para o Instituto M\u00e9dico Legal [IML]\u201d, recordou. \u201cQuando [o corpo] saiu da aut\u00f3psia, todos os presentes tinham o assassinato como principal suspeita. N\u00e3o tinha como pensar que aqueles traumas teriam sido causados por queda no fosso do elevador\u201d. Como em muitos outros crimes ocorridos durante a ditadura, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi investigada a contento, na avalia\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. \u201cOs respons\u00e1veis pela investiga\u00e7\u00e3o se negaram a investigar e admitir que se tratou de crime pol\u00edtico\u201d, relatou o filho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O bi\u00f3grafo de An\u00edsio Teixeira, Jo\u00e3o Augusto de Lima Rocha, disse que a chegada do educador at\u00e9 o pr\u00e9dio de Holanda n\u00e3o foi confirmada. \u201cNingu\u00e9m o viu saindo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas\u201d. Para ele, a investiga\u00e7\u00e3o da morte deve considerar o poss\u00edvel envolvimento da Aeron\u00e1utica, pois, no IML, uma marca da corpora\u00e7\u00e3o teria sido identificada no bra\u00e7o de Teixeira. O estudioso contou que recebeu relatos de Afr\u00e2nio Coutinho, amigo do educador, de que ele havia sofrido amea\u00e7as de sequestro. Al\u00e9m disso, o contexto da \u00e9poca fortalece as suspeitas. Tanto Rubens Paiva quanto Stuart Angel desaparecem meses antes de Teixeira, em a\u00e7\u00f5es que teriam sido de responsabilidade do brigadeiro da For\u00e7a A\u00e9rea, Jo\u00e3o Paulo Burnier.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Integrante da Comiss\u00e3o An\u00edsio Teixeira de Mem\u00f3ria e Verdade, Cristiano Paix\u00e3o afirmou que o grupo teve acessos a documentos de 1965 e 1966 que apontavam An\u00edsio Teixeira como um inimigo do regime, inclusive por parte do militar encarregado de reformar a educa\u00e7\u00e3o brasileira, general Moacir Ara\u00fajo Lopes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Paix\u00e3o, o projeto de educa\u00e7\u00e3o emancipadora, defendida por Teixeira ia de encontro ao proposto pela ditadura, assim como o que \u201csuas ideias, sua obra, sua fibra e seu esp\u00edrito poderiam trazer para a sociedade que se tentava construir\u201d. Al\u00e9m disso, segundo Paix\u00e3o, seria muito nocivo ao regime que o educador chegasse \u00e0 ABL. \u201cSignificava um lugar institucional de fala, de uma fala cr\u00edtica\u201d, avaliou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O caso est\u00e1 sendo investigado pela UnB, que tem at\u00e9 o dia 22 de abril de 2015 para concluir seus trabalhos. A CNV tamb\u00e9m deve incluir mais informa\u00e7\u00f5es sobre a morte de An\u00edsio Teixeira no relat\u00f3rio final dos trabalhos do colegiado, que deve ser finalizado em meados do ano que vem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Correio 24 horas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o passar do tempo, a tese de que ele foi uma das v\u00edtimas da ditadura militar ganhou for\u00e7a No dia 11 de mar\u00e7o de 1971, An\u00edsio Teixeira pretendia visitar o amigo Aur\u00e9lio Buarque de Holanda, no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro, para tratar de sua candidatura \u00e0 Academia Brasileira de Letras. 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