{"id":7358,"date":"2014-06-10T22:07:17","date_gmt":"2014-06-10T22:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/06\/10\/vitimas-da-ditadura-militar-no-brasil-relatam-em-salvador-prisoes-e-mortes\/"},"modified":"2014-06-10T22:07:17","modified_gmt":"2014-06-10T22:07:17","slug":"vitimas-da-ditadura-militar-no-brasil-relatam-em-salvador-prisoes-e-mortes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/06\/10\/vitimas-da-ditadura-militar-no-brasil-relatam-em-salvador-prisoes-e-mortes\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas da ditadura militar no Brasil relatam em Salvador pris\u00f5es e mortes"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\u201dEsperava por isso h\u00e1 muito tempo, poder partilhar com as pesssoas aquilo que eu vivi\u201d, disse o advogado Aur\u00e9lio \u00a0Miguel Pinto D\u00f3rea, ex-militante do Partido Comunista do Brasil ((PCdoB), ao depor nessa segunda-feira (9\/6), na audi\u00eancia p\u00fablica realizada pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade na Bahia.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O segundo depoimento na audi\u00eancia p\u00fablica foi de Diva Santana, ativista na \u00e1rea de Direitos Humanos que perdeu a irm\u00e3 e o cunhado na Guerrilha do Araguaia, no Par\u00e1,em 1974, e que concluiu seu emocionado relato citando o cardeal D. Paulo Evaristo Arns: \u201cTocar nos corpos para machuc\u00e1-los e matar. Tal foi a infeliz, pecaminosa e brutal fun\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios do Estado em nossa p\u00e1tria brasileira ap\u00f3s o golpe militar de 1964\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Verdade e puni\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O advogado Aur\u00e9lio Miguel, 67 anos, contou sua trajet\u00f3ria no movimento estudantil em Salvador, onde foi preso tr\u00eas vezes pelo regime militar (1966,68 e 71) e expulso da Faculdade de Direito da UFBA, s\u00f3 conseguindo terminar o curso na Universidade Cat\u00f3lica de Salvador em 1971. Ele participou da Diretoria Clandestina da Uni\u00e3o Nacional de Estudantes (UNE), de maio de 1969 a outubro de 1970.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Citou epis\u00f3dios de torturas de que teve conhecimento, um deles envolvendo o sargento Queiroz no Oeste da Bahia, que utilizava ferro em brasa na sola dos p\u00e9s do interrogado. Falou tamb\u00e9m da sua luta em sindicatos rurais e no partido MDB em Feira de Santana, ao lado do ex-prefeito Chico Pinto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diva Santana, que foi indiciada na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, participou, desde o in\u00edcio, do Comit\u00ea de Anistia e Direitos Humanos, \u00e9 uma das fundadoras do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia e conselheira da Comiss\u00e3o sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, criada pela Lei 9140\/95.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dinaelza Santana Coqueiro, irm\u00e3 de Diva que participou da Guerrilha do Araguaia, foi assassinada pelo Ex\u00e9rcito em abril de 1974. Seu marido, Vandick Reidner Pereira Coqueiro, tamb\u00e9m lutou no Araguaia e foi assassinado pela repress\u00e3o em setembro de 1974. Os corpos dos dois at\u00e9 hoje n\u00e3o foram encontrados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFinalizando, os familiares n\u00e3o esquecer\u00e3o, como tamb\u00e9m n\u00e3o abandonar\u00e3o a luta pelo esclarecimento das circunstancias das mortes, a localiza\u00e7\u00e3o e translado dos restos mortais dos seus filhos, pais, irm\u00e3os, desaparecidos e lutar\u00e3o at\u00e9 que seja estabelecida a verdade e a puni\u00e7\u00e3o para os torturadores, considerando que a tortura, al\u00e9m de abomin\u00e1vel, \u00e9 crime de lesa humanidade, hediondo e inafian\u00e7\u00e1vel, que deve ser combatido em qualquer situa\u00e7\u00e3o e banido do mundo\u201d, disse Diva Santana.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Direitos violados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade (CEV) na Bahia foi criada em dezembro de 2012, por meio do decreto estadual 14.227, com o objetivo de apurar e esclarecer viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas por agentes p\u00fablicos entre os anos de 1946 e 1988, principalmente as viola\u00e7\u00f5es ocorridas durante a ditadura militar, de 1964 a 1985.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A CEV tem dois anos para apresentar um relat\u00f3rio que permita \u00e0 sociedade baiana conhecer detalhes dos casos de opress\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos ocorridos no Estado ou com baianos fora do Estado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Vinculada ao gabinete do governador, a comiss\u00e3o estadual \u00e9 coordenada pelo soci\u00f3logo, advogado e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia, Joviniano Neto. Os demais membros s\u00e3o a professora e ex-vereadora Amab\u00edlia Almeida, os jornalistas Walter Pinheiro e Carlos Navarro, a pr\u00f3-reitora da Ufba, Dulce \u00a0Aquino, e os advogados Jackson Azevedo e Vera Leonelli.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribuna da Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201dEsperava por isso h\u00e1 muito tempo, poder partilhar com as pesssoas aquilo que eu vivi\u201d, disse o advogado Aur\u00e9lio \u00a0Miguel Pinto D\u00f3rea, ex-militante do Partido Comunista do Brasil ((PCdoB), ao depor nessa segunda-feira (9\/6), na audi\u00eancia p\u00fablica realizada pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade na Bahia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7358"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}