{"id":7362,"date":"2014-06-11T19:07:21","date_gmt":"2014-06-11T19:07:21","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/06\/11\/comissao-da-verdade-reabre-caso-de-incendio-na-vila-soco\/"},"modified":"2014-06-11T19:07:21","modified_gmt":"2014-06-11T19:07:21","slug":"comissao-da-verdade-reabre-caso-de-incendio-na-vila-soco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/06\/11\/comissao-da-verdade-reabre-caso-de-incendio-na-vila-soco\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade reabre caso de inc\u00eandio na Vila Soc\u00f3"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">No dia 24 de fevereiro de 1984, um inc\u00eandio destruia a favela da Vila Soc\u00f3, em Cubat\u00e3o. O fogo foi provocado pela explos\u00e3o de um duto, de onde vazaram 700 mil litros de gasolina, e consumiu todo o local, na \u00e9poca, com quase 6 mil moradores. O n\u00famero oficial de mortos, 93, \u00e9 contestado at\u00e9 os dias de hoje. Justamente por isso, a \u00a0Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo Rubens Paiva reabre o caso e realiza uma audi\u00eancia p\u00fablica nesta quarta-feira, que deve contar com o depoimento de um sobrevivente da trag\u00e9dia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.atribuna.com.br\/polopoly_fs\/1.367470!\/image\/image.JPG_gen\/derivatives\/landscape_650\/image.JPG\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Na \u00e9poca, moravam seis mil pessoas no local. Oficialmente, foram 93 mortos, mas a estimativa \u00e9 muito maior  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com investiga\u00e7\u00e3o feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, o n\u00famero seria de 508 mortos, \u00a0\u201cpodendo chegar a 700\u201d, afirma Dojival Vieira, da Comiss\u00e3o da Verdade da OAB de Cubat\u00e3o, que era vereador da cidade quando do ocorrido. Ap\u00f3s o inc\u00eandio, Vieira ouviu de um morador sobrevivente o seguinte pedido: \u201cN\u00e3o permita que nossa hist\u00f3ria vire cinza\u201d. Vieira relata que na \u00e9poca a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acreditou no n\u00famero oficial de mortos. \u201cSempre se soube que esse n\u00famero seria maior\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Suspeita-se que o governo militar, que \u00e0 \u00e9poca tinha como presidente o general Jo\u00e3o Batista Figueiredo fez uma \u201cOpera\u00e7\u00e3o Abafa\u201d, para reduzir o n\u00famero de mortos e o impacto da trag\u00e9dia. \u201cObviamente que isso foi feito para reduzir a repercuss\u00e3o no \u00e2mbito interno e internacional, j\u00e1 que era uma empresa estatal gerida pelo governo militar\u201d.<\/p>\n<p> Entre os presentes \u00e0 audi\u00eancia que ser\u00e1 realizada pela Comiss\u00e3o da Verdade, estar\u00e1 um sobrevivente, que trabalhou no resgate dos corpos do inc\u00eandio: \u201cEssa testemunha afirma que foram colocados de tr\u00eas a quatro corpos em cada caix\u00e3o. Isso confirma o que viemos dizendo ao longo desses 30 anos. Que houve, de fato, a manipula\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortos para reduzir o impacto das trag\u00e9dias. Ou seja, o n\u00famero foi muito maior, mas ningu\u00e9m foi punido\u201d, esclarece Vieira.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele lembra que nenhuma investiga\u00e7\u00e3o foi feita para apurar as causas da trag\u00e9dia, \u201cmuito menos as responsabilidades\u201d. Al\u00e9m disso, ressalta que o caso n\u00e3o pode ser chamado como \u201ctrag\u00e9dia\u201d: \u201cTrag\u00e9dias n\u00e3o s\u00e3o previs\u00edveis. No caso da Vila Soc\u00f3, o inc\u00eandio resultou do total descaso da empresa com a manuten\u00e7\u00e3o dos dutos e tubula\u00e7\u00f5es. E em seguida o poder p\u00fablico se omitiu de uma opera\u00e7\u00e3o de evacua\u00e7\u00e3o. Haveria tempo para isso\u201d.<\/p>\n<p> O vazamento, relata, \u201ccome\u00e7ou muito antes do inc\u00eandio\u201d. Vieira ressalta a import\u00e2ncia do tema estar sendo trazido novamente \u00e0 tona pela Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo, em parceria com a Comiss\u00e3o da OAB de Cubat\u00e3o. \u201cNossa proposta \u00e9 que anos depois o Brasil conhe\u00e7a toda a dimens\u00e3o dessa crueldade, do desrespeito aos direitos humanos mais elementares. Foi um crime praticado pela ditadura contra toda uma popula\u00e7\u00e3o civil\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No local onde existia a Vila Soc\u00f3, surgiu um n\u00facleo residencial com 253 casas, escola e posto de sa\u00fade chamado Vila S\u00e3o Jos\u00e9. As v\u00edtimas foram indenizadas e foram constru\u00eddas cerca de 400 novas casas. Em 2011, a vila recebeu a Pra\u00e7a da Cidadania.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Audi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia p\u00fablica ser\u00e1 realizada na Assembleia Legislativa, entre 10 e 18 horas. Para o encontro, foram convidados Jos\u00e9 Osvaldo Passarelli, prefeito de Cubat\u00e3o nomeado pela ditadura militar na \u00e9poca, e Shigeaki Ueki, presidente da Petrobras tamb\u00e9m naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p> Foram convidados tamb\u00e9m Jo\u00e3o Batista de Andrade, autor do document\u00e1rio &#8220;Cubat\u00e3o Urgente&#8221;, produzido logo ap\u00f3s o inc\u00eandio, e Diego Moura, diretor do curta-document\u00e1rio &#8220;Uma Trag\u00e9dia Anunciada&#8221;. assim\u00a0 como v\u00e1rios jornalistas que cobriram o inc\u00eandio. A Comiss\u00e3o j\u00e1 recebeu a confirma\u00e7\u00e3o de Antonio Carlos Ferreira (Tonico Ferreira) que fez mat\u00e9rias para a Rede Globo na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Fonte &#8211; <\/span> A Tribuna On-line<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 24 de fevereiro de 1984, um inc\u00eandio destruia a favela da Vila Soc\u00f3, em Cubat\u00e3o. O fogo foi provocado pela explos\u00e3o de um duto, de onde vazaram 700 mil litros de gasolina, e consumiu todo o local, na \u00e9poca, com quase 6 mil moradores. 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