{"id":741,"date":"2012-05-25T13:55:56","date_gmt":"2012-05-25T13:55:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/memoria-da-censura-e-uma-defesa-a-liberdade-2\/"},"modified":"2012-05-25T13:55:56","modified_gmt":"2012-05-25T13:55:56","slug":"memoria-da-censura-e-uma-defesa-a-liberdade-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/memoria-da-censura-e-uma-defesa-a-liberdade-2\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria da censura \u00e9 uma defesa \u00e0 liberdade"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Professores e estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) participaram de um ato nessa quinta-feira (24), no\u00a0campus\u00a0da faculdade, no Largo S\u00e3o Francisco, centro de S\u00e3o Paulo, para coletar assinaturas para a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o da verdade dentro da institui\u00e7\u00e3o.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O objetivo da comiss\u00e3o \u00e9 investigar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas na universidade entre 1964 e 1985. A ideia de formar a comiss\u00e3o foi lan\u00e7ada no m\u00eas passado pelo F\u00f3rum Aberto pela Democratiza\u00e7\u00e3o da USP, que re\u00fane a Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da USP (Adusp), Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e Diret\u00f3rio Central dos Estudantes da USP (DCE Livre da USP).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com o representante do F\u00f3rum Aberto pela Democratiza\u00e7\u00e3o da USP, Renan Quinalha, a cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o \u00e9 importante porque na USP houve muita repress\u00e3o e resist\u00eancia durante o per\u00edodo da ditadura militar, e esse momento precisa ser esclarecido pela pr\u00f3pria universidade. \u201cA USP \u00e9 farta de hist\u00f3rias de professores, estudantes, funcion\u00e1rios que foram perseguidos e chegaram a ser cassados e eliminados do quadro da universidade, e essas hist\u00f3rias precisam vir \u00e0 tona\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quinalha explicou que, para formar a comiss\u00e3o, o grupo pretende distribuir um abaixo-assinado em todos oscampi\u00a0da USP para reunir 10 mil assinaturas e formalizar uma reivindica\u00e7\u00e3o ao Conselho Universit\u00e1rio, \u00fanico que pode criar essa comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQueremos que seja feita [a cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o] de maneira aut\u00f4noma e independente, n\u00e3o atrelada \u00e0 estrutura administrativa da universidade para que o trabalho possa ser feito contrariando inclusive interesses da pr\u00f3pria reitoria\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O diretor do Sintusp, Alexandre Pariol, disse que os arquivos da USP devem ser abertos de forma ampla e irrestrita e todas as pessoas que cometeram crimes na ditadura militar devem ser julgadas. \u201cAqui na nossa universidade achamos importante uma comiss\u00e3o espec\u00edfica, porque a USP, junto com a Universidade de Bras\u00edlia ,foi a que mais sofreu com a ditadura militar. Os estudantes, funcion\u00e1rios e professores que perderam a vida merecem ter a sua mem\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jurista e professor da USP, F\u00e1bio Konder Comparato, disse que a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o da verdade paralela \u00e0 criada pelo governo \u00e9 necess\u00e1ria porque as atribui\u00e7\u00f5es da comiss\u00e3o elaborada pelo governo \u00e9 muito amplo e s\u00f3 funcionar\u00e1 bem se contar com o apoio de outras, em esfera estadual e municipal. \u201cOu ent\u00e3o setorial como \u00e9 o caso da Comiss\u00e3o da Verdade da USP que se prop\u00f5e agora. A comiss\u00e3o dever\u00e1 trabalhar com total independ\u00eancia. Os professores, estudantes e funcion\u00e1rios da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime militar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Com a defesa da liberdade de imprensa estampada na capa de sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em 4 de janeiro de 1875, quando j\u00e1 demarcava a independ\u00eancia do jornal em rela\u00e7\u00e3o ao governo, em pelo menos dois momentos da hist\u00f3ria brasileira o Estado foi v\u00edtima do autoritarismo em sua trajet\u00f3ria de 137 anos. No per\u00edodo da ditadura Vargas, o jornal ficou por cinco anos, de 1940 a 1945, sob interven\u00e7\u00e3o. Mais tarde, entre 1972 e 1975, foi obrigado a conviver com censores da ditadura militar dentro da reda\u00e7\u00e3o. Todo o material dos per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o pode agora ser visitado no acervo digitalizado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No hall do Ibirapuera, o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, Paulo Bernardo, foi direto aos terminais de acesso pesquisar sobre o seu nome no acervo. Encontrou refer\u00eancia em reportagem de 1975, quando foi preso durante manifesta\u00e7\u00e3o de protesto contra o assassinato do jornalista Wladimir Herzog. Bernardo se divertiu. &#8216;Minha primeira mat\u00e9ria no Estado&#8217;, brincou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ex-governador Jos\u00e9 Serra tamb\u00e9m quis descobrir sua presen\u00e7a no acervo: pesquisou &#8216;Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes de S\u00e3o Paulo janeiro de 1963&#8217;, depois acrescentou &#8216;Jos\u00e9 Serra&#8217;. Recebeu como resposta da pesquisa mais de 800 refer\u00eancias. Serra explicou que seu interesse &#8216;tem a ver com a hist\u00f3ria do nosso Pa\u00eds e com S\u00e3o Paulo&#8217;. &#8216;Est\u00e3o aqui diversas fases: a Revolu\u00e7\u00e3o de 32, a redemocratiza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a 2.\u00aa Guerra e tamb\u00e9m o golpe militar de 64&#8217;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A ministra-chefe da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social, Helena Chagas, disse que viveu a censura em casa. O pai dela, Carlos Chagas, foi diretor de Reda\u00e7\u00e3o da Sucursal do Estado em Bras\u00edlia justamente na \u00e9poca em que censores designados pela Pol\u00edcia Federal ocuparam a reda\u00e7\u00e3o do jornal, na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8216;A coluna do meu pai era frequentemente censurada e ele era obrigado a depor no Dops&#8217;, contou Helena, que compareceu ao Audit\u00f3rio Ibirapuera representando a presidente Dilma Rousseff. Helena lembrou que Carlos chegou a ser indiciado em processo porque o Estado publicou uma mat\u00e9ria, que escapou \u00e0 censura, sobre a invas\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). &#8216;Foi uma \u00e9poca dif\u00edcil e todos n\u00f3s, da fam\u00edlia, ficamos muito preocupados. Eu me lembro que o Estado \u00e0s vezes publicava Os Lus\u00edadas, outras vezes receita de bolo e eu, que na \u00e9poca era crian\u00e7a, n\u00e3o entendia aquilo&#8217;, disse a ministra.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, al\u00e9m do servi\u00e7o prestado a estudantes e pesquisadores, a iniciativa tem forte relev\u00e2ncia pol\u00edtica. &#8216;\u00c9 uma contribui\u00e7\u00e3o para a democracia brasileira. Para que n\u00e3o se esque\u00e7a no futuro das amea\u00e7as \u00e0 liberdade de imprensa&#8217;, disse, referindo-se aos conte\u00fados preservados e digitalizados dos per\u00edodos de censura e autoritarismo vividos pelo jornal.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Conspira\u00e7\u00e3o. No site, os per\u00edodos de autoritarismo podem ser encontrados em se\u00e7\u00f5es separadas do conjunto das reportagens. Como mostram textos que orientam o acesso apontando o caminho ao pesquisador, na primeira investida do poder contra o jornal, em 1940, tropas militares invadiram a reda\u00e7\u00e3o do jornal sob a falsa acusa\u00e7\u00e3o de uma conspira\u00e7\u00e3o armada. Armas foram colocadas no forro do pr\u00e9dio pela pr\u00f3pria pol\u00edcia para forjar provas. O jornal foi acusado de armazenar metralhadoras para derrubar o governo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Francisco Mesquita foi preso e levado para o Rio onde ficou por 40 dias. Nada provado contra ele, \u00e9 solto. Entretanto, ficou impedido de reassumir suas fun\u00e7\u00f5es no jornal, que passou a ser gerido pela ditadura. Get\u00falio Vargas percebeu que melhor que fechar o jornal era confisc\u00e1-lo e o colocar a servi\u00e7o de sua propaganda. O nome indicado pelo regime para comandar o jornal durante a interven\u00e7\u00e3o foi do jornalista Abner Mour\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O jornal s\u00f3 foi devolvido \u00e0 fam\u00edlia Mesquita em dezembro de 1945. A contagem das edi\u00e7\u00f5es voltou ao \u00faltimo jornal de 1940, com o nome de Francisco Mesquita na capa. Esse per\u00edodo n\u00e3o entra na hist\u00f3ria do jornal.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores e estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) participaram de um ato nessa quinta-feira (24), no\u00a0campus\u00a0da faculdade, no Largo S\u00e3o Francisco, centro de S\u00e3o Paulo, para coletar assinaturas para a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o da verdade dentro da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/741"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}