{"id":7411,"date":"2014-07-11T19:13:27","date_gmt":"2014-07-11T19:13:27","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/07\/11\/investigacoes-em-ossadas-da-ditadura-argentina-completam-30-anos\/"},"modified":"2014-07-11T19:13:27","modified_gmt":"2014-07-11T19:13:27","slug":"investigacoes-em-ossadas-da-ditadura-argentina-completam-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/07\/11\/investigacoes-em-ossadas-da-ditadura-argentina-completam-30-anos\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00f5es em ossadas da ditadura argentina completam 30 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Os ossos s\u00e3o boas testemunhas: nunca mentem, nunca esquecem&#8221;, costumava dizer Clyde Snow, o rec\u00e9m-falecido fundador da Equipe Argentina de Antropologia Legista (EAAF), que este m\u00eas completa tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas a identificar pessoas desaparecidas na \u00faltima ditadura no pa\u00eds (1976-1983).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Gra\u00e7as ao trabalho do grupo de jovens que Clyde conduziu nos primeiros anos de democracia, muitos de n\u00f3s pudemos identificar os restos de nossos parentes, conhecer a verdade e come\u00e7ar a transitar o caminho da justi\u00e7a&#8221;, disse a presidente do grupo Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio, Estela de Carlotto, na comemora\u00e7\u00e3o do 30\u00ba anivers\u00e1rio do EAAF na quarta-feira passada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das integrantes da equipe fundadora foi Patricia Bernardi, que em 1984 acompanhou, com outros sete estudantes argentinos, o antrop\u00f3logo legista americano na exuma\u00e7\u00e3o de uma tumba em um cemit\u00e9rio de Buenos Aires e entrou, pela primeira vez em sua vida, em um necrot\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em tom jocoso, Patricia disse \u00e0 Ag\u00eancia Efe que &#8220;ter sobrevivido&#8221; \u00e9 a maior conquista da EAAF em suas tr\u00eas d\u00e9cadas de exist\u00eancia. Em seguida, no entanto, retoma o tom s\u00e9rio e destaca a import\u00e2ncia de ter mantido os princ\u00edpios com os quais come\u00e7aram a trabalhar apesar das mudan\u00e7as pol\u00edticas vividas no pa\u00eds e dos avan\u00e7os cient\u00edficos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O maior marco metodol\u00f3gico foi &#8220;a aplica\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica&#8221; \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es legistas, admite a pesquisadora, que lembra que com as an\u00e1lises de DNA &#8220;foram feitas muitas identifica\u00e7\u00f5es e que foram aprendendo com cada uma delas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para a cientista, uma das principais aprendizagens e desafios de seu trabalho est\u00e1 na notifica\u00e7\u00e3o aos parentes quando conseguem restabelecer a identidade de uma v\u00edtima.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando voc\u00ea avisa um parente, diz n\u00e3o apenas que identificou seu pai ou seu marido, mas o trabalho preliminar que fazemos possibilita dizer tamb\u00e9m quando o mataram, onde o mataram e em que centro clandestino foi visto&#8221;, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em menos de 15 minutos lhes estou dando respostas a perguntas que fizeram durante 35 anos&#8221;, comentou Patricia sobre essa delicada tarefa que, assegura, &#8220;n\u00e3o se aprende nos livros, \u00e9 quest\u00e3o de pr\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 30 anos, essas pessoas eram estudantes inexperientes, e agora formam aos novos antrop\u00f3logos legistas que se incorporam ao EAAF, que ao longo de sua trajet\u00f3ria estendeu suas investiga\u00e7\u00f5es a mais de 40 pa\u00edses, como Guatemala, El Salvador, Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Peru, Venezuela, Cro\u00e1cia, \u00c1frica do Sul, Congo e Filipinas, entre outros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das an\u00e1lises gen\u00e9ticas, outros avan\u00e7os cient\u00edficos revolucionaram tamb\u00e9m a metodologia usada, como as t\u00e9cnicas de geof\u00edsica para a descoberta das tumbas, destacou Patricia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Uma coisa \u00e9 quando voc\u00ea vai trabalhar em um cemit\u00e9rio, onde evidentemente vai encontrar mortos, e outra quando atua em \u00e1reas muito amplas ou clandestinas onde precisa de outras ci\u00eancias que apresentem tamb\u00e9m para a descoberta dos restos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cada pa\u00eds \u00e9 um desafio. Antes de iniciar qualquer trabalho de exuma\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial ter uma aproxima\u00e7\u00e3o, realizar um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o preliminar&#8221;, detalhou a antrop\u00f3loga legista.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A t\u00e9cnica, no entanto, n\u00e3o \u00e9 suficiente para o sucesso de sua tarefa, mas \u00e9 necess\u00e1ria tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o das autoridades de um pa\u00eds e da sociedade civil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para a veterana antrop\u00f3loga, \u00e9 preciso avaliar as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas de cada pa\u00eds, conhecer a posi\u00e7\u00e3o do governo e dos organismos de direitos humanos antes de trabalhar nele.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Somos cientistas, mas tamb\u00e9m \u00e9 um trabalho muito pol\u00edtico&#8221;, especificou. &#8220;Devemos avaliar se \u00e9 momento oportuno para iniciar este trabalho, porque uma vez iniciado, \u00e9 muito dif\u00edcil parar&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ossos s\u00e3o boas testemunhas: nunca mentem, nunca esquecem&#8221;, costumava dizer Clyde Snow, o rec\u00e9m-falecido fundador da Equipe Argentina de Antropologia Legista (EAAF), que este m\u00eas completa tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas a identificar pessoas desaparecidas na \u00faltima ditadura no pa\u00eds (1976-1983).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7411"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7411\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}