{"id":742,"date":"2012-05-25T13:58:46","date_gmt":"2012-05-25T13:58:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/identificacao-de-desaparecido-comprova-plano-de-exterminio-antes-da-ditadura-argentina-2\/"},"modified":"2012-05-25T13:58:46","modified_gmt":"2012-05-25T13:58:46","slug":"identificacao-de-desaparecido-comprova-plano-de-exterminio-antes-da-ditadura-argentina-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/25\/identificacao-de-desaparecido-comprova-plano-de-exterminio-antes-da-ditadura-argentina-2\/","title":{"rendered":"Identifica\u00e7\u00e3o de desaparecido comprova plano de exterm\u00ednio antes da ditadura argentina"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante o regime militar, milhares de presos foram atirados ao mar vivos e drogados, de avi\u00f5es militares<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 1976, cad\u00e1veres come\u00e7aram a ser encontrados no litoral uruguaio. Com ind\u00edcios de que sofreram viol\u00eancia, por apresentarem feridas, hematomas e fraturas \u00f3sseas, os corpos foram enterrados como \u201can\u00f4nimos\u201d na cidade de Col\u00f4nia. Em um per\u00edodo em que o Uruguai vivia sob uma ditadura perpetradora de crimes contra presos pol\u00edticos, peritos alegaram que n\u00e3o havia elementos suficientes para saber quem eram as v\u00edtimas.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nesta quarta-feira (24\/05), 36 anos depois da chegada destes corpos \u00e0 orla uruguaia, a identifica\u00e7\u00e3o de um deles foi anunciada. Trata-se de Roque Orlando Montenegro, um jovem argentino de 20 anos que foi sequestrado em sua casa um m\u00eas antes do golpe de Estado em seu pa\u00eds, em 1976. Militante peronista, Montenegro foi brutalmente torturado em uma pris\u00e3o clandestina ao lado da mulher, Hilda Torres, com quem participava da luta no per\u00edodo pr\u00e9vio \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a exuma\u00e7\u00e3o e repatria\u00e7\u00e3o do corpo, no ano passado, a an\u00e1lise dos antrop\u00f3logos forenses levou a uma descoberta que comprova que Montenegro foi v\u00edtima de uma pr\u00e1tica de exterm\u00ednio da ditadura argentina anterior ao golpe. Ele teria sido morto, em data desconhecida, em um dos \u201cVoos da Morte\u201d, na qual prisioneiros pol\u00edticos eram jogados, do alto de um avi\u00e3o, em alto mar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As descobertas foram anunciadas pela filha da v\u00edtima, Victoria Montenegro, em uma entrevista coletiva. Levada a uma pris\u00e3o clandestina quando tinha apenas 13 dias de vida, e apropiada ilegalmente pelo coronel que assassinaria seus pais, a mulher de 36 anos foi encontrada em 2000 pelas Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio, que lutam pela identifica\u00e7\u00e3o dos cerca de 500 beb\u00eas nascidos em cativeiro e adotados ilegalmente por outras fam\u00edlias durante a repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisei de v\u00e1rios anos para assumir minha identidade e tentar acomodar minha hist\u00f3ria. Meu apropriador tinha me dito, em rela\u00e7\u00e3o aos meus pais, que tinham sido abatidos em um combate ocorrido em 1976\u201d, afirmou Victoria ao revelar a identifica\u00e7\u00e3o do pai, concluindo que a an\u00e1lise da Equipe Argentina de Antropologia Forense comprova \u201ca exist\u00eancia de um plano sistem\u00e1tico [de exterm\u00ednio] anterior ao golpe de Estado\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Estela de Carlotto, presidente da organiza\u00e7\u00e3o das Av\u00f3s, por sua vez, afirmou, estar em um conflito de sentimentos com os resultados do exame de DNA que comprovaram a identidade de Roque Montenegro, e pela \u201cdor\u201d provocada pela revela\u00e7\u00e3o do paradeiro de somente um dos c\u00f4njuges, j\u00e1 que Hilda Torres continua desaparecida. Segundo ela, a descoberta \u201cn\u00e3o faz mais que constatar que a repress\u00e3o come\u00e7ou previamente ao golpe de Estado\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Milagre&#8221;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Victoria, que foi registrada sob o nome de Mar\u00eda Sol Tetzlaff, como filha do falecido coronel do Ex\u00e9rcito H\u00e9rman Tetzlaff, que liderou uma um centro clandestino de pris\u00e3o e tortura conhecido como \u201cEl Vesubio\u201d, classifica a identifica\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea de seu verdadeiro pai como \u201cuma milagre\u201d, pois p\u00f4de ser feita apesar de os militares \u201cterem feito tudo para que n\u00e3o aparecessem\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em uma entrevista \u00e0\u00a0R\u00e1dio Continental, quando relatou em detalhes sua experi\u00eancia ao descobrir, aos 24 anos de idade, que seus verdadeiros pais n\u00e3o eram os que diziam ser, Victoria afirmou que, em princ\u00edpio, n\u00e3o acreditava na hist\u00f3ria de seu sequestro: \u201cDemorei muitos anos para entender. Para mim, todos eram culpados, menos ele. Todos: as Av\u00f3s, meus pais biol\u00f3gicos, a hist\u00f3ria, todos\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O antrop\u00f3logo forense Carlos Somigliana aproveitou o an\u00fancio para convocar familiares de desaparecidos a deixar amostras sangu\u00edneas no banco gen\u00e9tico do Arquivo Nacional da Mem\u00f3ria, garantindo que aqueles que tiveram seu paradeiro omitido pelos agentes de repress\u00e3o ainda podem ser encontrados. \u201cSabemos que muita gente n\u00e3o poder\u00e1 ser identificada, devido ao mecanismo perverso dos v\u00f4os, que foi eficiente para o desaparecimento de pessoas. Mas h\u00e1 milagres e podem haver mais\u201d, disse.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Opera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o regime militar, milhares de presos foram atirados ao mar vivos e drogados, de avi\u00f5es militares Em 1976, cad\u00e1veres come\u00e7aram a ser encontrados no litoral uruguaio. Com ind\u00edcios de que sofreram viol\u00eancia, por apresentarem feridas, hematomas e fraturas \u00f3sseas, os corpos foram enterrados como \u201can\u00f4nimos\u201d na cidade de Col\u00f4nia. 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