{"id":7426,"date":"2014-07-18T15:40:46","date_gmt":"2014-07-18T15:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/07\/18\/jornalistas-relatam-cotidiano-durante-o-regime-militar\/"},"modified":"2014-07-18T15:40:46","modified_gmt":"2014-07-18T15:40:46","slug":"jornalistas-relatam-cotidiano-durante-o-regime-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/07\/18\/jornalistas-relatam-cotidiano-durante-o-regime-militar\/","title":{"rendered":"Jornalistas relatam cotidiano durante o regime militar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A imprensa foi um dos principais alvos da ditadura militar (1964-1985). Neste per\u00edodo, jornais deixaram de noticiar fatos importantes, rep\u00f3rteres perderam o direito e de ir e vir, al\u00e9m de sofrerem uma persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das For\u00e7as Armadas. A Comiss\u00e3o da Verdade de Pernambuco ouviu, na manh\u00e3 desta quinta-feira (17), jornalistas que trabalharam na imprensa recifense no per\u00edodo, como Ant\u00f4nio Portela, Carlos Garcia, Ivanildo Sampaio, Juracy Andrade e Nagib Jorge. Os profissionais de imprensa relataram ao colegiado, pela primeira vez, a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00eddia e o poder no per\u00edodo.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esta parte da hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 recheada de mecanismos entendidos por estes profissionais, longe dos arquivos oficiais. Por exemplo, n\u00e3o existem documentos que comprovem a interfer\u00eancia das For\u00e7as Armadas em publica\u00e7\u00f5es, pelo menos diretamente. O jornalista Nagib Jorge, que trabalhou nos jornais do Brasil e O Globo no Recife relatou, por exemplo, que os agentes abordavam os rep\u00f3rteres e diziam que determinado texto n\u00e3o deveriam ser publicados. \u201cUma vez um homem disse que era agente da pol\u00edcia federal e n\u00e3o se identificou. Disse que era e pronto. Mandou a mat\u00e9ria n\u00e3o ser publicada. Muitas vez mandavam bilhetes, mas n\u00e3o documentos oficiais\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O atual diretor de reda\u00e7\u00e3o do Jornal do Commercio, o jornalista Ivanildo Sampaio, lembrou que, durante sua primeira fase no ve\u00edculo, na d\u00e9cada de 1960, n\u00e3o era permitido fazer mat\u00e9rias com pol\u00eamicas com o bispo dom Fragoso, que foi titular da Diocese de Crate\u00fas, no Cear\u00e1, por 34 anos. \u201cHavia recomenda\u00e7\u00e3o para evitar estas mat\u00e9rias. Tamb\u00e9m n\u00e3o pod\u00edamos realizar mat\u00e9rias positivas com o arcebispo de Olinda e Recife, d. Helder Camara\u201d, disse o jornalista, lembrando que a repercuss\u00e3o das mat\u00e9rias dos jornais da regi\u00e3o Nordeste, na \u00e9poca, era mais fortes por conta da for\u00e7a da Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 as emissoras e r\u00e1dios p\u00fablicas foram perseguidas pelas For\u00e7as Armadas. O jornalista Juracy Andrade lembrou que no ano do golpe de 1964 trabalhava na R\u00e1dio Universit\u00e1ria, pertencente \u00e0 Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). \u201cEu tive muita sorte. Trabalhava na r\u00e1dio com Paulo Freire, ent\u00e3o professor da universidade, em programas educativos. Eles esqueceram inicialmente da gente, s\u00f3 lembrando em agosto, tempos depois do golpe em abril\u201d, comentou. \u201cNossa sa\u00edda se deve a Gilberto Freyre, que respeito como literato, que pressionou a universidade, defendia uma devassa contra os comunistas na UFPE\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade de Pernambuco, no entanto, revelou que nenhum dos depoimentos coletados serve para solucionar casos de crimes, persegui\u00e7\u00e3o ou desaparecimento de presos pol\u00edticos no estado. O colegiado relevou que a sess\u00e3o p\u00fablica realizada na Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco (Fundaj), no bairro de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, teve fins \u201cculturais\u201d. Os depoimentos estar\u00e3o, futuramente, expostos e dispon\u00edveis no futuro memorial do colegiado a ser instalado na capital.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa foi um dos principais alvos da ditadura militar (1964-1985). Neste per\u00edodo, jornais deixaram de noticiar fatos importantes, rep\u00f3rteres perderam o direito e de ir e vir, al\u00e9m de sofrerem uma persegui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das For\u00e7as Armadas. 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