{"id":7446,"date":"2014-08-01T01:37:29","date_gmt":"2014-08-01T01:37:29","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/01\/ex-juiz-militar-confirma-torturas-na-ditadura\/"},"modified":"2014-08-01T01:37:29","modified_gmt":"2014-08-01T01:37:29","slug":"ex-juiz-militar-confirma-torturas-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/01\/ex-juiz-militar-confirma-torturas-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Ex-juiz militar confirma torturas na ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade ouviu na tarde desta quinta-feira (31) o ex-juiz da 2\u00aa auditoria da Justi\u00e7a Militar Federal de S\u00e3o Paulo. Nelson da Silva Machado Guimaraes atuou durante a ditadura militar (1964-1985) e confirmou a exist\u00eancia de torturas nos por\u00f5es do Doi-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna), bem como no DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7445\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Comissao.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Embora a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja novidade, Guimar\u00e3es disse que apesar da situa\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca, a auditoria da Justi\u00e7a Militar era independente do regime, e que dentre as den\u00fancias de tortura que lhe chegaram ao conhecimento, algumas foram encaminhadas \u00e0 inst\u00e2ncia superior para que fossem investigadas. Guimar\u00e3es disse que as que n\u00e3o foram registradas diziam respeito a guerrilheiros pol\u00edticos treinados no exterior.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Todos sabem que havia tortura como h\u00e1 tortura hoje no Brasil. Na guerra, se mata e se tortura dos dois lados&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a audi\u00eancia, foi projetado no tel\u00e3o dois v\u00eddeos com depoimento de testemunhas que lan\u00e7aram d\u00favidas sobre a atua\u00e7\u00e3o dele, no per\u00edodo. A advogada Eny Moreira falou que apesar de ter levado um de seus clientes ao juiz, relatando torturas no Doi-Codi, ele n\u00e3o acreditou no preso pol\u00edtico e nem registrou a informa\u00e7\u00e3o para averigua\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Lucas Scavoni, tamb\u00e9m em v\u00eddeo, afirmou ter visto Guimar\u00e3es nas depend\u00eancias do Doi-Codi quando l\u00e1 estava para depor. Embora n\u00e3o tenha provas, Scavoni afirma considerar que o juiz ouviu seu depoimento ao agente da repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Guimar\u00e3es negou ter estado l\u00e1 e menos ainda ter ouvido o depoimento. Por outro lado, Guimar\u00e3es confirmou que esteve por algumas vezes no DOPS, inclusive praticando tiros em um stand da pol\u00edcia Militar. Sobre a pol\u00edtica do regime, que fazia desaparecer com corpos e ocultava cad\u00e1veres, o juiz disse que teve conhecimento de apenas um caso, mas que os guerrilheiros utilizavam nomes e documentos falsos, e que por isso eram sepultados com os dados que a pol\u00edcia e o Exercito tinham, \u00e0 \u00e9poca. A advogada Rosa Cardoso contra argumentou que mesmo tendo os nomes, militares falsificavam documentos e enterravam como indigentes. Para Guimar\u00e3es, &#8220;os militares estavam na guerra, e quem est\u00e1 perto do fogo, reage de maneira compreens\u00edvel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como autoridade da lei, naquele per\u00edodo, Guimar\u00e3es falou que &#8220;tomava as provid\u00eancias cab\u00edveis quanto a tortura.&#8221; Questionado por Cardoso se teria provas quanto a isso (tomar as provid\u00eancias cab\u00edveis), o ex-juiz disse n\u00e3o precisar, a n\u00e3o ser que estivesse sendo julgado. Disse isso para tipificar que a Comiss\u00e3o da Verdade foi estabelecida para levantar fatos hist\u00f3ricos, apenas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;As penas que eu dei, julgava dentro do que me parecia adequado [\u00e0 \u00e9poca, durante a Ditadura]&#8221;, falou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A advogada Cardoso disse para o ex-juiz que o depoimento dele \u00e0 Comiss\u00e3o era contradit\u00f3rio, e que ele n\u00e3o tinha independ\u00eancia quando exerceu o cargo. Ele rebateu dizendo que era um direito dela considerar aquilo, mas queria ve-la atuar numa Comiss\u00e3o da Verdade em um pa\u00eds como a China comunista, al\u00e9m de outros. O objetivo dele com esta afirma\u00e7\u00e3o foi dar a entender que os militares foram cruciais para que se implantasse a democracia no Brasil. Para Guimar\u00e3es, havia sim, naquele per\u00edodo, uma guerra revolucion\u00e1ria instalada no pa\u00eds. A afirma\u00e7\u00e3o foi dita ao ler uma carta em que contextualizava a \u00e9poca, sob sua \u00f3tica. Para os que se opunham \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es, como a advogada Eny Moreira, que estava presente na sala, ele foi um &#8220;juiz que prevaricou durante o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o.&#8221; J\u00e1 para o pr\u00f3prio Guimar\u00e3es, &#8220;foi uma honra servir \u00e0 Justi\u00e7a Militar.&#8221; Ele agradeceu a Deus pelos acertos e pediu perd\u00e3o (a Deus) pelos erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Bem Paran\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade ouviu na tarde desta quinta-feira (31) o ex-juiz da 2\u00aa auditoria da Justi\u00e7a Militar Federal de S\u00e3o Paulo. 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