{"id":7456,"date":"2014-08-04T12:56:02","date_gmt":"2014-08-04T12:56:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/04\/mesa-memorias-do-carcere-reune-escritores-atingidos-pela-ditadura-na-flip\/"},"modified":"2014-08-04T12:56:02","modified_gmt":"2014-08-04T12:56:02","slug":"mesa-memorias-do-carcere-reune-escritores-atingidos-pela-ditadura-na-flip","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/04\/mesa-memorias-do-carcere-reune-escritores-atingidos-pela-ditadura-na-flip\/","title":{"rendered":"Mesa \u201cMem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u201d re\u00fane escritores atingidos pela ditadura, na Flip"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontro da tarde deste s\u00e1bado teve Marcelo Rubens Paiva, Bernardo Kucinski e Persio Arida<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/multimidia2.correiodopovo.com.br\/thumb.aspx?Caminho=multimidia\/2014\/08\/02\/340839.JPG&#038;Tamanho=250&#038;HW=2\" border=\"0\" width=\"250\" height=\"166\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">P\u00fablico da Flip aplaude mesa sobre a ditadura \/<span style=\"line-height: 1.3em;\">Cr\u00e9dito: Luiz Gonzaga Lopes \/ Especial CP<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\" \/>A mesa Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere &#8211; 50 anos do Golpe realizada no in\u00edcio da tarde deste s\u00e1bado na Tenda do Autores da 12\u00aa Flip, em Paraty, foi esclarecedora, manteve a esperan\u00e7a por mais informa\u00e7\u00e3o e principalmente por justi\u00e7a, mas os integrantes do painel reconheceram que a ditadura continua, de certa forma, pois a democracia n\u00e3o avan\u00e7ou no sentido de punir os culpados por mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar de 1964 a 1979.  <!--more-->  <\/p>\n<p> Sob media\u00e7\u00e3o de Lilia M. Schwarcz, a mesa reuniu o jornalista e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski e o economista Persio Arida, todos com hist\u00f3rias ligadas a desaparecimento ou morte de familiares ou que vivenciaram a tortura e pris\u00e3o na pele, como \u00e9 o caso de Arida. <\/p>\n<p> O primeiro grande momento da mesa foi quando ap\u00f3s ouvir um \u00e1udio da R\u00e1dio Nacional de 1964, de um pronunciamento do pai Rubens Paiva pr\u00f3-Jo\u00e3o Goulart, legalidade e reformas de base, Marcelo Rubens Paiva leu uma cr\u00f4nica dele publicada no in\u00edcio do ano no Estad\u00e3o, quando exaltou que quem combateu a ditadura militar foi a sua m\u00e3e, Eunice, sobre quem est\u00e1 escrevendo um livro, destacando a pris\u00e3o do pai e tamb\u00e9m da m\u00e3e por 13 dias em 1971 e a c\u00e9lebre data de 23 de fevereiro de 1996, quando eles receberam o atestado de \u00f3bito do pai. Durante e ap\u00f3s a leitura, Marcelo chorou e o p\u00fablico o aplaudiu de p\u00e9 por dois minutos. &#8220;O desaparecimento \u00e9 a segunda tortura, voc\u00ea continua ser torturado at\u00e9 hoje. Jamais tem um fim. A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica v\u00edtima. O pa\u00eds e a humanidade s\u00e3o as v\u00edtimas. Quando vi na capa de O Globo que o torturador estava pisando na cara do meu pai. O pior de tudo \u00e9 que os militares ainda queriam durante muito tempo mostrar o seu poder. Estamos apostando mais no Minist\u00e9rio P\u00fablico do que na Comiss\u00e3o da Verdade, numa forma de circular a Lei da Anistia e enquadrar alguns destes militares nos crimes de desaparecimento de cad\u00e1ver e forma\u00e7\u00e3o de quadrilha&#8221;, declarou Paiva.<\/p>\n<p> Bernardo Kucinski, que teve a irm\u00e3 Ana Rosa e o cunhado Wilson Silva desaparecidos em 1974, leu o trecho &#8220;Imunidades, um Paradoxo&#8221; do seu livro &#8220;K.&#8221; (Cosac Naify) sobre um pai, o seu pr\u00f3prio, mas recriado ficcionalmente que sente-se imune, intoc\u00e1vel, pois a busca da filha justifica empunhar cartazes, desdenhar da pol\u00edcia e a n\u00e3o temer mais nada. &#8220;Sobre este livro, decidi n\u00e3o dar uma de jornalista investigativo. Escrever com as minhas mem\u00f3rias e as coletivas, da fam\u00edlia, e rechear com fic\u00e7\u00e3o. S\u00e3o ainda poucos os livros que tratam sobre o tema. Eu n\u00e3o tenho esperan\u00e7a nos resultados da Comiss\u00e3o da Verdade. As For\u00e7as Armadas n\u00e3o repudiaram as atrocidades do passado. A estrat\u00e9gia da abertura lenta e gradual dos militares deu certo, pois a ditadura continua, substitu\u00edram a militar pela midi\u00e1tica, substitu\u00edram a indigna\u00e7\u00e3o pelo consenso&#8221;, frisou.<\/p>\n<p> Preso e torturado em 1970, quando aos 18 anos era filiado \u00e0 Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria de Palmares, Persio Arida leu um trecho de um artigo seu publicado na revista piau\u00ed especial da Flip. No texto, fala da estrat\u00e9gia do pai e da m\u00e3e de proteger o filho numa garconi\u00e8re (termo franc\u00eas de apartamento para encontros amorosos) que o pai dividia com um amigo, mas que custou brigas familiares e a pr\u00f3pria censura da m\u00e3e ao artigo. No final, o importante era que os dois se uniram para salvar a vida do filho. &#8220;Eu fiquei desaparecido, mas o fato de descobrir que algu\u00e9m sabia que eu estava l\u00e1 acabava me confortando que n\u00e3o iria ser morto. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds de pouca mem\u00f3ria. Estes livros, artigos e uma maior informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para as novas gera\u00e7\u00f5es, pois este desconhecimento \u00e9 parte do desconhecimento de quem somos e de nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A luta armada n\u00e3o tinha ideais nobres, o nosso ideal era o proletariado no poder, o mais importante da li\u00e7\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 o sacrificar o individual por um bem maior, o desprendimento por uma causa&#8221;, ressaltou Arida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Correio do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro da tarde deste s\u00e1bado teve Marcelo Rubens Paiva, Bernardo Kucinski e Persio Arida P\u00fablico da Flip aplaude mesa sobre a ditadura \/Cr\u00e9dito: Luiz Gonzaga Lopes \/ Especial CP A mesa Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere &#8211; 50 anos do Golpe realizada no in\u00edcio da tarde deste s\u00e1bado na Tenda do Autores da 12\u00aa Flip, em Paraty, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7456"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}