{"id":748,"date":"2012-05-28T02:48:10","date_gmt":"2012-05-28T02:48:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/delegado-do-dops-aceitaria-ir-a-comissao-da-verdade-2\/"},"modified":"2012-05-28T02:48:10","modified_gmt":"2012-05-28T02:48:10","slug":"delegado-do-dops-aceitaria-ir-a-comissao-da-verdade-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/delegado-do-dops-aceitaria-ir-a-comissao-da-verdade-2\/","title":{"rendered":"Delegado do Dops aceitaria ir \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Os jornalistas Marcelo Netto e Rog\u00e9rio Medeiros, autores do livro que traz revela\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas do ex-delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) Cl\u00e1udio Guerra sobre crimes praticados durante o regime militar.\u00a0 Eles defenderam que Guerra seja chamado a depor o quanto antes na Comiss\u00e3o da Verdade, que come\u00e7ou seus trabalhos no \u00faltimo dia 16.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em debate-lan\u00e7amento do livro, segunda-feira passada, na Livraria da Travessa, Netto lembrou que o ex-delegado \u00e9 pe\u00e7a fundamental para revelar mais fatos obscuros do per\u00edodo. Em depoimento \u00e0 dupla de jornalistas que escreveu sua biografia,Mem\u00f3rias de uma guerra suja (Ed. Topbooks, 291 p\u00e1ginas), Guerra \u2013 que cumpre pena de 42 anos em regime semiaberto num abrigo para idosos em Vit\u00f3ria (ES), por outros crimes \u2013 relata sua participa\u00e7\u00e3o nos atentados a bomba do Riocentro, em 1981, e ao jornal O Estado de S.Paulo, em 1983; no assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982; e na incinera\u00e7\u00e3o dos corpos de pelo menos 10 militantes de esquerda, at\u00e9 agora considerados desaparecidos, na usina de a\u00e7\u00facar Cambahyba, em Campos dos Goytacazes (RJ).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No livro, escrito em primeira pessoa, Guerra afirma que nunca torturou, mas confessa que seu trabalho era matar e ocultar cad\u00e1veres a mando da ditadura militar. Segundo Netto, que, para escrever o livro, manteve contato com o ex-delegado durante tr\u00eas anos, Guerra estaria disposto a colaborar com a Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c9 muito dif\u00edcil investigar os crimes militares e, por isso, o trabalho da comiss\u00e3o deve ser \u00e1gil. Ele pode ajudar muito na reconstru\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria perdida do Brasil. Vendo os inqu\u00e9ritos com depoimentos e fotos, Guerra pode lembrar outros crimes e seus envolvidos. A comiss\u00e3o precisa correr contra o tempo e ter disposi\u00e7\u00e3o investigativa \u2013 afirmou Netto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Guerra iniciou sua vida de policial em 1970, como escriv\u00e3o, na Superintend\u00eancia de Pol\u00edcia Civil do Esp\u00edrito Santo. Entrou para o esquema de repress\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda em 1972, sendo nomeado delegado distrital, em 1973, e delegado especializado em Crimes contra Economia P\u00fablica, em 1974, at\u00e9 chegar ao principal posto do Dops. Pelo desempenho nas execu\u00e7\u00f5es, ficou conhecido no Esp\u00edrito Santo e em Minas Gerais como &#8220;bom matador&#8221;. Guerra assumiu o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) na Regi\u00e3o Sudeste em 1975.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Medeiros, o outro autor da biografia, afirmou que, para dar certo, a Comiss\u00e3o da Verdade \u201cdeve ouvir as pessoas certas\u201d:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 Devem chamar a depor aqueles que, como Guerra, possam dizer &#8220;eu fiz&#8221;, &#8220;eu vi&#8221;, e n\u00e3o &#8220;eu ouvi dizer&#8221;. E usar essas declara\u00e7\u00f5es para desmascarar outras pessoas que praticaram crimes na ditadura \u2013 ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mediada pelo jornalista Geneton\u00a0Moraes Neto, cerca de 40 pessoas assistiram \u00e0 palestra dos autores, seguida de noite de aut\u00f3grafos, na segunda-feira, 21, numa \u00e1rea reservada no segundo andar da Livraria da Travessa, no Shopping Leblon. Guerra n\u00e3o compareceu ao lan\u00e7amento.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na semana anterior, o senador Paulo Paim (PT-RS) havia anunciado, em plen\u00e1rio, que o ex-delegado receberia prote\u00e7\u00e3o policial, ap\u00f3s uma suposta amea\u00e7a sofrida na madrugada do dia 16, quando tr\u00eas homens discutiram com o seguran\u00e7a da casa geri\u00e1trica e insinuaram que matariam algu\u00e9m ali. O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a j\u00e1 recebeu dois pedidos de prote\u00e7\u00e3o policial, encaminhados \u00e0 Pol\u00edcia Federal de Bras\u00edlia. Assim como a Justi\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a PF ofereceu agentes para proteger Guerra, que recusou a ajuda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Corpos incinerados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEm determinado momento da guerra contra os advers\u00e1rios do regime, passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Est\u00e1vamos no final de 1973. Precis\u00e1vamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resist\u00eancia interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes\u201d, relata Guerra, que conta ter procurado o ex-vice-governador do Rio Heli Ribeiro, dono da usina Cambahyba, a quem fornecia armas para combater agricultores sem-terra, aliado que \u201cfaria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udio Guerra narra ter levado at\u00e9 a fazenda o coronel da cavalaria do Ex\u00e9rcito Freddie Perdig\u00e3o Pereira, que trabalhava para o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), e o comandante de Marinha Ant\u00f4nio Vieira, que atuava no Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (Cenimar), ambos seus superiores: \u201cO local foi aprovado. O forno da usina era enorme, ideal para transformar em cinzas qualquer vest\u00edgio humano\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA usina passou, em contrapartida, a receber benef\u00edcios dos militares pelos bons servi\u00e7os prestados. Era um per\u00edodo de dificuldade econ\u00f4mica e os usineiros da regi\u00e3o estavam pendurados em d\u00edvidas. Mas o pessoal da Cambahyba, n\u00e3o. Eles tinham acesso f\u00e1cil a financiamentos e outros benef\u00edcios que o Estado poderia prestar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os dez presos incinerados seriam Jo\u00e3o Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury; Ana Rosa Kucinsk \u00a0e Wilson Silva; David Capistrano; Jo\u00e3o Massena Mello, Jos\u00e9 Roman e Luiz Ign\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho, dirigentes do PCB; Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da A\u00e7\u00e3o Popular Marxista Leninista (APML).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong> O caso Riocentro<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sobre o atentado no Riocentro durante show do Dia do Trabalhador, em 1\u00ba de maio de 1981, Guerra relata no livro: \u201cParticipei do atentado ao Riocentro e fiz parte das v\u00e1rias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior trag\u00e9dia, o grande golpe contra o projeto de abertura democr\u00e1tica. O destino daquela bomba era o palco. Tratava-se de um artefato de grande poder destruidor. O efeito da carga explosiva no ambiente festivo, onde deveriam se apresentar uns 80 artistas famosos, seria devastador. A expans\u00e3o da explos\u00e3o e a onda de p\u00e2nico dentro do Riocentro gerariam consequ\u00eancias desastrosas. Era evidente que muitas pessoas morreriam pisoteadas. Aquela bomba [que estourou no colo do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio] era uma das tr\u00eas que deveriam explodir no show. O capit\u00e3o Wilson [Lu\u00eds Chaves Machado] estacionou o ve\u00edculo embaixo de um fio de alta tens\u00e3o e a carga el\u00e9trica desse fio, a energia que passava em cima do Puma, fechou o circuito da bomba, provocando a explos\u00e3o. O erro foi do capit\u00e3o. (&#8230;) Eu era especialista em explosivos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Comiss\u00e3o da Verdade<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nomeada pela presidente Dilma Rousseff, no \u00faltimo dia 16, a Comiss\u00e3o da Verdade tem o objetivo de revelar viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, como mortes, torturas e desaparecimentos, desvendando cap\u00edtulos desconhecidos da hist\u00f3ria brasileira no per\u00edodo de 1946 a 1988. A comiss\u00e3o \u00e9 composta por sete integrantes \u2013 Cl\u00e1udio Fonteles, ex-procurador geral da Rep\u00fablica; Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Jos\u00e9 Carlos Dias, ex-ministro da Justi\u00e7a do governo Fernando Henrique Cardoso e atual conselheiro da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz de S\u00e3o Paulo; Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho, consultor da Unesco e do Banco Mundial; Maria Rita Kehl, psicanalista, ensa\u00edsta, cr\u00edtica liter\u00e1ria, poetisa, cronista e ex-editora do jornal Movimento, de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura; Paulo S\u00e9rgio de Moraes Sarmento Pinheiro, ex-secret\u00e1rio especial dos Direitos Humanos no governo FH; e Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada especialista em crimes pol\u00edticos, professora e escritora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao nome\u00e1-los, a presidente Dilma afirmou que a comiss\u00e3o mostra a maturidade pol\u00edtica e o esp\u00edrito democr\u00e1tico do Brasil e ressaltou que ela n\u00e3o ter\u00e1 car\u00e1ter \u201crevanchista\u201d.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Portal PUC-Rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jornalistas Marcelo Netto e Rog\u00e9rio Medeiros, autores do livro que traz revela\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas do ex-delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) Cl\u00e1udio Guerra sobre crimes praticados durante o regime militar.\u00a0 Eles defenderam que Guerra seja chamado a depor o quanto antes na Comiss\u00e3o da Verdade, que come\u00e7ou seus trabalhos no \u00faltimo dia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/748"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/748\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}