{"id":7484,"date":"2014-08-11T19:11:22","date_gmt":"2014-08-11T19:11:22","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/11\/novos-capitulos-sobre-a-ditadura-em-pernambuco\/"},"modified":"2014-08-11T19:11:22","modified_gmt":"2014-08-11T19:11:22","slug":"novos-capitulos-sobre-a-ditadura-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/11\/novos-capitulos-sobre-a-ditadura-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Novos cap\u00edtulos sobre a ditadura em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Livro relata hist\u00f3rias que ocorreram nos por\u00f5es do Dops de Pernambuco e como atuavam os agentes da repress\u00e3o<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Morto por engano. Esta talvez seja a justificativa mais adequada para a morte do tratorista Pedro Jos\u00e9 Ferreira, preso em 19 de julho de 1967 e falecido cinco dias depois dentro da sede do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), na Rua da Aurora, no Centro do Recife. O trabalhador do Engenho Po\u00e7o Sagrado foi preso em virtude do nome. Era hom\u00f4nimo de outro \u201cPedro Jos\u00e9\u201d, militante das Ligas Camponesas, considerado um movimento \u201cnon grato\u201d do regime militar brasileiro (1964-1985). Perdeu a vida, ap\u00f3s sess\u00f5es de tortura, sem motivos aparentes. N\u00e3o h\u00e1 registros sobre familiares nem de investiga\u00e7\u00f5es sobre seu caso, que s\u00f3 agora se perpetua na hist\u00f3ria sob forma de livro.<\/p>\n<p> Estas e outras descobertas est\u00e3o no livro Informa\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e mem\u00f3ria: a constru\u00e7\u00e3o do estado de exce\u00e7\u00e3o no Brasil do Dops-PE, lan\u00e7ado pela Editora UFPE, da historiadora Marc\u00edlia Gama, professora do curso de hist\u00f3ria da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenadora do Memorial da Justi\u00e7a do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 6\u00ba Regi\u00e3o. A obra \u00e9 um dos melhores registros de como a ditadura militar trabalhava para investigar militantes de esquerda, fabricar provas contra advers\u00e1rios e se reciclar enquanto institui\u00e7\u00e3o. Sim, tudo era feito com muito estudo, inclusive, com ajuda do governo norte-americano.<\/p>\n<p> \u201cHavia um acordo depois da 2\u00ba Guerra Mundial de que os Estados Unidos ajudariam o Brasil na defesa interna. Isso com o medo do comunismo. Depois da press\u00e3o de estados como Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro, essa ajuda chegou, mas s\u00f3 na d\u00e9cada de 1960\u201d, diz a historiadora, que relata a chegada de armamentos, aparelhos de grampo e telefones m\u00f3veis (que lembram os celulares de hoje em dia) direto do pa\u00eds norte-americano. \u201cHouve uma \u00e9poca que delegacias j\u00e1 chegavam prontas, em termos de estruturas, em navios norte-americanos. N\u00e3o havia restri\u00e7\u00e3o na alf\u00e2ndega por conta do acordo\u201d, completa.<\/p>\n<p> O livro de Marc\u00edlia \u00e9 esclarecedor e provocante. O primeiro \u00e9 no sentido hist\u00f3rico propriamente dito. Ela resgata a funda\u00e7\u00e3o do Dops ainda na Era Vargas (1930-1945), mostrando que as torturas n\u00e3o eram \u201cin\u00e9ditas\u201d na d\u00e9cada de 1960. O outro \u00e9 pelo vest\u00edgio do espa\u00e7o. A sede do Dops em Pernambuco, por exemplo, ainda serve como sede da Pol\u00edcia Civil do estado. \u201cNa d\u00e9cada de 1990, alguns militantes derrubaram a sala de interrogat\u00f3rios e perdemos esse registro\u201d. Mas a sede do \u00f3rg\u00e3o, que foi a casa do pol\u00edtico pernambucano Francisco do R\u00eago Barros, o Conde da Boa Vista (1802-1870), continua l\u00e1, sem nenhum registro do seu passado antidemocr\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Saiba mais<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Morte de Pedro Jos\u00e9 Ferreira<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O tratorista Pedro Jos\u00e9 Ferreira teve o registro de motivo de \u201cmorte\u201d adulterado em sua ficha no Dops. Morto alguns dias ap\u00f3s a pris\u00e3o, ele teria sido confundido com um militante das Ligas Camponesas, que tinha o mesmo nome. Na triagem do Dops, um prontu\u00e1rio atesta sua morte em plena delegacia em 21 de julho de 1967. N\u00e3o h\u00e1 registro sobre familiares nem da repercus\u00e3o da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Propaganda anticomunista<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1960, os ent\u00e3o chefe de pol\u00edcia Arnaldo da Costa Lima e o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica Jo\u00e3o Roma encomendaram, direto do Rio de Janeiro, cartazes \u201canticomunistas\u201d. As pe\u00e7as, que seriam distribu\u00eddas para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o letrada em escolas e igrejas, traziam mensagens fazendo associa\u00e7\u00e3o das esquerdas com trabalho escravo, \u00f3dio <br \/> e viol\u00eancia. Os cartazes circularam at\u00e9 a d\u00e9cada <br \/> de 1970.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Caso de Gildo Moreira Lacerda<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O militante da A\u00e7\u00e3o Popular Gildo Moreira Lacerda morreu, segundo documentos do Dops, ap\u00f3s uma troca de tiros na Av. Caxang\u00e1 no Recife. O Dops de S\u00e3o Paulo diz que ele veio prestar um depoimento no Recife. O curioso \u00e9 que, no dia 1\u00ba de novembro de 1973, a imprensa anuncia a morte dele e de Jos\u00e9 Carlos da Mata no tiroteio, sendo que no mesmo os dois estavam prestando o depoimento no Dops da capital. Os dois est\u00e3o desaparecidos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro relata hist\u00f3rias que ocorreram nos por\u00f5es do Dops de Pernambuco e como atuavam os agentes da repress\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7484"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7484\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}