{"id":749,"date":"2012-05-28T03:03:10","date_gmt":"2012-05-28T03:03:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/para-militares-estado-na-ditadura-combatia-o-terrorismo-2\/"},"modified":"2012-05-28T03:03:10","modified_gmt":"2012-05-28T03:03:10","slug":"para-militares-estado-na-ditadura-combatia-o-terrorismo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/para-militares-estado-na-ditadura-combatia-o-terrorismo-2\/","title":{"rendered":"Para militares, Estado na ditadura combatia o terrorismo"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Calcula-se que a\u00e7\u00f5es armadas da esquerda mataram 120 pessoas, 59 delas civis; j\u00e1 as v\u00edtimas da repress\u00e3o chegam a pelo menos 356<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Banc\u00e1rio, dona de casa, motorista de t\u00e1xi, empres\u00e1rio, militares, incluindo um marinheiro brit\u00e2nico, um capit\u00e3o americano e um major alem\u00e3o. A lista de mortos por militantes da esquerda armada durante o regime militar (1964-1985) \u00e9 variada.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existem estat\u00edsticas exatas, assim como n\u00e3o se tem n\u00fameros precisos dos esquerdistas mortos pelas for\u00e7as governamentais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As v\u00edtimas da esquerda s\u00e3o tradicionalmente aceitas como sendo 120 pessoas mortas, das quais 61 s\u00e3o militares e policiais e 59, civis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 consenso sobre as v\u00edtimas da repress\u00e3o. A Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia listou em 2007 356 casos reconhecidos. Estudo de familiares de mortos e desaparecidos aponta 426.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A lista mais completa das pessoas mortas pela esquerda armada est\u00e1 no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (<a href=\"http:\/\/www.ternuma.com.br\/\">www.ternuma.com.br<\/a>).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um grupo obviamente engajado, como ele se define: &#8220;Um punhado de democratas civis e militares inconformados com a omiss\u00e3o das autoridades legais e indignados com a desfa\u00e7atez dos esquerdistas revanchistas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O nome do grupo foi criado em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ONGs de nome &#8220;Tortura Nunca Mais&#8221;, criadas para representar as v\u00edtimas da ditadura e atuar na \u00e1rea de direitos humanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com exce\u00e7\u00e3o de casos de &#8220;justi\u00e7amento&#8221; por &#8220;tribunais revolucion\u00e1rios&#8221; -o assassinato de pessoas consideradas traidoras-, a maior parte dos civis morreu por estar no lugar errado na hora errada, como perto da explos\u00e3o de uma bomba.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A luta armada das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda envolveu tanto guerrilha rural como urbana. Mas foi nas cidades que ocorreu a maior parte das mortes, visto que foi nelas que a atua\u00e7\u00e3o dos militantes comunistas foi mais intensa e eficaz. A guerrilha na regi\u00e3o do rio Araguaia foi facilmente debelada, com poucas mortes entre militares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Isso fica patente ao se constatar que morreram bem mais policiais, civis e militares, do que soldados das tr\u00eas for\u00e7as. A lista inclui nove militares do Ex\u00e9rcito e nada menos que 24 oficiais, sargentos e soldados da PM de S\u00e3o Paulo, estado onde a guerrilha urbana foi mais intensa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poder\u00e1 sobreviver se est\u00e1 disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados \u00e0 repress\u00e3o, e se est\u00e1 verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas&#8221;, escreveu Carlos Marighella, em seu &#8220;Manual do Guerrilheiro Urbano&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marighella, ex-deputado pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) cassado em 1947, fundou a ALN (Alian\u00e7a Libertadora Nacional), que foi o mais forte dos grupos de guerrilha urbana. O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia, Paulo Vannuchi, um dos criadores da Comiss\u00e3o da Verdade, foi militante da ALN.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1969 militantes da ALN incendiaram um carro de pol\u00edcia em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o comumente chamados de &#8220;r\u00e1dio-patrulha&#8221;, matando dois soldados, Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, para roubar armas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>GUERRA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">V\u00edtimas particularmente vulner\u00e1veis eram os sentinelas, parados \u00e0 frente de quart\u00e9is e alvos f\u00e1ceis de ataques surpresas. Tr\u00eas soldados da PM paulista morreram nessa situa\u00e7\u00e3o -Naul Jos\u00e9 Montovani, Ant\u00f4nio Carlos Jeffery e Eduardo Cust\u00f3dio de Souza.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O auge do conflito ocorreu entre 1968 e 1974. Tanto os militantes de esquerda como os policiais e militares chamam o confronto de &#8220;guerra&#8221;. Isso cria pol\u00eamicas jur\u00eddicas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O &#8220;direito da guerra&#8221; costuma se referir \u00e0 conflitos entre estados, regulando, por exemplo, o tratamento de prisioneiros. Em uma guerra &#8220;civil&#8221; ou de &#8220;insurg\u00eancia&#8221; n\u00e3o existem regras precisas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os esquerdistas se consideravam &#8220;guerrilheiros&#8221;; os policiais e militares os classificam como &#8220;terroristas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos atentados a bomba de maior impacto ocorreu em julho de 1966, bem antes do endurecimento do regime, depois da edi\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00famero 5 em 1968.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, matou o jornalista Edson R\u00e9gis de Carvalho e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes; houve 14 feridos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O almirante foi o militar de maior patente morto pela esquerda, embora n\u00e3o fosse o alvo; o objetivo era matar o general Artur da Costa e Silva, que se tornaria o segundo presidente do regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para financiar suas a\u00e7\u00f5es a esquerda armada costumava assalta bancos. Os\u00edris Motta Marcondes, gerente do Banco Mercantil, foi morto em 1967 durante assalto em S\u00e3o Paulo. Em 1969, no Rio, tombou outro gerente, Jos\u00e9 Santa Maria, do Banco de Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Disputando com Marighella o primeiro lugar no pante\u00e3o da &#8220;guerrilha&#8221; -ou do &#8220;terror&#8221;- de esquerda est\u00e1 o ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Carlos Lamarca, da VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria). Em 1969 ele matou o guarda-civil Orlando Pinto da Silva com dois tiros, durante assalto ao Banco Ita\u00fa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte Lamarca tamb\u00e9m matou o policial federal H\u00e9lio de Carvalho Ara\u00fajo com um tiro de rev\u00f3lver e ordenou a morte do tenente da PM paulista Alberto Mendes J\u00fanior, a coronhadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre as v\u00edtimas estrangeiras est\u00e1 o marinheiro brit\u00e2nico David Cuthberg, que veio ao Rio com uma flotilha da Marinha Real como parte das comemora\u00e7\u00f5es dos 150 anos da independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Havia centenas de marinheiros, mas bastava um para servir de &#8220;exemplo&#8221;. Ele e um amigo pegaram um t\u00e1xi para visitar a cidade e foram metralhados. O amigo e o taxista sobreviveram.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>15\/04\/71<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O industrial Henning Albert Boilesen, que presidia a Ultrag\u00e1s, foi assassinado na manh\u00e3 de 15 de abril de 1971 em S\u00e3o Paulo (ao lado), pela da ALN, com v\u00e1rios tiros nas costas. Dinamarqu\u00eas naturalizado brasileiro, Boilesen era acusado de financiar a Oban, que combatia a guerrilha urbana<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>01\/07\/68<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O major do Ex\u00e9rcito alem\u00e3o Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen fazia um curso na Escola de Comando e Estado Maior, no Rio. Foi executado por ter sido confundido com Gary Prado, comandante do destacamento que prendeu Che Guevara na Bol\u00edvia, que cursava a mesma escola<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>10\/05\/70<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O tenente Alberto Mendes Junior comandava um destacamento da Pol\u00edcia Militar que interceptou o grupo de guerrilheiros de Carlos Lamarca em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira. No conflito, Mendes se rendeu, e depois for morto a coronhadas, para evitar tiros que revelassem a posi\u00e7\u00e3o do grupo<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>26\/06\/68<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>O soldado M\u00e1rio Kozel Filho foi morto quando um militante da VPR jogou um caminh\u00e3o-bomba contra o quartel-general do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, no Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>12\/10\/68<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Veterano do Vietn\u00e3, o capit\u00e3o dos EUA Charles Rodney Chandler cursava sociologia em SP quando foi morto. Para a VPR, ele era um agente da CIA que ensinava t\u00e9cnicas de tortura no Brasil, o que era falso.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Calcula-se que a\u00e7\u00f5es armadas da esquerda mataram 120 pessoas, 59 delas civis; j\u00e1 as v\u00edtimas da repress\u00e3o chegam a pelo menos 356 Banc\u00e1rio, dona de casa, motorista de t\u00e1xi, empres\u00e1rio, militares, incluindo um marinheiro brit\u00e2nico, um capit\u00e3o americano e um major alem\u00e3o. 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