{"id":7526,"date":"2014-08-22T13:04:07","date_gmt":"2014-08-22T13:04:07","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/22\/em-audio-de-1988-raul-seixas-relata-tortura-sofrida-durante-a-ditadura-militar\/"},"modified":"2014-08-22T13:04:07","modified_gmt":"2014-08-22T13:04:07","slug":"em-audio-de-1988-raul-seixas-relata-tortura-sofrida-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/08\/22\/em-audio-de-1988-raul-seixas-relata-tortura-sofrida-durante-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Em \u00e1udio de 1988, Raul Seixas relata tortura sofrida durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Raul Seixas morreu no dia 21 de agosto de 1989, v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es de uma pancreatite aguda. Exatamente 25 anos ap\u00f3s a morte do pai do rock brasileiro, um \u00e1udio do ano de 1988 mostra uma entrevista em que Raul Seixas conta detalhes das torturas que sofreu durante tr\u00eas dias no ano de 1974.\u00a0A entrevista foi concedida ao jornalista Andr\u00e9 Barbosa, na extinta r\u00e1dio FM Record de S\u00e3o Paulo. Ele cedeu o \u00e1udio do seu arquivo pessoal \u00e0\u00a0R\u00e1dio Nacional de Bras\u00edlia FM.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7525\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/raulseixas_vetor_120128_tiagoaugusto.creativecommons_0.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"473\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/raulseixas_vetor_120128_tiagoaugusto.creativecommons_0.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/raulseixas_vetor_120128_tiagoaugusto.creativecommons_0-190x300.jpg 190w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Cantor e compositor deixou 21 discos e m\u00fasicas atemporais, que continuam conquistando gera\u00e7\u00f5es (Tiago Augusto\/Creative Commons)  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com Barbosa, essa foi a primeira e, provavelmente, a \u00faltima vez que ele falou sobre a pris\u00e3o pelos militares em uma grava\u00e7\u00e3o. \u201cEle nunca tinha comentado sobre o assunto\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O \u00e1udio mostra o momento da entrevista em que ele foi indagado em rela\u00e7\u00e3o aos planos que tinha de construir uma sociedade alternativa e sobre a pris\u00e3o dele. Raul suspirou e come\u00e7ou a contar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/cidadania\/2014\/08\/em-audio-de-1998-raul-seixas-relata-tortura-sofrida-durante-a-ditadura-militar\">Escute o \u00e1udio em que Raul Seixas relata a pris\u00e3o, tortura e ex\u00edlio em 1974<\/a><\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Raul relatou, entre outras coisas, que ficou em um local subterr\u00e2neo, com limo, que apanhou e levou choques \u201cem lugares particulares\u201d. Do local da pris\u00e3o, ele tamb\u00e9m conta que foi levado a um aeroporto e mandado para os Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 voltou ao Brasil porque o LP Gita se tornou um sucesso: \u201cVeio o Consulado Brasileiro no meu apartamento. Era quase em dezembro de 1974. Bateu na porta do meu apartamento dizendo que eu j\u00e1 podia voltar. Que o Brasil j\u00e1 me chamava, que eu era patrim\u00f4nio nacional e que tava vendendo disco\u201d. Raul disse que voltou s\u00f3 porque \u201cestava com muita saudade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja o que disse Raul Seixas sobre a pris\u00e3o, tortura e ex\u00edlio em 1974 (escrito com adapta\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>Em 1974, eu estava com a Sociedade Alternativa, essa ideia estrutural, com os par\u00e2metros todos desenvolvidos. Estava em uma \u00e9poca esot\u00e9rica, frequentando tudo, participando de tudo, escrevendo para John Lennon. N\u00e3o sabia que iria me encontrar com ele. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabia que eu ia ser expulso do Brasil. Ordem de pris\u00e3o do 1\u00ba ex\u00e9rcito!<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>Ia ser doado para mim, por uma sociedade esot\u00e9rica eg\u00edpcia de Aleister Crowley, um terreno em Minas Gerais. E esse eu acho que foi o cume, culminou a\u00ed. Eu ia construir uma cidade, uma anticidade, o antitudo, o antiguarda. Ia fazer uma cidade modelo. Est\u00e1vamos t\u00e3o loucos pela ideia. Eu, Paulo Coelho, tinha um advogado, tinha um juiz. Tinha pessoas importantes de cada \u00e1rea na sociedade alternativa.<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>Ent\u00e3o foi tudo desativado porque eu fui expulso para Nova York. Fiquei um ano exilado do Brasil, sem poder voltar. Eu fui pego na pista do Aterro [do Flamengo, no Rio] quando eu voltava de um show. Um carro do Dops barrou o meu t\u00e1xi e eu fiquei nu com uma carapu\u00e7a preta na cabe\u00e7a. Fui para um lugar, se n\u00e3o me engano, Realengo. Eu sinto que foi por ali, Realengo. Um lugar subterr\u00e2neo, que tinha limo. Eu tateava as paredes e tinha limo.<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>E vinham cinco caras me interrogar. Tinha um bonzinho, um outro bruto que me dava murro, um que dava choque el\u00e9trico em lugares particulares e tudo. Eu fiquei tr\u00eas dias l\u00e1. Sabe, cada um tinha uma personalidade. Era uma tortura de personalidade. Eu n\u00e3o sabia quem vinha. S\u00f3 sentia pelos passos. Eu pensava, era o cara que batia. Era o cara que tem o&#8230;<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>Ap\u00f3s tr\u00eas dias, eu estava no aeroporto. J\u00e1 tinha deixado o LP Gita gravado e n\u00e3o sabia que ia fazer sucesso sozinho. N\u00e3o sabia que ia estourar. E ele estourou. Acho que tocou umas seis faixas. Uma por uma. Gita, Sociedade Alternativa, Medo da Chuva&#8230; foi um disco que foi muito explorado. Ent\u00e3o, eu estava l\u00e1 nos Estados Unidos. J\u00e1 tinha encontrado com John Lennon, j\u00e1 tinha corrido o pa\u00eds, era casado com uma americana na \u00e9poca. E tinha cantado com Jerry Lee Lewis em Memphis, Tenesee. Ele me acompanhou de piano.<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>Tinha transado [feito muitas coisas] um bocado nos EUA quando veio o Consulado Brasileiro no meu apartamento. Era quase em dezembro de 1974. Bateu na porta do meu apartamento dizendo que eu j\u00e1 podia voltar. Que o Brasil j\u00e1 me chamava, que eu era patrim\u00f4nio nacional e que tava vendendo disco. Cinicamente, o cara falou assim.<\/em><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9, eu voltei. Tava com muita saudade. Voltei para o Brasil e vi o disco Gita estourado aqui. E foi mais ou menos assim aquele ano de 1974. Mas tudo bem. Eu me refiz, gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o fiquei com trauma psicol\u00f3gico nenhum e acho que as coisas se processam dessa maneira.<\/em><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raul Seixas morreu no dia 21 de agosto de 1989, v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es de uma pancreatite aguda. 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