{"id":754,"date":"2012-05-28T14:15:47","date_gmt":"2012-05-28T14:15:47","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/noticias-do-dia-10\/"},"modified":"2012-05-28T14:15:47","modified_gmt":"2012-05-28T14:15:47","slug":"noticias-do-dia-10","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/28\/noticias-do-dia-10\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias do Dia"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Carlos Alberto Augusto e Dirceu Gravina, agentes da repress\u00e3o durante a Ditadura Militar no Brasil &#8211; subordinados a Ustra e Fleury, ainda trabalham na Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo e v\u00eam sendo investigados pela Comiss\u00e3o da Verdade paulista. Legitimidade de sua perman\u00eancia na ativa \u00e9 questionada por especialista brit\u00e2nico em ditaduras latino-americanas em livro lan\u00e7ado no pa\u00eds. Anthony Pereira \u2013 o autor do livro \u2018Ditadura e Repress\u00e3o\u2019, aborda o modus operandi da repress\u00e3o e a forma como, em tempos democr\u00e1ticos, pol\u00edcia e Judici\u00e1rio se livraram de agentes c\u00famplices ou que colaboraram com as ditaduras. Nos pr\u00f3ximos anos, a Comiss\u00e3o da Verdade nacional tamb\u00e9m abordar\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o dos agentes paulistas. Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho, um dos sete membros, disse que as investiga\u00e7\u00f5es estaduais ser\u00e3o fundamentais para municiar o trabalho federal.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o paulista j\u00e1 acertou parceria, e Cavalcanti Filho diz que \u00e9 bem-vinda a ajuda de outros estados. &#8220;Fleury \u00e9 um verdadeiro her\u00f3i nacional&#8221;, diz Carlos Alberto Augusto, acomodado no bar da associa\u00e7\u00e3o dos delegados. Ele fala do delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, um dos chefes do Dops e um dos nomes da repress\u00e3o mais associados \u00e0 morte e \u00e0 tortura. Augusto atuou no Dops de 1970 a 1977, subordinado a Fleury. Ele venera o ex-chefe a ponto de organizar encontros e missas em sua mem\u00f3ria. Foi no Dops que Augusto ganhou a alcunha de &#8220;Carlinhos Metralha&#8221;, como \u00e9 conhecido pela esquerda. Ele detesta o apelido, difundido pelo ex-preso pol\u00edtico Ivan Seixas, que o viu andar com uma metralhadora pelos por\u00f5es. Prefere a alcunha &#8220;Carteira Preta&#8221;, refer\u00eancia \u00e0 sua bolsa de couro com a identifica\u00e7\u00e3o de &#8220;meganha&#8221;.Testemunhos de presos pol\u00edticos indicam ainda que Augusto est\u00e1 por tr\u00e1s do desaparecimento de Edgar Aquino Duarte, visto pela \u00faltima vez no Dops de S\u00e3o Paulo, em junho de 1973.\u00a0H\u00e1 outros relatos de torturas e maus-tratos, incluindo o do atual deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comiss\u00e3o da Verdade paulista: &#8220;JC me prendeu, em 1973. J\u00e1 chegou batendo. Tomei uma coronhada de metralhadora dele no olho direito, apanhei muito no cambur\u00e3o e fui recebido na pris\u00e3o por um corredor polon\u00eas&#8221;. \u00a0Diogo adianta que a comiss\u00e3o pedir\u00e1 ao governo de S\u00e3o Paulo o afastamento dos delegados, &#8220;para mostrar aos jovens oficiais que a tortura n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a atividade policial&#8221;. Militares da reserva e ex-policiais, no entanto, criticam a imparcialidade do presidente do colegiado, alegando desequil\u00edbrio no fato de um ex-preso pol\u00edtico investigar seu algoz.\u00a0Um par\u00eantese: na comiss\u00e3o federal, nenhum dos sete membros foi seviciado nos por\u00f5es. O alvo de maior reclama\u00e7\u00e3o foi a indica\u00e7\u00e3o de Rosa Maria Cardoso, ex-advogada da ent\u00e3o guerrilheira Dilma Rousseff, que passou algumas horas detida, no in\u00edcio dos anos 70, por defender presos pol\u00edticos. Carlos Alberto Augusto e Dirceu Gravina devem ser convocados nas pr\u00f3ximas semanas, enquanto a comiss\u00e3o paulista analisa documentos e colhe informa\u00e7\u00f5es de familiares de desaparecidos. Procurada pelo jornal, a SSP de S\u00e3o Paulo n\u00e3o se manifestou. Publicado no caderno \u2018Ilustr\u00edssima\u2019, da\u00a0Folha.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Banc\u00e1rio, dona de casa, motorista de t\u00e1xi, empres\u00e1rio, militares, incluindo um marinheiro brit\u00e2nico, um capit\u00e3o americano e um major alem\u00e3o. A lista de mortos por militantes da esquerda armada durante o regime militar \u00e9 variada. N\u00e3o existem estat\u00edsticas exatas, assim como n\u00e3o se tem n\u00fameros precisos dos esquerdistas mortos pelas for\u00e7as governamentais. As v\u00edtimas da esquerda s\u00e3o tradicionalmente aceitas como sendo 120 pessoas mortas, das quais 61 s\u00e3o militares e policiais e 59, civis. N\u00e3o h\u00e1 consenso sobre as v\u00edtimas da repress\u00e3o. A Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia listou em 2007 356 casos reconhecidos. Estudo de familiares de mortos e desaparecidos aponta 426. A lista mais completa das pessoas mortas pela esquerda armada est\u00e1 no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (<a href=\"http:\/\/emkt.mailentrelinhas.net\/emkt\/tracer\/?2,862205,a885ca08,a4e4,1\">www.ternuma.com.br<\/a>). \u00c9 um grupo obviamente engajado, como ele se define: &#8220;Um punhado de democratas civis e militares inconformados com a omiss\u00e3o das autoridades legais e indignados com a desfa\u00e7atez dos esquerdistas revanchistas&#8221;. O nome do grupo foi criado em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ONGs de nome &#8220;Tortura Nunca Mais&#8221;, criadas para representar as v\u00edtimas da ditadura e atuar na \u00e1rea de direitos humanos. Com exce\u00e7\u00e3o de casos de &#8220;justi\u00e7amento&#8221; por &#8220;tribunais revolucion\u00e1rios&#8221; &#8211; o assassinato de pessoas consideradas traidoras-, a maior parte dos civis morreu por estar no lugar errado na hora errada, como perto da explos\u00e3o de uma bomba. A luta armada envolveu tanto guerrilha rural como urbana. Mas foi nas cidades que ocorreu a maior parte das mortes, visto que foi nelas que a atua\u00e7\u00e3o dos militantes foi mais intensa e eficaz. A guerrilha na regi\u00e3o do rio Araguaia foi facilmente debelada, com poucas mortes entre militares. Isso fica patente ao se constatar que morreram bem mais policiais, civis e militares, do que soldados das tr\u00eas for\u00e7as. A lista inclui nove militares do Ex\u00e9rcito e nada menos que 24 oficiais, sargentos e soldados da PM de SP, estado onde a guerrilha urbana foi mais intensa. &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poder\u00e1 sobreviver se est\u00e1 disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados \u00e0 repress\u00e3o, e se est\u00e1 verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas&#8221;, escreveu Carlos Marighella, em seu &#8220;Manual do Guerrilheiro Urbano&#8221;. Marighella, ex-deputado pelo PCB cassado em 1947, fundou a ALN, que foi o mais forte dos grupos de guerrilha urbana. O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia, Paulo Vannuchi, um dos criadores da Comiss\u00e3o da Verdade, foi militante da ALN. Em junho de 1969 militantes da ALN incendiaram um carro de pol\u00edcia em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o comumente chamados de &#8220;r\u00e1dio-patrulha&#8221;, matando dois soldados, Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, para roubar armas. V\u00edtimas particularmente vulner\u00e1veis eram os sentinelas, parados \u00e0 frente de quart\u00e9is e alvos f\u00e1ceis de ataques surpresas. Tr\u00eas soldados da PM paulista morreram nessa situa\u00e7\u00e3o -Naul Jos\u00e9 Montovani, Ant\u00f4nio Carlos Jeffery e Eduardo Cust\u00f3dio de Souza. O auge do conflito ocorreu entre 1968 e 1974. Tanto os militantes de esquerda como os policiais e militares chamam o confronto de &#8220;guerra&#8221;. Isso cria pol\u00eamicas jur\u00eddicas. O &#8220;direito da guerra&#8221; costuma se referir \u00e0 conflitos entre estados, regulando, por exemplo, o tratamento de prisioneiros. Em uma guerra &#8220;civil&#8221; ou de &#8220;insurg\u00eancia&#8221; n\u00e3o existem regras precisas. Os esquerdistas se consideravam &#8220;guerrilheiros&#8221;; os policiais e militares os classificam como &#8220;terroristas&#8221;. Um dos atentados a bomba de maior impacto ocorreu em julho de 1966, bem antes do endurecimento do regime, depois da edi\u00e7\u00e3o do AI n\u00ba 5, em 1968. Uma bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, matou o jornalista Edson R\u00e9gis de Carvalho e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes; houve 14 feridos. O almirante foi o militar de maior patente morto pela esquerda, embora n\u00e3o fosse o alvo; o objetivo era matar o general Artur da Costa e Silva, que se tornaria o segundo presidente do regime militar. Para financiar suas a\u00e7\u00f5es a esquerda armada costumava assalta bancos. Os\u00edris Motta Marcondes, gerente do Banco Mercantil, foi morto em 1967 durante assalto em S\u00e3o Paulo. Em 1969, no Rio, tombou outro gerente, Jos\u00e9 Santa Maria, do Banco de Cr\u00e9dito Real de MG. Disputando com Marighella o primeiro lugar no pante\u00e3o da &#8220;guerrilha&#8221; -ou do &#8220;terror&#8221;- de esquerda est\u00e1 o ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Carlos Lamarca, da VPR. Em 1969 ele matou o guarda-civil Orlando Pinto da Silva com dois tiros, durante assalto ao Banco Ita\u00fa. No ano seguinte Lamarca tamb\u00e9m matou o policial federal H\u00e9lio de Carvalho Ara\u00fajo com um tiro de rev\u00f3lver e ordenou a morte do tenente da PM paulista Alberto Mendes J\u00fanior, a coronhadas. Entre as v\u00edtimas estrangeiras est\u00e1 o marinheiro brit\u00e2nico David Cuthberg, que veio ao Rio com uma flotilha da Marinha Real como parte das comemora\u00e7\u00f5es dos 150 anos da independ\u00eancia do Brasil. Havia centenas de marinheiros, mas bastava um para servir de &#8220;exemplo&#8221;. Ele e um amigo pegaram um t\u00e1xi para visitar a cidade e foram metralhados. O amigo e o taxista sobreviveram. Publicado no caderno \u2018Poder\u2019, da\u00a0Folha.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O mesmo jornal publica lista de assasssinados pelos guerrilheiros durante o regime militar; segue:\u00a015\/04\/71\u00a0&#8211; O industrial Henning Albert Boilesen, que presidia a Ultrag\u00e1s, foi assassinado na manh\u00e3 de 15 de abril de 1971 em S\u00e3o Paulo (ao lado), pela da ALN, com v\u00e1rios tiros nas costas. Dinamarqu\u00eas naturalizado brasileiro, Boilesen era acusado de financiar a Oban, que combatia a guerrilha urbana;\u00a0<a href=\"x-apple-data-detectors:\/\/15\">01\/07<\/a>\/68- O major do Ex\u00e9rcito alem\u00e3o Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen fazia um curso na Escola de Comando e Estado Maior, no Rio. Foi executado por ter sido confundido com Gary Prado, comandante do destacamento que prendeu Che Guevara na Bol\u00edvia, que cursava a mesma escola;\u00a010\/05\/70\u00a0&#8211; O tenente Alberto Mendes Junior comandava um destacamento da Pol\u00edcia Militar que interceptou o grupo de guerrilheiros de Carlos Lamarca em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira. No conflito, Mendes se rendeu, e depois for morto a coronhadas, para evitar tiros que revelassem a posi\u00e7\u00e3o do grupo;\u00a026\/06\/68\u00a0&#8211; O soldado M\u00e1rio Kozel Filho foi morto quando um militante da VPR jogou um caminh\u00e3o-bomba contra o quartel-general do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, no Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo;\u00a012\/10\/68- Veterano do Vietn\u00e3, o capit\u00e3o dos EUA Charles Rodney Chandler cursava sociologia em SP quando foi morto. Para a VPR, ele era um agente da CIA que ensinava t\u00e9cnicas de tortura no Brasil, o que era falso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Continua\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria da\u00a0Folha. Foram quatro sess\u00f5es principais, em geral com tr\u00eas conferencistas cada uma. E mais duas sess\u00f5es em que foram apresentadas comunica\u00e7\u00f5es breves durante o Encontro de Historiadores Militares, realizado na semana passada na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende (RJ). \u00a0Havia militares historiadores e acad\u00eamicos. Ningu\u00e9m apresentou estudo sobre o regime militar. Haveria tema tabu? O jornal fez a pergunta em uma das sess\u00f5es, em que havia um historiador da Marinha, um civil e um do Ex\u00e9rcito. &#8220;A revolta dos marinheiros de 1910 d\u00f3i na Marinha at\u00e9 hoje, \u00e9 um tema muito sens\u00edvel&#8221;, disse o historiador e capit\u00e3o-de-mar-e-guerra Francisco Eduardo Almeida, da Escola de Guerra Naval. Ele lembra que em 2010, centen\u00e1rio dessa &#8220;revolta da chibata&#8221;, a Marinha ficou &#8220;muda&#8221;. &#8220;Como historiador acho p\u00e9ssimo; como militar, acho bom&#8221;, declarou. J\u00e1 o civil Cesar Campiani Maximiano, professor do Instituto Meira Mattos da Eceme, declarou que o tema n\u00e3o lhe interessa pessoalmente. O coronel reformado Cl\u00e1udio Moreira Bento, 80, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Academias de Hist\u00f3ria Militar Terrestre do Brasil, n\u00e3o respondeu nada. &#8220;N\u00e3o \u00e9 preciso uma crise esquizofr\u00eanica&#8221;, brincou o historiador Arno Wehling, presidente do IHGB, comentando a &#8220;luta&#8221; do oficial da Marinha com sua &#8220;dicotomia&#8221; de historiador e militar. &#8220;O historiador lida com a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria.&#8221; Militares comentam que falar abertamente ou escrever sobre o regime militar \u00e9 complicado pois muitos dos atores est\u00e3o vivos; e os militares da ativa n\u00e3o podem ter posicionamento pol\u00edtico. Em artigo em 12 de maio no jornal &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;, o general-de-ex\u00e9rcito Romulo Bini Pereira, na reserva e ex-chefe do Estado Maior da Defesa, declarou que &#8220;as For\u00e7as Armadas cumpriram um papel impec\u00e1vel. Voltaram-se para suas miss\u00f5es constitucionais, sem a m\u00ednima interfer\u00eancia no processo pol\u00edtico que aqui se desenvolvia.&#8221; Para Bini, os militares consideram a Comiss\u00e3o da Verdade \u00e9 parcial e representa um ato de &#8220;revanchismo&#8221;. O general-de-ex\u00e9rcito Augusto Heleno, que comandou as for\u00e7as na ONU no Haiti, tuitou: &#8220;Na minha opini\u00e3o, retrata o pensamento de 90% dos militares e de grande parte da sociedade&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Editorial do jornal\u00a0O Estado de S.Paulo. Divulgado no final da semana passada, o relat\u00f3rio anual da AI &#8211; Anistia Internacional &#8211; faz muitas cr\u00edticas ao Brasil em quest\u00f5es de respeito aos direitos humanos. A entidade destaca a melhoria dos indicadores sociais, em 2011, e elogia a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, classificando-a como &#8220;um enorme avan\u00e7o&#8221; no plano institucional, mas volta a enumerar casos de assassinatos cometidos por mil\u00edcias e grupos de exterm\u00ednio, a denunciar viol\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o policial nos centros urbanos, a expor as condi\u00e7\u00f5es degradantes de pris\u00f5es superlotadas e a criticar os cortes no or\u00e7amento da \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica. Segundo a AI, entre janeiro e setembro de 2011 foram registradas 804 mortes decorrentes de conflitos com a pol\u00edcia, nos estados do RJ e SP. Esses \u00f3bitos foram registrados como &#8220;mortes indeterminadas&#8221; ou provocadas por pessoas que teriam oferecido resist\u00eancia numa opera\u00e7\u00e3o policial. A AI considera esses n\u00fameros muito altos. Nos EUA, por exemplo, foram mortas 137 pessoas em embates com policiais e, na Alemanha, apenas 6, no mesmo per\u00edodo. Um dos principais problemas apontados pela entidade \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do sistema prisional do pa\u00eds. As carceragens, centros de triagem, cadeias e penitenci\u00e1rias abrigam quase 500 mil presos, mas o n\u00famero de vagas dispon\u00edveis \u00e9 de 300 mil. Isso mostra que &#8220;a aposta brasileira pela pris\u00e3o como pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 irracional&#8221;, diz a soci\u00f3loga Julita Lemgruber, que foi a primeira mulher a comandar o sistema penitenci\u00e1rio do Rio de Janeiro, na d\u00e9cada de 1990. &#8220;Esse \u00e9 o resultado de uma pol\u00edtica que elegeu o encarceramento como solu\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Daniela Cembranelli, da Defensoria P\u00fablica de SP. O problema n\u00e3o \u00e9 novo e vem se agravando a cada ano, pois a pol\u00edcia vem prendendo cada vez mais e a Justi\u00e7a vem batendo recordes de condena\u00e7\u00f5es. Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, o n\u00famero de presos em todo o Pa\u00eds cresceu cerca de 300%. S\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo, 9.216 presos ingressaram no sistema prisional, entre janeiro e abril de 2012. Em 2011, 9.504 condenados deram entrada nos estabelecimentos penais paulistas &#8211; um n\u00famero suficiente para lotar 12 penitenci\u00e1rias, considerando-se que o padr\u00e3o vigente no sistema \u00e9 de unidades com 768 vagas, em m\u00e9dia. Entre janeiro de 2001 e janeiro de 2012, a popula\u00e7\u00e3o do Estado cresceu 12%, enquanto a popula\u00e7\u00e3o encarcerada dobrou. Em 2008, o governo estadual inaugurou oito novos estabelecimentos penais &#8211; num total de 9.890 vagas. Tr\u00eas anos e meio depois, eles j\u00e1 est\u00e3o superlotados. O\u00a0<a href=\"x-apple-data-detectors:\/\/23\">Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria Pinheiros 4<\/a>, na capital, por exemplo, abriga 1.740 presos onde s\u00f3 cabem 512. O d\u00e9ficit no sistema prisional paulista \u00e9 de cerca de 80 mil vagas. H\u00e1 quatro anos, o governo paulista anunciou um plano para a constru\u00e7\u00e3o de 49 pres\u00eddios, incorporando 39 mil novas vagas ao sistema prisional. Desse total, 7 unidades penais j\u00e1 foram entregues, 16 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o, 7 se encontram em fase de licita\u00e7\u00e3o, 6 ainda est\u00e3o na etapa de defini\u00e7\u00e3o de projeto e desapropria\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e o restante ainda n\u00e3o saiu do papel. Recentemente, o vice-governador Afif Domingos comentou a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de 3 grandes complexos prisionais, para abrigar 3,5 mil presos cada um. Eles seriam constru\u00eddos por PPPs, a administra\u00e7\u00e3o seria privatizada e o estado ficaria com a dire\u00e7\u00e3o geral, guarda de muralhas e transfer\u00eancia de presos. A ideia foi mal recebida por especialistas e pelas pr\u00f3prias autoridades penitenci\u00e1rias. Elas lembraram que o governador Geraldo Alckmin sempre foi contr\u00e1rio \u00e0s grandes pris\u00f5es, por ineficientes, e, al\u00e9m disso, foi quem determinou a implos\u00e3o do complexo do Carandiru, h\u00e1 dez anos. Na realidade, a solu\u00e7\u00e3o do problema do sistema prisional depende da constru\u00e7\u00e3o de pres\u00eddios de porte m\u00e9dio, da aplica\u00e7\u00e3o de penas alternativas, da reformula\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o penal e de melhor entendimento entre o Executivo e o Judici\u00e1rio &#8211; e todas essas medidas demoram tempo para apresentar resultados. Por isso, \u00e9 prov\u00e1vel que o relat\u00f3rio da AI de 2013 volte a criticar o Pa\u00eds, por causa das pris\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia avan\u00e7a, amedronta e custa caro ao DF. Por ano, as despesas relacionadas \u00e0 criminalidade, arcadas pelo Estado, pelo setor privado e pelos cidad\u00e3os, somam impressionantes R$ 8,05 bilh\u00f5es. \u00c9 como se a cada minuto o DF consumisse R$ 15,3 mil por conta dos assaltos, roubos, sequestros e assassinatos. Al\u00e9m de interferir nos or\u00e7amentos p\u00fablico e das fam\u00edlias brasilienses, a inseguran\u00e7a tamb\u00e9m inibe investimentos privados e desaquece o turismo. Os c\u00e1lculos se baseiam em estudo do Ipea, que quantifica o impacto econ\u00f4mico da inseguran\u00e7a. De acordo com a metodologia usada pelo \u00f3rg\u00e3o federal, o custo da viol\u00eancia representa 5% do PIB do pa\u00eds ou de uma unidade da Federa\u00e7\u00e3o. Os c\u00e1lculos feitos por pesquisadores do Grupo de Estudos de Viol\u00eancias contemplam 25 pontos. Em pa\u00edses desenvolvidos, como Canad\u00e1, Jap\u00e3o e Austr\u00e1lia, por exemplo, a viol\u00eancia consome apenas 1% do PIB. Nos Estados Unidos, chega a 2% \u2014 segundo estudos do BID.\u00a0As despesas bilion\u00e1rias associadas \u00e0 inseguran\u00e7a s\u00e3o consideradas desperd\u00edcio pelo economista Daniel Cerqueira, t\u00e9cnico do Ipea e um dos coordenadores da pesquisa. Respons\u00e1vel pela estimativa do PIB do DF no ano passado (R$ 161 bilh\u00f5es), o economista J\u00falio Miragaya diz que o custo da viol\u00eancia tem uma l\u00f3gica perversa. Com o sossego amea\u00e7ado, os brasilienses passaram a inserir itens de seguran\u00e7a nos gastos das fam\u00edlias, turbinando o custo de vida, j\u00e1 considerado um dos mais altos entre os grandes centros urbanos do pa\u00eds. O DF j\u00e1 ostenta a assustadora conta de uma c\u00e2mera de vigil\u00e2ncia para cada cinco habitantes. A quantidade de resid\u00eancias e lojas com sistema de alarme monitorado ultrapassa 16,6 mil. Publicado no\u00a0Correio Braziliense.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alberto Augusto e Dirceu Gravina, agentes da repress\u00e3o durante a Ditadura Militar no Brasil &#8211; subordinados a Ustra e Fleury, ainda trabalham na Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo e v\u00eam sendo investigados pela Comiss\u00e3o da Verdade paulista. 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