{"id":7593,"date":"2014-09-11T01:09:39","date_gmt":"2014-09-11T01:09:39","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/11\/coronel-diz-achar-certo-impor-sofrimento-fisico-para-obter-confissao\/"},"modified":"2014-09-11T01:09:39","modified_gmt":"2014-09-11T01:09:39","slug":"coronel-diz-achar-certo-impor-sofrimento-fisico-para-obter-confissao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/11\/coronel-diz-achar-certo-impor-sofrimento-fisico-para-obter-confissao\/","title":{"rendered":"Coronel diz achar &#8216;certo&#8217; impor &#8216;sofrimento f\u00edsico&#8217; para obter confiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 Comiss\u00e3o da Verdade, Pedro Ivo Mo\u00e9zia negou ter torturado na ditadura.<br \/> Coordenador do grupo diz acreditar que ele n\u00e3o tem &#8216;m\u00e3os sujas de sangue&#8217;.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7592\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/moezia.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>O coronel reformado Pedro Ivo Mo\u00e9zia de Lima, em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade (Foto: Priscilla Mendes\/G1)  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) nesta ter\u00e7a-feira (9), o coronel reformado Pedro Ivo Mo\u00e9zia de Lima, que chefiou interrogat\u00f3rios no Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es e Informa\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo (DOI-Codi\/SP), defendeu o uso de castigo f\u00edsico para obter a confiss\u00e3o de crimes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Voc\u00ea vai me perguntar se est\u00e1 certo voc\u00ea impor sofrimento f\u00edsico a algu\u00e9m para que ele confesse um crime? Eu acho que est\u00e1 certo. Eu apoio que se imponha sofrimento f\u00edsico com a finalidade de se preservar a vida humana&#8221;, afirmou aos integrantes da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Negando que pessoalmente tivesse praticado tortura no per\u00edodo, Mo\u00e9zia disse que havia um &#8220;comando paralelo&#8221; com participa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo e de integrantes das For\u00e7as Armadas destinado a colher informa\u00e7\u00f5es dos presos na d\u00e9cada de 70. O militar disse que n\u00e3o havia ordem superior para castigar presos. &#8220;Institucionalmente n\u00e3o havia tortura. Mas eu imagino que possa ter havido&#8221;, afirmou. &#8220;S\u00f3 um idiota imagina que n\u00e3o haja&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Mo\u00e9zia foi chefe da equipe de interrogat\u00f3rio entre 1970 e 1972, tendo integrado a equipe do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi acusado de ter torturado e assassinado pessoas dentro o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Durante depoimento na sede da Comiss\u00e3o da Verdade, em Bras\u00edlia, o oficial disse que o &#8220;comando paralelo&#8221; tinha seu pr\u00f3prio m\u00e9todo de trabalho. Questionado pelo coordenador da comiss\u00e3o, Pedro Dallari, quais seriam esses m\u00e9todos, o coronel lembrou que os oficiais usavam a express\u00e3o &#8220;trabalhar o preso&#8221;. &#8220;Nisso voc\u00ea pode imaginar um monte de coisa&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s insist\u00eancia do conselheiro, Mo\u00e9zia foi mais claro: &#8220;ningu\u00e9m desconhece que o m\u00e9todo da pol\u00edcia sempre foi esse, de castigo f\u00edsico&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A tarefa de Mo\u00e9zia dentro do DOI-Codi, segundo ele relatou, era colher depoimento dos presos depois de eles terem sido &#8220;trabalhados&#8221; pelos oficiais.\u00a0 Ele repetiu por diversas vezes que n\u00e3o presenciou nem praticou tortura contra os detentos e disse que os presos inclusive gostavam dele.<\/p>\n<p> Em entrevista \u00e0 imprensa ap\u00f3s o depoimento, Mo\u00e9zia justificou sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso haver uma relativiza\u00e7\u00e3o da tortura, porque o bem mais precioso \u00e9 a vida, n\u00e3o \u00e9 a dignidade. Esse neg\u00f3cio de dignidade \u00e9 palha\u00e7ada que o governo inventou. Importante \u00e9 a vida. Se voc\u00ea tem uma informa\u00e7\u00e3o que p\u00f5e em risco a vida de pessoas, voc\u00ea tem que dizer a coisa, meu Deus. Agora, vai me falar em direitos humanos? Voc\u00ea mata um, dois, tr\u00eas, explode meio mundo e na hora que o cara te pega voc\u00ea fala em direitos humanos, em dignidade?&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Ningu\u00e9m batia em ningu\u00e9m&#8217;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na minha equipe, ningu\u00e9m batia em ningu\u00e9m. Eu n\u00e3o permitia que um preso fosse castigado porque eu tinha m\u00e9todos mais persuasivos do que bater. Eu conversava, tratava com humanidade. Os caras se abriam comigo&#8221;, relatou o coronel.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o mostrou ao militar um documento oficial do Ex\u00e9rcito segundo o qual houve 50 mortes dentro do DOI-Codi entre 1970 e 1975 \u2013 o documento foi encontrado pelo grupo no Arquivo Nacional em 2013. Mo\u00e9zia afirmou que a \u00fanica morte que ocorreu durante sua gest\u00e3o foi por problemas card\u00edacos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o somos monstros, somos seres humanos que recebemos miss\u00f5es dif\u00edceis. Ningu\u00e9m tem nervos de a\u00e7o&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Pedro Dallari disse que, em seu depoimento, Mo\u00e9zia reconheceu que havia dentro do DOI-Codi uma &#8220;estrutura paralela voltada para a pr\u00e1tica de graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O coordenador acredita, por\u00e9m, que o coronel n\u00e3o deve ter participado diretamente das pr\u00e1ticas de tortura no local. &#8220;H\u00e1 pessoas com m\u00e3os sujas de sangue e outros n\u00e3o. Ele aparentemente n\u00e3o tem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Apesar de o oficial afirmar n\u00e3o ter conhecimento de epis\u00f3dios de tortura, o coordenador disse que &#8220;n\u00e3o podemos ser ing\u00eanuos em achar que uma pessoa que estava no comando de um lugar desse onde se torturou, se matou, n\u00e3o saiba do que aconteceu&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Comiss\u00e3o da Verdade, Pedro Ivo Mo\u00e9zia negou ter torturado na ditadura. Coordenador do grupo diz acreditar que ele n\u00e3o tem &#8216;m\u00e3os sujas de sangue&#8217;. 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