{"id":7594,"date":"2014-09-11T01:15:35","date_gmt":"2014-09-11T01:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/11\/comissao-da-verdade-culpa-general-da-reserva\/"},"modified":"2014-09-11T01:15:35","modified_gmt":"2014-09-11T01:15:35","slug":"comissao-da-verdade-culpa-general-da-reserva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/11\/comissao-da-verdade-culpa-general-da-reserva\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade culpa general da reserva"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Coordenador Pedro Dallari diz que Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Belham, que dep\u00f4s ontem, participou da execu\u00e7\u00e3o do deputado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>O coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou ontem que o general da reserva do Ex\u00e9rcito Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, de 79 anos, participou da morte do ex-deputado Marcelo Rubens Paiva, durante o regime militar. O oficial era o chefe do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es e Informa\u00e7\u00f5es (DOI-Codi) do Rio de Janeiro na \u00e9poca em que Paiva foi assassinado, em janeiro de 1971, ap\u00f3s ser preso e levado para o local. Belham foi ouvido ontem pela comiss\u00e3o, mas n\u00e3o respondeu \u00e0 maioria das quest\u00f5es em uma audi\u00eancia fechada.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O militar alega n\u00e3o ter participado da morte do ex-deputado porque estava de f\u00e9rias \u00e0 \u00e9poca do desaparecimento. Documentos de altera\u00e7\u00f5es entregue por ele pr\u00f3prio \u00e0 CNV, entretanto, mostram que, mesmo de f\u00e9rias, ele recebeu di\u00e1rias de alimenta\u00e7\u00e3o para trabalhar em \u201cdeslocamento de car\u00e1ter sigiloso\u201d em alguns dias de janeiro de 1971, inclusive no dia 20, 24 horas antes da morte de Paiva. Anota\u00e7\u00f5es em outro documento j\u00e1 divulgado tamb\u00e9m apontam que dois cadernos recolhidos entre os pertences de Rubens Paiva foram entregues a Belham e posteriormente devolvidos. A anota\u00e7\u00e3o de que o militar recebeu os pertences aparece em pap\u00e9is encontrados no fim de 2012 pela Pol\u00edcia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Ex\u00e9rcito Julio Miguel Molinas, j\u00e1 falecido.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade disse que, quando questionado sobre as discrep\u00e2ncias nos documento, o general da reserva se limitou a dizer que n\u00e3o sabia explic\u00e1-las. Para ele, o militar n\u00e3o apresentou provas consistentes de que n\u00e3o estaria envolvido na morte. \u201cEsses dois elementos nos levam a ter convic\u00e7\u00e3o de que Belham esteve presente no Doi-Codi (quando Paiva foi levado ao local e torturado) e poderia nos dar informa\u00e7\u00f5es sobre o que foi feito o corpo (do ex-deputado federal)\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>ARAGUAIA<\/strong> Outro ex-militar ouvido pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade ontem, Carlos Orlando Fonseca de Souza apresentou vers\u00e3o diferente da conhecida sobre o caso de Helenira Rezende, conhecida como F\u00e1tima, guerrilheira morta por militares no Araguaia em setembro de 1972. Procurador-geral do Amap\u00e1, Orlando disse que prestava servi\u00e7o obrigat\u00f3rio ao Ex\u00e9rcito e passou menos de um ano no local. Ainda assim, disse \u00e0 comiss\u00e3o ter recebido informa\u00e7\u00f5es de pessoas que participaram da a\u00e7\u00e3o de que Helenira morreu ainda na floresta ap\u00f3s receber um tiro na perna.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Souza disse que depois de morta, ela teria sido levada a uma casa, alvo de tiros de guerrilheiros. Ele s\u00f3 viu o corpo tr\u00eas dias depois. Dados conhecidos, no entanto, apontam que Helenira foi morta depois ter sido torturada pelos militares durante tr\u00eas dias.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>TORTURA<\/strong> O \u00faltimo depoimento colhido ontem pela comiss\u00e3o foi o do coronel da reserva Pedro Ivo Moezia, que trabalhou no Doi-Codi de S\u00e3o Paulo. Ele tamb\u00e9m trabalhou com o general reformado Carlos Alberto Ustra, entre 1970 e 1974.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O militar reconheceu a exist\u00eancia de uma &#8220;estrutura paralela&#8221; dentro das for\u00e7as armadas para obter informa\u00e7\u00f5es de presos e disse que a Pol\u00edcia Civil praticava &#8220;castigos f\u00edsicos&#8221; contra esquerdistas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Guerrilha do Araguaia (1972-1974) foi implantada pelo PCdoB com o objetivo de formar, com a infiltra\u00e7\u00e3o gradual de militantes armados e integrados \u00e0 comunidade local, uma \u00e1rea militarizada na regi\u00e3o que hoje abrange o Norte do Tocantins e o Sudeste do Par\u00e1. O plano foi descoberto e a guerrilha foi dizimada pelo Ex\u00e9rcito em tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es entre 1972 e 1974.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Carlos Orlando participou de ao menos uma delas. Chefe da equipe de interrogat\u00f3rio e depois da \u00e1rea administrativos do Doi-Codi, Moezia foi subordinado do general reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra no aparato de combate a militantes esquerdistas em S\u00e3o Paulo, entre 1970 a 1974.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A guerrilha do Araguaia, conhecida pelo confronto entre militares e guerrilheiros, foi um dos per\u00edodos mais emblem\u00e1ticos e violentos da ditadura militar no pa\u00eds, que come\u00e7ou com o golpe de 1964 e terminou em 1985, com a posse de Jos\u00e9 Sarney na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coordenador Pedro Dallari diz que Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Belham, que dep\u00f4s ontem, participou da execu\u00e7\u00e3o do deputado O coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou ontem que o general da reserva do Ex\u00e9rcito Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, de 79 anos, participou da morte do ex-deputado Marcelo Rubens Paiva, durante o regime militar. 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