{"id":7616,"date":"2014-09-15T01:32:22","date_gmt":"2014-09-15T01:32:22","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/15\/filme-desmente-versao-do-exercito-sobre-morte-de-estudante-na-ditadura\/"},"modified":"2014-09-15T01:32:22","modified_gmt":"2014-09-15T01:32:22","slug":"filme-desmente-versao-do-exercito-sobre-morte-de-estudante-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/15\/filme-desmente-versao-do-exercito-sobre-morte-de-estudante-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Filme desmente vers\u00e3o do Ex\u00e9rcito sobre morte de estudante na Ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi exibido pela primeira vez nesta sexta-feira (12) no Centro Cultural da Justi\u00e7a Federal no Rio de Janeiro, o document\u00e1rio &#8220;Retratos de Identifica\u00e7\u00e3o&#8221;. Dirigido pela cineasta Anita Leandro, o filme apresenta documentos encontrados no Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro que desmentem a vers\u00e3o oficial do Ex\u00e9rcito de que o estudante de medicina Chael Charles Schreier teria morrido de infarto em decorr\u00eancia de ferimentos sofridos durante uma emboscada policial em novembro de 1969.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7610\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chael_charles_schreier.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"417\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chael_charles_schreier.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/chael_charles_schreier-216x300.jpg 216w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address>Chael Charles Schreier, 23 anos, estudante de medicina da Santa Casa de S\u00e3o Paulo, em foto tirada no momento da pris\u00e3o em 21\/11\/1969 (Acervo do Arquivo Publico do Estado do Rio de Janeiro)<\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 um filme que atualiza um conjunto de material de arquivos, o arquivo \u00e9 o personagem principal&#8221;, destaca a diretora que pretende ampliar a busca sobre documenta\u00e7\u00e3o dos personagens retratados no document\u00e1rio por meio de pesquisas nos arquivos do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o (SNI), no Arquivo Nacional e no Superior Tribunal Militar.\u00a0Al\u00e9m do document\u00e1rio, os arquivos encontrados e os depoimentos colhidos foram expostos no Centro Cultural na mostra Arquivos da Ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/ebc.com.br\/50anosdogolpe\">Acesse o especial 1964: um Golpe na Democracia<\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Entenda o caso Chael Scheirer<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Schreier foi preso no dia 21 de novembro daquele ano em um apartamento da rua Aquidab\u00e3, no Rio de Janeiro junto de Maria Auxiliadora Lara Barcellos, conhecida como Dodora, e seu marido Antonio Roberto Espinosa, comandante da \u00a0Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria (VAR) -Palmares, uma das organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras que lutavam contra o regime militar (1964-1985). Os tr\u00eas foram levados para o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) e de l\u00e1 para a Cia de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Vila Militar, de onde Chael sairia morto no dia 24 daquele m\u00eas, tr\u00eas dias ap\u00f3s sua pris\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira imagens do document\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7611\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/retrato-de-identificacaoiii.jpg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"480\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">(Foto: Acervo do Superior Tribunal Militar) <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">Antonio Roberto Espinosa, comandante da VAR-Palmares preso em 21 de novembro 1969, no Rio de Janeiro, juntamente com Chael Charles Schreier e Maria Auxiliadora Lara Barcellos.<\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma foto encontrada pela cineasta no acervo do Dops mostra Chael sem camisa e revela que ele n\u00e3o tinha nenhum ferimento aparente\u00a0no dia de sua pris\u00e3o. &#8220;Esses negativos vieram a acrescentar mais uma prova e uma prova definitiva a um conjunto de provas documentais que j\u00e1 existiam&#8221;, afirma Anita. O\u00a0<a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/autopsia_chael.pdf\">laudo de necr\u00f3psia<\/a>, realizado no Hospital Central do Ex\u00e9rcito no dia da morte de Chael, constata que o estudante sofreu les\u00f5es enquanto permaneceu sob a responsabilidade dos agentes de repress\u00e3o na Vila Militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os documentos desmentem o relat\u00f3rio do Inqu\u00e9rito Policial Militar (IPM) realizado em 1970 e assinado pelo capit\u00e3o do ex\u00e9rcito, Celso Lauria, apontado como um dos respons\u00e1veis pelo assassinato do estudante.\u00a0&#8220;Houve necessidade do emprego de energia f\u00edsica para a efetiva\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o, resultando da\u00ed as les\u00f5es letais verificadas no corpo do militante&#8221;, diz o texto considerado como vers\u00e3o oficial do Ex\u00e9rcito at\u00e9 a aprenta\u00e7\u00e3o dos documentos encontrador por Anita \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade em janeiro deste ano.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com base na documenta\u00e7\u00e3o encontrada, Anita procurou algumas pessoas envolvidas naqueles eventos para ouvir seus relatos com base no material arquiv\u00edstico. &#8220;O filme tem essa particularidade de ter trazido uma documenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida, principalmente essa foto do Chael, e a outra particularidade \u00e9 essa contesta\u00e7\u00e3o das testemunhas, dos sobreviventes com esse material do passado, com esses vest\u00edgios do passado&#8221; ressalta a diretora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a a leitura do laudo de necr\u00f3psia feito para o document\u00e1rio Retratos de Identifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"<audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_necropsia_v2.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio>&#8220;><audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_necropsia_v2.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Relatos de tortura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das pessoas ouvidas no document\u00e1rio \u00e9 o comandante da VAR-Palmares, Roberto Espinosa, um dos presos na ocasi\u00e3o. Em seu depoimento, ele relata uma sess\u00e3o de tortura feita ao mesmo tempo com os tr\u00eas guerrilheiros presos e acredita que tenha sido naquele dia que Chael sofreu os golpes que o vitimaram. <span class=\"s1\">Ou\u00e7a o \u00e1udio do relato:<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"<audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_spinosa_v1.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio>&#8220;><audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/rec_st_retratos_expo_spinosa_v1.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Desde que chegaram ao Dops, os tr\u00eas integrantes da guerrilha foram submetidos a diversos tipos de tortura, que continuaram depois que eles foram levados para a Vila Militar, conforme relatou Maria Auxiliadora no document\u00e1rio\u00a0&#8220;N\u00e3o \u00e9 hora de chorar&#8221; de Pedro Chaskel e Luiz Sanz. O registro feito em 1971 colheu depoimentos de alguns dos 70 presos pol\u00edticos que chegaram ao Chile em janeiro daquele ano \u00a0ap\u00f3s a troca pelo embaixador sui\u00e7o\u00a0Giovanni Bucher, sequestrado pela guerrilha em dezembro do ano anterior. O depoimento de Dora, uma das 11 mulheres libertadas, foi utilizado no filme de Anita Leandro e na exposi\u00e7\u00e3o Arquivos da Ditadura, realizada no Centro de Cultura da Juti\u00e7a Federal. Ou\u00e7a do depoimento de\u00a0Dodora\u00a0sobre as torturas sofridas por ela em 1969:<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"<audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_dora_v22.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio>&#8220;><audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_dora_v22.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio><\/a><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ex\u00edlio no Chile<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Reinaldo Guarany Sim\u00f5es, militante da Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN) estava entre os presos trocados pelo embaixador sui\u00e7o que foram para o Chile. Foi quando conheceu Dora, com quem viveu nos anos de ex\u00edlio. Com o golpe militar no Chile em 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende, e iniciou os anos de ditadura Pinochet (1973-1990), os exilados brasileiros passam a ser perseguidos no pa\u00eds como terroristas internacionais. Depois de dificuldades o casal conseguiu deixar o pa\u00eds em dire\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico, depois para a B\u00e9lgica, onde permaneceu at\u00e9 fevereiro de 1974 e de l\u00e1 para a Alemanha, onde se estabeleceram como &#8220;ap\u00e1tridas&#8221; na Berlim Ocidental. Ou\u00e7a o relato de Reinaldo para o document\u00e1rio Retratos de Identifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"<audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/rec_st_retratos_expo_reinaldo_v1.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio>&#8220;><audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/rec_st_retratos_expo_reinaldo_v1.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Morte de Dodora<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em Berlim, Dodora conseguiu retomar os estudos em medicina, mas teve problemas psicol\u00f3gicos que a levaram a ser internada em uma cl\u00ednica psiqui\u00e1trica em Spandau. &#8220;Ela sucumbiu, ela n\u00e3o ficou deprimida, ela teve um surto e quebrou a casa de um brasileiro&#8221;, lembra Sim\u00f5es. Em junho de 1976, depois de receber alta, passou a fazer terapia de grupo e preparava a sua licenciatura quando, aos 31 anos, se atirou na frente de um vag\u00e3o de trem na esta\u00e7\u00e3o de Charlottenburg do metr\u00f4 de Berlim. Na v\u00e9spera da morte, ela relatou ao companheiro seguidos pesadelos com persegui\u00e7\u00e3o policial. Ou\u00e7a trecho do depoimento de Reinaldo Sim\u00f5es para o document\u00e1rio Retratos de Identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"<audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/www.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/null\/depov2.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio>&#8220;><audio preload=\"none\" class=\"player2\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/depov2.mp3\" type=\"audio\/mpeg\" width=\"260\" controls=\"controls\"><\/audio><\/a><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi exibido pela primeira vez nesta sexta-feira (12) no Centro Cultural da Justi\u00e7a Federal no Rio de Janeiro, o document\u00e1rio &#8220;Retratos de Identifica\u00e7\u00e3o&#8221;. 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