{"id":7636,"date":"2014-09-22T23:46:30","date_gmt":"2014-09-22T23:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/22\/indios-relatam-perseguicao-na-ditadura-e-pedem-indenizacao-ao-governo\/"},"modified":"2014-09-22T23:46:30","modified_gmt":"2014-09-22T23:46:30","slug":"indios-relatam-perseguicao-na-ditadura-e-pedem-indenizacao-ao-governo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/22\/indios-relatam-perseguicao-na-ditadura-e-pedem-indenizacao-ao-governo\/","title":{"rendered":"\u00cdndios relatam persegui\u00e7\u00e3o na ditadura e pedem indeniza\u00e7\u00e3o ao governo"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O caso de 15 \u00edndigenas da etnia suru\u00ed que teriam sido explorados por militares na busca a guerrilheiros do Araguaia<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7634\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/0e51ae562da2b43fdc9b65b3f47a49fd.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Anistia julgar\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o de quinze ind\u00edgenas da etnia suru\u00ed, do Par\u00e1, que relatam terem sido v\u00edtimas da ditadura. Os \u00edndios contam que foram usados pelos militares durante a Guerrilha do Araguaia, onde o Ex\u00e9rcito enfrentou guerrilheiros do PCdoB, entre 1972 a 1975, no sul do Par\u00e1. Eles foram usados pelas tropas como guias nas matas, para se chegar ao paradeiro dos guerrilheiros, mas afirmam que eram obrigados a esse trabalho e que sofreram maus tratos, tortura e ficavam sem comida e \u00e1gua, al\u00e9m de impedidos de dormir.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEm sua ingenuidade, foram obrigados a trabalhar para as tropas, abandonando suas fam\u00edlias, suas ro\u00e7as, a ca\u00e7a, sua cultura e seu modo de vida, Al\u00e9m de trabalharem por mais de dois anos para os militares, tiveram sua cultura totalmente desrespeitada, foram proibidos de gerar filhos, pois foram amea\u00e7ados de, em caso de crian\u00e7as provocarem barulhos, seriam enterradas vivas. Andavam o dia todo com muito peso nas costas e \u00e0 noite eram impedidos de dormir, isto \u00e9, podiam dormir desde que sentados para vigiar o acampamento dos soldados. Eram constantemente maltratados e humilhados com gritos e empurr\u00f5es, comiam apenas uma vez por dia e \u00e0 noite, por n\u00e3o poderem fazer fogo, se alimentavam de jab\u00e1 cru com farinha. Muitas vezes ficavam sem mantimentos esperando que fossem jogados pelos helic\u00f3pteros\u201d, relata o grupo de \u00edndios no pedido protocolado na Comiss\u00e3o de Anistia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A aldeia dos suru\u00ed se mant\u00e9m at\u00e9 hoje na terra ind\u00edgena Soror\u00f3, em S\u00e3o Domingos do Araguaia. No pedido \u00e0 comiss\u00e3o, os ind\u00edgenas, alguns deles ainda analfabetos, equiparam \u00e0s condi\u00e7\u00f5es as quais eram submetidos \u00e0s de escravos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAs a\u00e7\u00f5es militares foram criminosas quando exploraram incapazes como escravos e quase destru\u00edram sua cultura e a perpetua\u00e7\u00e3o da etnia. Como se expressam mal, transmitem muito menos do que realmente foi seu sofrimento\u201d, argumentam seus advogados, no pedido \u00e0 comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Relatos desses \u00edndios ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1, em maio de 2013, foram anexados aos processos:<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA\u00ed chegaram os militares. Ficamos l\u00e1 na aldeia uma hora dessa assim. Era de manh\u00e3. Escutamos aquela zoada de helic\u00f3ptero. Dois deles. Ficamos sentados. Todo \u00edndio gosta de esquentar de manh\u00e3. A\u00ed assuntemos aquela zoada t\u00ea t\u00ea t\u00ea. E avi\u00e3o ainda por cima. Minha irm\u00e3 quase desmaiando, ela ficou tremendo\u201d, relatou Waimera Suru\u00ed. \u201cN\u00f3s \u00e9ramos alimentados com m\u00e3o cheia de farinha uma vez por dia e amea\u00e7ados o tempo inteiro com armas\u201d, contou \u00e0 Procuradoria Taw\u00e9 Suru\u00ed.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os ind\u00edgenas contam que os guerrilheiros eram apresentados a eles pelos militares como bandidos. \u201cEra amea\u00e7a o tempo inteiro, com armas apontadas. Fomos enganados\u201d, relata Umassu Suru\u00ed.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO pessoal do Ex\u00e9rcito come\u00e7ou a judiar, me deram tanta coronhada de espingarda na minha costela, em todo lado. E eu n\u00e3o queria andar com eles, mas diziam que eu era obrigado porque era \u00edndio\u201d, afirmou Eg\u00eddio Tibacu Suru\u00ed.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7635\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/007d23c949e423c08de699a9bd536f5b.jpg\" border=\"0\" width=\"630\" height=\"354\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/007d23c949e423c08de699a9bd536f5b.jpg 630w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/007d23c949e423c08de699a9bd536f5b-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndios pedem indeniza\u00e7\u00e3o mensal \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistia, al\u00e9m de valores retroativos. Eles argumentam que suas atividades de subsist\u00eancia eram uma atividade laboral. Assim, tiveram seus trabalhos interrompidos e, por isso, querem receber uma presta\u00e7\u00e3o mensal, al\u00e9m de contagem do tempo de persegui\u00e7\u00e3o para efeitos de aposentadoria.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o, afirmou que hoje a maior ac\u00famulo de informa\u00e7\u00f5es para julgar eventuais persegui\u00e7\u00f5es a camponeses e ind\u00edgenas que foram explorados pelos militares no Araguaia e que s\u00e3o processos bem diferentes dos perseguidos pol\u00edticos urbanos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que se trata de um caso dif\u00edcil, no qual temos que levar em conta meios de prova distintos dos usuais perseguidos nos centros urbanos, valorizando-se a hist\u00f3ria oral e a diversidade de meios repressivos que a ditadura implementou no campo e nas regi\u00f5es de florestas. \u00c9 chegada a hora de reconhecermos a hist\u00f3ria do Brasil desses lugares percebendo o protagonismo de todo o povo brasileiro como um povo vitimado e resistente com a ditadura militar \u2014 disse Paulo Abr\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje, apenas um ind\u00edgena, Tiur\u00e9 Potiguara, foi anistiado e recebeu indeniza\u00e7\u00e3o do governo. Ele foi perseguido, preso e torturado e lutou pelos direitos ind\u00edgenas. Sua anistia foi aprovada em 2013. O caso dos suru\u00ed est\u00e1 sendo analisado tamb\u00e9m pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O GLOBO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso de 15 \u00edndigenas da etnia suru\u00ed que teriam sido explorados por militares na busca a guerrilheiros do Araguaia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7636"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7636\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}