{"id":7643,"date":"2014-09-25T02:41:04","date_gmt":"2014-09-25T02:41:04","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/25\/vitimas-da-ditadura-eram-obrigadas-a-ajudar-militares-que-atuavam-na-casa-azul\/"},"modified":"2014-09-25T02:41:04","modified_gmt":"2014-09-25T02:41:04","slug":"vitimas-da-ditadura-eram-obrigadas-a-ajudar-militares-que-atuavam-na-casa-azul","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/09\/25\/vitimas-da-ditadura-eram-obrigadas-a-ajudar-militares-que-atuavam-na-casa-azul\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas da ditadura eram obrigadas a ajudar militares que atuavam na Casa Azul"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO caso da Casa Azul foi muito impressionante porque, provavelmente, foi o maior centro clandestino [que existiu]\u201d, relata a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Helo\u00edsa Starling. A especialista coordenou as pesquisas sobre os centros de tortura existentes durante o per\u00edodo militar e espalhados pelo pa\u00eds. Os estudos mostram que a casa localizada no sudeste do Par\u00e1 n\u00e3o era um simples centro de interrogat\u00f3rios. \u201cTem uma coisa interessant\u00edssima: o tempo todo voc\u00ea tem um observador militar do Planalto, dentro da Casa Azul. Isso mostra a liga\u00e7\u00e3o direta com o Alto Comando [das For\u00e7as Armadas]\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7642\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/casa_azul_maraba.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"533\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/casa_azul_maraba.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/casa_azul_maraba-169x300.jpg 169w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em Marab\u00e1, al\u00e9m da Casa Azul, eram utilizados mais dois im\u00f3veis: a sede do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e um pres\u00eddio militar. Em S\u00e3o Domingos do Araguaia estava localizado o pres\u00eddio da Bacaba onde era feita a triagem dos camponeses suspeitos. Dali, alguns seguiam para a Casa Azul.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Alto Comando em Bras\u00edlia provavelmente soube o que se passou com o soldado Manuel Messias Guido Ribeiro. Ele foi recrutado pelo Ex\u00e9rcito para servir na \u201cguerra contra comunistas\u201d, mas tinha pena dos prisioneiros. Manuel conta que tamb\u00e9m foi torturado, o que era chamado, pelos militares, de treinamento, para que ele se brutalizasse e esquecesse da dignidade dos detentos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O \u201ctreinamento\u201d de Guido, entretanto, n\u00e3o surtiu o efeito esperado. Ele conta que levou \u00e1gua e comida para os torturados em muitas noites e que n\u00e3o participou de nenhuma sess\u00e3o de tortura, pois apenas os chamados \u201cdoutores\u201d estavam autorizados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na casa abandonada, as mem\u00f3rias de Guido Ribeiro foram retornando aos poucos. Durante os relatos \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em meados de setembro deste ano, ele suava de calor, mas tamb\u00e9m de nervosismo, causado pelas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAqui tinha mais presos do que poderia caber numa cela. Eram torturados. O que o senhor pensar de tortura que pode ser feita, foram feitas. Choques, colocava [a pessoa] em cima de duas latinhas e dava choque nas latas. Tinha at\u00e9 uma m\u00fasica, horr\u00edvel, n\u00e3o consigo esquecer aquela desgra\u00e7a\u201d, lembra chorando. \u201c\u00c9 torturante. A m\u00fasica era assim: &#8216;era um tal de mexe-mexe, era um tal de pula- pula, quem t\u00e1 em cima n\u00e3o cai, quem t\u00e1 embaixo segura&#8217;. E davam o choque.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s seis anos, Guido foi dispensado de servir os militares. Alguns dos homens que ele viu sofrer na Casa Azul morreram, e seus corpos seguiram para um local em que eram enterrados clandestinamente a mando dos militares. Nesse local, hoje, funciona o Cemit\u00e9rio da Saudade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os irm\u00e3os Ivan Jorge Dias e Ivaldo Jos\u00e9 Dias carregaram, entre os anos de 72 e 73, o peso de corpos inocentes para l\u00e1. Os irm\u00e3os tamb\u00e9m foram v\u00edtimas de tortura e eram obrigados a fazer o servi\u00e7o. Retornar ao cemit\u00e9rio com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade foi, para eles, mais um ato de coragem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ivaldo segurou o choro enquanto mostrava os locais onde possivelmente estariam enterrados alguns corpos da guerrilha que passaram pela Casa Azul. \u201cMe d\u00e1 vontade de chorar, sinceramente. Eu estou me segurando para n\u00e3o chorar de tristeza do que eu passei aqui nessa regi\u00e3o, na \u00e9poca. Eu n\u00e3o estou bem n\u00e3o, mas, perto daquela \u00e9poca e do que eu passei, estou superado, gra\u00e7as a Deus.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os sobreviventes ainda hoje sentem muito medo e aguardam uma repara\u00e7\u00e3o pelos danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos por parte do governo brasileiro. Enquanto isso, convivem diariamente com pesadelos e noites mal dormidas nas quais revivem as ang\u00fastias pelas quais passaram.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">:: Amanh\u00e3 (25), na terceira e \u00faltima reportagem da s\u00e9rie especial sobre a Casa Azul, a rep\u00f3rter Ma\u00edra Heinen conta que todos os sobreviventes que deram depoimentos para a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade durante a visita ao local citaram o nome Sebasti\u00e3o Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curi\u00f3, como um dos principais torturadores. Curi\u00f3 nunca aceitou prestar esclarecimentos \u00e0 comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO caso da Casa Azul foi muito impressionante porque, provavelmente, foi o maior centro clandestino [que existiu]\u201d, relata a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Helo\u00edsa Starling. A especialista coordenou as pesquisas sobre os centros de tortura existentes durante o per\u00edodo militar e espalhados pelo pa\u00eds. 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