{"id":7660,"date":"2014-10-02T02:20:17","date_gmt":"2014-10-02T02:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/10\/02\/ditadura-planejou-bombardear-praca-em-goiania\/"},"modified":"2014-10-02T02:20:17","modified_gmt":"2014-10-02T02:20:17","slug":"ditadura-planejou-bombardear-praca-em-goiania","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/10\/02\/ditadura-planejou-bombardear-praca-em-goiania\/","title":{"rendered":"Ditadura planejou bombardear pra\u00e7a em Goi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Militar revela que \u00e1rea em que se reuniam 10 mil pessoas em Goi\u00e2nia seria atacada se governador n\u00e3o renunciasse<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/abapmauro.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Paulo Rubens Diniz disse que o atentado foi suspenso 15 minutos antes da hora prevista para ocorrer   <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O coronel da reserva Paulo Rubens Pereira Diniz dep\u00f4s nessa ter\u00e7a-feira \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), em Belo Horizonte, e revelou que foi enviado pelo Batalh\u00e3o da Guarda Presidencial (BGP), onde estava lotado, em novembro de 1964, para ir at\u00e9 Goi\u00e2nia bombardear a Pra\u00e7a C\u00edvica, em frente ao pal\u00e1cio do governo, em que estavam reunidas cerca de 10 mil pessoas apoiando o ent\u00e3o governador Mauro Borges (PSD). O chefe do Executivo sofria forte oposi\u00e7\u00e3o do governo militar \u2013 que havia dado o golpe em 31 de mar\u00e7o daquele ano \u2013 e renunciou ao cargo.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuinze minutos antes do momento de bombardearmos (a pra\u00e7a), a ordem foi suspensa, com a ren\u00fancia do governador\u201d, contou o militar, que se disp\u00f4s a depor<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">voluntariamente. Al\u00e9m do coronel da reserva, outros nove agentes da repress\u00e3o e pessoas acusadas de serem ligadas a grupos da extrema direita foram convocados pela CNV, mas apenas dois compareceram. O depoimento do coronel Diniz surpreendeu Pedro Dallari e Jos\u00e9 Carlos Dias, os dois membros da CNV que fizeram as perguntas. Dallari comparou o fato \u00e0 tentativa de atentado no Riocentro, em 1981.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Em 1964, o coronel Diniz era tenente e trabalhava no BGP, respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do presidente Castello Branco. Obedecendo a uma ordem do general Carlos de Meira Mattos \u2013 que sucedeu Mauro Borges no governo de Goi\u00e1s \u2013, Diniz foi enviado a Goi\u00e2nia e preparou o arsenal para bombardear a pra\u00e7a. \u201cEu teria cumprido a ordem\u201d, afirmou o militar.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">A press\u00e3o sofrida na \u00e9poca, segundo ele, o levou a ter problemas de sa\u00fade. \u201cIsso abala qualquer um\u201d, afirmou. Al\u00e9m disso, o militar afirma que epis\u00f3dios em que contrariou os militares que estavam no poder contribu\u00edram para que ele n\u00e3o conseguisse evoluir na carreira. \u201cN\u00e3o consegui fazer o curso do Estado-Maior\u201d, lamentou. Ele citou um epis\u00f3dio, em 1966, em que inocentou um morador de Lavras que era acusado de ser comunista, e outro, em 1968, em que levou religiosos presos no Col\u00e9gio Militar, em Belo Horizonte, para passar o Natal na casa dele e depois contribuiu para que fossem soltos. O militar manifestou que deseja ser anistiado pelo que passou, mas ainda n\u00e3o fez o pedido ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ter atuado em Belo Horizonte, Diniz foi comandante em Alto Solim\u00f5es, no Amazonas, onde treinou uma tropa de ind\u00edgenas para combater os chamados \u201csubversivos\u201d, que se organizavam na Regi\u00e3o do Araguaia em movimento que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia, quando os guerrilheiros foram dizimados pelo Ex\u00e9rcito Brasileiro. Por\u00e9m, Diniz afirma que n\u00e3o participou de combate com os militantes.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O segundo tenente do Ex\u00e9rcito Jair Arvelos Rosa, que em 1968 e 1969 trabalhou como escriv\u00e3o no 12\u00ba RI tamb\u00e9m prestou depoimento e negou qualquer envolvimento com tortura de militantes. Jair teve o nome citado no dossi\u00ea Brasil Nunca Mais por militantes que afirmam ter sido torturados por ele. Por\u00e9m, acompanhado de um advogado, ele negou a participa\u00e7\u00e3o e disse que apenas datilografava os depoimentos dos presos. \u201cPor que meu nome saiu como torturador? E como eu retiro meu nome de l\u00e1?\u201d, questionou Jair.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Outro que prestou depoimento foi o advogado Jacob Lopes M\u00e1ximo, que teria participado de um atentado no Show Medicina, em 1965, realizado no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o, em Belo Horizonte, quando uma ampola de \u00e1cido brom\u00eddrico foi jogada no palco e acertou pessoas na plateia. Jacob alegou que era um apoiador do ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e que o show era uma cr\u00edtica ao pol\u00edtico. Por isso, segundo ele, alguns o relacionaram ao atentado. Jacob negou participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Volta \u00e0s salas de tortura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 dessa ter\u00e7a-feira, representantes da CNV e quatro militantes que foram torturados no 12\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria (que at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970 era chamado de 12\u00ba Regimento de Infantaria) visitaram o local e fizeram um reconhecimento das salas e celas. \u201cA CNV n\u00e3o processa nem julga e tem que fazer apura\u00e7\u00e3o criteriosa dos fatos, das circunst\u00e2ncias e dos locais onde ocorreram as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u201d, explicou o coordenador da CNV, Pedro Dallari.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico Carlos Valadares, que militou na A\u00e7\u00e3o Popular (AP), reconheceu alguns locais de tortura e expressou, na sa\u00edda, a sensa\u00e7\u00e3o que teve: \u201c\u00c9 sentimento de que o Brasil est\u00e1 mudando. Quando estive aqui em julho de 1969, eu fui violentamente torturado\u201d, recordou. O 12\u00ba BI \u00e9 um dos sete locais das For\u00e7as Armadas usados para tortura. A CNV prepara um relat\u00f3rio com os detalhes dos locais, v\u00edtimas e torturadores, que dever\u00e3o estar pronto em 10 de dezembro. Em 16 de dezembro, a CNV encerra as atividades. Al\u00e9m desse, um outro documento, com os centros clandestinos de tortura, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo preparado.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Militar revela que \u00e1rea em que se reuniam 10 mil pessoas em Goi\u00e2nia seria atacada se governador n\u00e3o renunciasse Paulo Rubens Diniz disse que o atentado foi suspenso 15 minutos antes da hora prevista para ocorrer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7660"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}