{"id":7662,"date":"2014-10-02T13:28:23","date_gmt":"2014-10-02T13:28:23","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/10\/02\/comissao-da-verdade-vai-revelar-medicos-que-ajudaram-presos-politicos\/"},"modified":"2014-10-02T13:28:23","modified_gmt":"2014-10-02T13:28:23","slug":"comissao-da-verdade-vai-revelar-medicos-que-ajudaram-presos-politicos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/10\/02\/comissao-da-verdade-vai-revelar-medicos-que-ajudaram-presos-politicos\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade vai revelar m\u00e9dicos que ajudaram presos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que m\u00e9dicos atuaram em pr\u00e1ticas de tortura durante o regime militar, equipes de\u00a0 sa\u00fade agiram em hospitais, e at\u00e9 clandestinamente, para atender v\u00edtimas de tortura,\u00a0 perseguidos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias. Listar quem s\u00e3o os profissionais que colaboraram com a ditadura e aqueles que se organizaram para atender quem precisava de cuidados m\u00e9dicos \u00e9 o que a Comiss\u00e3o da Verdade da Reforma Sanit\u00e1ria (CVRS) busca trazer \u00e0 tona.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/sindcomerciarios.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/comissc3a3o-da-verdade1.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para investigar a atua\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade, a CVRS lan\u00e7ou hoje (29) o n\u00facleo da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), que se somar\u00e1 aos demais oito n\u00facleos espalhados pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A funda\u00e7\u00e3o, refer\u00eancia para m\u00e9dicos sanitaristas em todo o pa\u00eds, foi v\u00edtima da interven\u00e7\u00e3o militar e ficou marcada pelo epis\u00f3dio chamado Massacre de Manguinhos. Na ocasi\u00e3o, em 1970, no Rio de Janeiro, dez pesquisadores foram aposentados compulsoriamente. Eles faziam oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura e acredita-se que tenham sido denunciados pelos pr\u00f3prios colegas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando foi feito um trabalho sobre os banidos de Manguinhos e a volta deles, falaram como se fosse uma coisa abstrata, como se a ditadura tivesse vindo aqui, entrado, s\u00f3 que teve um trabalho interno. Provavelmente algu\u00e9m que fez uma lista e apresentou aos generais os &#8216;comunistas&#8217;\u201d, disse a presidenta da comiss\u00e3o, Anamaria Tambellini. Por meio de pesquisas em documentos da Fiocruz e do Arquivo Nacional, ela espera encontrar respostas. Muitas testemunhas desse epis\u00f3dio, lamenta, est\u00e3o mortas e outras \u201cdesconversam\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A CVRS tamb\u00e9m investiga as redes de profissionais de sa\u00fade organizadas para atender perseguidos pol\u00edticos. No Rio, informa\u00e7\u00f5es iniciais indicam o funcionamento de tr\u00eas delas . \u201cEram m\u00e9dicos que reuniam-se, alguns at\u00e9 militantes, para atender gente\u00a0 machucada ou doente da guerrilha, com febre tifoide e mal\u00e1ria, por exemplo, e seus familiares. Eles [a rede] encontravam lugares para as pessoas fazerem exames e serem atendidas at\u00e9 em hospitais\u201d, disse Anamaria.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A participa\u00e7\u00e3o de agentes de sa\u00fade em pr\u00e1ticas de tortura e morte \u00e9 outro tema da comiss\u00e3o. O desafio \u00e9 encontrar os prontu\u00e1rios de ativistas que passaram por hospitais militares, como o Hospital Central do Ex\u00e9rcito, no Rio, onde morreu o ativista Raul Amaro Nin por espancamento ap\u00f3s um interrogat\u00f3rio.\u00a0 Mais seis ativistas contam hist\u00f3rias semelhantes. O Ex\u00e9rcito, no entanto, argumenta que os documentos n\u00e3o existem mais, segundo a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, que esteve na unidade, com as v\u00edtimas, na semana passada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para comprovar e registrar os casos, a principal estrat\u00e9gia ser\u00e1 tomada de depoimentos. Apesar de muitas testemunhas estarem em idade avan\u00e7ada, a presidenta\u00a0 apela por relatos, que podem ser dados no site da comiss\u00e3o. Segundo, Umberto Trigueiro, que integra o n\u00facleo da Fiocruz, somente agora as pessoas come\u00e7am a superar traumas e a ganhar confian\u00e7a para contar suas vers\u00f5es sobre a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 neste momento tamb\u00e9m, com grande dificuldade, que as comiss\u00f5es da verdade est\u00e3o tendo acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es militares, indo fazer reconhecimento dos locais de onde pessoas desapareceram ou foram v\u00edtimas de tortura, segundo os relatos hist\u00f3ricos\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante o lan\u00e7amento do n\u00facleo, o\u00a0 pesquisador e ex-diretor da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica S\u00e9rgio Arouca (Ensp), da Fiocruz, o m\u00e9dico Ant\u00f4nio Ivo de Carvalho relatou sua pris\u00e3o. \u201cEra in\u00edcio dos anos 1970, a ditadura endurecia \u00e0 medida que aumentava a resist\u00eancia\u201d, disse. \u201cEu sou dessa \u00e9poca, quando movimentos estudantis de todo o mundo sa\u00edram \u00e0s ruas por mais direitos . Fui preso com mais de 12 alunos da Faculdade de Medicina, [da Universidade Federal do Rio de Janeiro] e fiquei seis meses no DOI-Codi [Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna]\u201d, revelou. No DOI-Codi vigoraram as pr\u00e1ticas mais duras de tortura no estado, como o pau de arara, pelo qual passou Ant\u00f4nio Ivo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A previs\u00e3o da CVRS \u00e9 estender os trabalhos em 2015, mesmo ap\u00f3s o fim previsto das atividades da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que entrega relat\u00f3rio final com recomenda\u00e7\u00f5es ao governo brasileiro em dezembro de 2014, conforme prev\u00ea a lei que criou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da mesma forma que m\u00e9dicos atuaram em pr\u00e1ticas de tortura durante o regime militar, equipes de\u00a0 sa\u00fade agiram em hospitais, e at\u00e9 clandestinamente, para atender v\u00edtimas de tortura,\u00a0 perseguidos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias. 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