{"id":7736,"date":"2014-11-24T12:16:49","date_gmt":"2014-11-24T12:16:49","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/11\/24\/encontro-internacional-sobre-impacto-da-ditadura-reune-especialistas-na-capital\/"},"modified":"2014-11-24T12:16:49","modified_gmt":"2014-11-24T12:16:49","slug":"encontro-internacional-sobre-impacto-da-ditadura-reune-especialistas-na-capital","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/11\/24\/encontro-internacional-sobre-impacto-da-ditadura-reune-especialistas-na-capital\/","title":{"rendered":"Encontro internacional sobre impacto da ditadura re\u00fane especialistas na Capital"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O desejo de repara\u00e7\u00e3o das sequelas causadas pelos atos de viol\u00eancia cometidos na ditadura militar marcaram a abertura do Encontro Internacional Di\u00e1logos e Formas de Interven\u00e7\u00f5es no Campo da Viol\u00eancia de Estados Ditatoriais, que teve in\u00edcio nesta sexta-feira (14), no Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.relinter.rs.gov.br\/upload\/HD_20141114224732gd_20141114204746ditadura0406lo141114.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address \/>Programa\u00e7\u00e3o do evento, que come\u00e7ou nesta sexta-feira, continua s\u00e1bado &#8211; Foto: Leandro Os\u00f3rio\/Especial Pal\u00e1cio Piratini  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O evento reuniu especialistas do Brasil, Uruguai e Argentina em um debate sobre as maneiras de promover a restaura\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, moral e ps\u00edquica daqueles afetados durante os anos de repress\u00e3o no Cone Sul. A atividade \u00e9 resultado da parceria entre o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e a Comiss\u00e3o de Anistia, a Assessoria de Coopera\u00e7\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Acri), o Memorial do Rio Grande do Sul, a Sigmund Freud Associa\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica do RS (SIG) e a Projetos Terap\u00eauticos RJ.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O vice-presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Jose Carlos Moreira da Silva Filho, parabenizou a iniciativa. \u201c\u00c9 atrav\u00e9s dos testemunhos e das narrativas pessoais que temos a condi\u00e7\u00e3o de nos sensibilizar politicamente. Este projeto representa a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o ps\u00edquica que \u00e9 fundamental para que a sociedade aprenda com as utopias e sonhos que foram rompidos pela viol\u00eancia institucional\u201d, avaliou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o coordenador da Acri, Tarson Nu\u00f1ez, o resgate de traumas individuais \u00e9 uma forma de construir a mem\u00f3ria coletiva sobre a democracia. \u201cTodos que foram v\u00edtimas da ditadura ainda sofrem com as consequ\u00eancias. Temos que acabar com a \u00a0heran\u00e7a da viol\u00eancia que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje, principalmente com a popula\u00e7\u00e3o pobre. \u00c9 necess\u00e1rio e \u00e9 poss\u00edvel punir os crimes contra a humanidade, pois eles somente ser\u00e3o evitados no futuro se conseguirmos fazer um ajuste de contas com o passado\u201d, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a cerim\u00f4nia inicial, a artista Rita Maur\u00edcio apresentou um fragmento do mon\u00f3logo &#8220;Para sempre poesia&#8221;, que fala sobre a vida de seus pais, o poeta e ex-preso pol\u00edtico Jos\u00e9 Luiz Maur\u00edcio e a artista pl\u00e1stica e bonequeira Seli Maur\u00edcio. A pe\u00e7a remonta aos momentos de ang\u00fastia da experi\u00eancia vivida nos anos de persegui\u00e7\u00e3o e c\u00e1rcere por meio de uma performance carregada de sentimentos e intensidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, foi realizada a primeira mesa do encontro, \u201cContexto hist\u00f3rico da viol\u00eancia de Estado no Cone Sul\u201d. As atividades ter\u00e3o continuidade neste s\u00e1bado (15), no mesmo local. (<a href=\"http:\/\/www.estado.rs.gov.br\/conteudo\/206898\/governo-promove-evento-sobre-o-impacto-da-violacao-aos-direitos-humanos-na-ditadura\">Clique aqui<\/a> para conferir a programa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m estavam presentes a secret\u00e1ria estadual da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos, Ju\u00e7ara Dutra, a assessora de rela\u00e7\u00f5es internacionais Norma Esp\u00edndola, o presidente da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, Carlos Guazzelli, a c\u00f4nsul-geral do Uruguai, Karla Beszkidnyak, a presidente da SIG, Sissi Vigil Castiel, entre outras autoridades.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Modelo argentino \u00e9 exemplo<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos destaques entre os convidados, o subsecret\u00e1rio de Direitos Humanos da Argentina, Luis Al\u00e9n, ressaltou a import\u00e2ncia de refletir sobre o processo de mem\u00f3ria com os diferentes atores da regi\u00e3o. \u201cAssim vemos em que etapa estamos, que desafios temos e como\u00a0 podemos seguir avan\u00e7ando regionalmente neste tema chave para o fortalecimento da democracia\u201d disse, informando que em seu pa\u00eds exitem in\u00fameros espa\u00e7os de mem\u00f3ria e que, atualmente, 25 casos relacionados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o Condor est\u00e3o sendo investigados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o assuntos que requerem tempo, discuss\u00e3o social, organiza\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade, e \u00e9 muito importante pens\u00e1-los como um processo racional, onde os pa\u00edses v\u00e3o aprendendo uns com os outros\u201d, completou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o secret\u00e1rio-executivo do Instituto de Pol\u00edticas P\u00fablicas de Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH) e membro da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Victor Abramovich, essa \u00e9 uma luta que nunca termina. \u201cCostumamos compar\u00e1-la a parar \u00e0 frente da linha do horizonte: quanto mais se caminha, mais longe fica. Temos uma hist\u00f3ria de viola\u00e7\u00f5es grav\u00edssimas no Cone Sul que deixaram consequ\u00eancias terr\u00edveis. Na Argentina, em 2013 o processo de julgamento resultou em mais de 560 condenados, al\u00e9m de termos uma s\u00e9rie de programas de assist\u00eancia origin\u00e1rios de uma decis\u00e3o pol\u00edtica por conta da press\u00e3o de movimentos que nunca desistiram da justi\u00e7a, como as Av\u00f3s e M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O diretor do Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, M\u00e1rcio Tavares dos Santos, falou sobre o processo de concep\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. \u201cQuando recebemos o aval do bloco para a cria\u00e7\u00e3o do museu, fizemos uma miss\u00e3o \u00e0 Argentina para conhecer seu trabalho de resgate da mem\u00f3ria, justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um exemplo para todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Nosso espa\u00e7o busca atuar como um articulador de a\u00e7\u00f5es para superar o legado da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cl\u00ednicas do Testemunho<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o, foi lan\u00e7ado o livro\u00a0&#8220;Cl\u00ednicas do Testemunho: repara\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias&#8221;, resultado de dois anos de estudos com v\u00edtimas do regime feitos pela SIG em parceria com a Projetos Terap\u00eauticos RJ e em conv\u00eanio com o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a\/Comiss\u00e3o de Anistia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O projeto visa proporcionar escuta e devolver voz \u00e0queles que tiveram suas vidas afetadas pela viol\u00eancia estatal em um regime de exce\u00e7\u00e3o. As pr\u00e1ticas institu\u00eddas de tortura, pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, mortes e desaparecimentos for\u00e7ados permanecem produzindo efeitos na sociedade enquanto permanecerem ocultadas, desconhecidas e impunes e, por isso, o programa se estende ao \u00e2mbito do individual ao social.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os trabalhos apresentados neste livro apontam para a complexidade do tema da repara\u00e7\u00e3o ps\u00edquica a partir do trauma e do testemunho, e a dupla face que o horror da viol\u00eancia gera. Todos esses elementos refor\u00e7am a lembran\u00e7a para que a luta pela justi\u00e7a continue&#8221;, afirmou a coordenadora do Cl\u00ednicas, B\u00e1rbara Conte.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; rs.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desejo de repara\u00e7\u00e3o das sequelas causadas pelos atos de viol\u00eancia cometidos na ditadura militar marcaram a abertura do Encontro Internacional Di\u00e1logos e Formas de Interven\u00e7\u00f5es no Campo da Viol\u00eancia de Estados Ditatoriais, que teve in\u00edcio nesta sexta-feira (14), no Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre. \u00a0 Programa\u00e7\u00e3o do evento, que come\u00e7ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7736"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}