{"id":7749,"date":"2014-12-01T10:53:22","date_gmt":"2014-12-01T10:53:22","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/01\/delfim-netto-decidiu-cassacao-de-mario-covas-durante-a-ditadura-revela-fhc\/"},"modified":"2016-02-07T23:04:33","modified_gmt":"2016-02-07T23:04:33","slug":"delfim-netto-decidiu-cassacao-de-mario-covas-durante-a-ditadura-revela-fhc","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/01\/delfim-netto-decidiu-cassacao-de-mario-covas-durante-a-ditadura-revela-fhc\/","title":{"rendered":"Delfim Netto decidiu cassa\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Covas durante a ditadura, revela FHC"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ex-presidente diz que viu militantes torturados nos por\u00f5es e que teve coragem e ousadia de denunciar o arb\u00edtrio ao pr\u00f3prio regime quando \u201cpouca gente dava a cara a bater\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7746\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/0z3ylwfpfywweng8h7q030tsh.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resgatou as notas taquigr\u00e1ficas da hist\u00f3rica reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional (CSN) de 1969 para afirmar que o ex-ministro da Fazenda, Ant\u00f4nio Delfim Netto, foi decisivo na cassa\u00e7\u00e3o do ex-governador M\u00e1rio Covas, que na \u00e9poca era deputado federal.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7747\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/2uv32wmjy0g7k4ni3pc6sqxok.jpg\" border=\"0\" width=\"652\" height=\"408\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/2uv32wmjy0g7k4ni3pc6sqxok.jpg 652w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/2uv32wmjy0g7k4ni3pc6sqxok-300x188.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/2uv32wmjy0g7k4ni3pc6sqxok-436x272.jpg 436w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">General Costa e Silva \u00e9 empossado na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1967. Foto: Arquivo\/Ag\u00eancia Senado<\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEle participou da decis\u00e3o. E a opini\u00e3o dele dizendo que M\u00e1rio Covas era socialista foi importante na decis\u00e3o de Costa e Silva\u201d, diz FHC, no final de uma hora e oito minutos de depoimento gravado em \u00e1udio e v\u00eddeo pela CNV, na tarde de quarta-feira, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ex-presidente lembra que, ao se deparar com o nome de Covas na lista de parlamentares submetida ao extinto Conselho, o pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica, general Artur da Costa e Silva, resistiu \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o argumentando que era religioso, conhecia Covas e, at\u00e9 onde sabia, n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00f5es de que estivesse envolvido com comunistas ou subvers\u00e3o &#8211; \u201cera bom mo\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para atenuar o ato, diante de outras opini\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o, o general chegou a sugerir que fosse tirado o mandato de Covas, mas n\u00e3o os direitos pol\u00edticos. As notas taquigr\u00e1ficas, segundo FHC, registram que logo em seguida houve a seguinte interven\u00e7\u00e3o de Delfim.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia-2\/\">Delfim Netto diz que n\u00e3o sabia de torturas na ditadura e defende o AI-5<\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/09\/livro-traz-cartazes-da-resistencia-a-ditaduras-da-america-latina\/\">Delfim tinha esquema para tomar o governo, dizem documentos da ditadura militar<\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse eu conhe\u00e7o. \u00c9 de Santos. Esse \u00e9 socialista mesmo\u201d, relembra FHC, atribuindo a Delfim o papel de tira-teima na vota\u00e7\u00e3o pela cassa\u00e7\u00e3o, da qual participavam v\u00e1rios outros ministros integrantes do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Com a fala do ent\u00e3o ministro da Fazenda, Costa e Silva, conforme registra a ata, se d\u00e1 por vencido e diz que \u201cneste caso\u201d o mandato seria cassado. \u201cO Delfim n\u00e3o era duro (linha dura do regime militar). Ele deu um depoimento. Mas&#8230;\u201d, disse FHC, sem concluir a frase.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7748\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/atodnrcx2x65qcy4cnfsgafyf.jpg\" border=\"0\" width=\"652\" height=\"408\" \/><br \/><\/strong><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O ex-ministro Delfim Neto e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participam de debate no Instituto FHC em S\u00e3o Paulo\/<strong style=\"line-height: 15.8079996109009px;\">Mario Palhares<\/strong><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 15.8079996109009px;\"><br \/><\/strong><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018Vi gente torturada\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">FHC guarda uma c\u00f3pia da ata com as notas taquigr\u00e1ficas em seu acervo e a manteve em segredo, embora ache que com a abertura dos arquivos da ditadura, j\u00e1 esteja dispon\u00edvel para consultas. O ex-ministro Delfim Netto \u00e9 um dos poucos remanescentes do primeiro escal\u00e3o do governo militar ainda vivos. Seu papel no per\u00edodo deve constar em um dos cap\u00edtulos do relat\u00f3rio final da CNV, que ser\u00e1 apresentado em dezembro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Professor de filosofia da USP cassado pelo regime, perseguido e amea\u00e7ado de pris\u00e3o por um mandado que vigorou de 1964 a 1967 e o levou ao ex\u00edlio para n\u00e3o ser encarcerado, Fernando Henrique fez revela\u00e7\u00f5es importantes na CNV, como as den\u00fancias sobre tortura, que diz ter levado ao general Golbery do Couto e Silva, ent\u00e3o chefe da Casa Civil do Planalto.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAmea\u00e7aram me torturar, mas n\u00e3o me torturaram. Vi gente torturada\u201d, disse, ao reproduzir o di\u00e1logo que travou, no Pal\u00e1cio do Planalto, com Golbery. Na audi\u00eancia, o general teria admitido que o regime, encurralado pela linha dura \u2013 respons\u00e1vel por torturas, mortes e, no final, pela onda de atentados a bomba \u2013, estava perdendo o controle da pr\u00f3pria tropa. \u201cAcho que o Golbery estava sendo sincero\u201d, diz FHC, o primeiro ex-presidente que aceitou prestar depoimento \u00e0 CNV.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em um encontro com o coronel Juarez Brand\u00e3o, a cujo gabinete chegou passando direto e sem consultar militares que guarneciam as depend\u00eancias do quartel, contou que, irritado, chegou a dar um murro na mesa para responder \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de \u201cmau brasileiro\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEstou aqui porque amo meu pa\u00eds\u201d, lembra FHC, que diz ter deixado de lado sua conhecida diplomacia para inverter a l\u00f3gica do autoritarismo e, assim, dialogar de igual para igual com os militares aos quais denunciou tortura e rebateu acusa\u00e7\u00f5es. A ousadia, segundo ele, impediu pris\u00f5es e torturas numa \u00e9poca em que \u201ceram muito poucos os que se dispunham a enfrentar os militares\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cBisneto de brigadeiro, neto de marechal e filho de general\u201d, FHC disse que embora tivesse no sangue o know-how da caserna, s\u00f3 usou o tr\u00e2nsito da fam\u00edlia na \u00e1rea militar quando foi reclamar do arb\u00edtrio ao marechal Cordeiro de Farias. Dedicado \u00e0 \u00e9poca \u00e0 c\u00e1tedra de filosofia da USP, afirma que n\u00e3o falava e ningu\u00e9m sabia que ele era de uma fam\u00edlia com hist\u00f3ricas conex\u00f5es com a \u00e1rea militar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No dif\u00edcil di\u00e1logo com o coronel Brand\u00e3o, disse ter ouvido deste manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio at\u00e9 contra pol\u00edticos pr\u00f3ximos ao regime, mas opostos \u00e0 linha dura, como o ex-governador paulista bi\u00f4nico Paulo Eg\u00eddio. \u201cEle me disse que viraria o Paulo Eg\u00eddio de pernas para baixo e o pegaria pelos colh\u00f5es\u201d, lembra FHC, que \u00e0 \u00e9poca relatou o epis\u00f3dio ao pr\u00f3prio Eg\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na sede da Oban, bra\u00e7o violento do regime e QG de Brand\u00e3o, FHC conta que o fotografaram com n\u00famero criminal preso ao peito e, depois, com um capuz na cabe\u00e7a, foi submetido a interrogat\u00f3rio \u201cmaluco\u201d. Lembra que s\u00f3 anos depois entendeu que a insist\u00eancia do interrogador sobre suas \u201crela\u00e7\u00f5es\u201d com o trotskismo na Argentina e Uruguai tinha sido motivada pelo encontro com um dirigente da Quarta Internacional, Ernest Mandel, num evento no M\u00e9xico, do qual, curiosamente, se op\u00f4s durante o debate.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O policial tamb\u00e9m queria saber das rela\u00e7\u00f5es com o ex-ministro Roberto Campos, quadro da ditadura, o que deixou a FHC a conclus\u00e3o de ele era considerado pelo regime \u201ctraidor pelos dois polos\u201d, ou seja, pela esquerda e pela direita. O ex-presidente conta que no conturbado per\u00edodo dos confrontos entre militantes com a pol\u00edcia, na Rua Maria Ant\u00f4nia, escapou de ser preso blefando. \u201cMostrei um tal\u00e3o de cheque, disse que tinha meus documentos e fugi\u201d, lembra.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNaquela \u00e9poca todo mundo tinha medo. Tocava a campainha da casa e as pessoas morriam de medo\u201d, lembra FHC, que recha\u00e7a as cr\u00edticas que avaliam que ele optou por um ex\u00edlio volunt\u00e1rio. \u201cSe voltasse seria preso\u201d, afirma. Ao ser informado que havia contra ele um mandado de pris\u00e3o, passou v\u00e1rios dias escondido na casa de amigos no eixo Rio\/S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De volta ao Pa\u00eds, j\u00e1 livre das amea\u00e7as, FHC diz ter feito a op\u00e7\u00e3o por denunciar publicamente as arbitrariedades do regime, o que levou gente da pr\u00f3pria esquerda a achar que contava com misteriosa prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fernando Henrique avalia que n\u00e3o foi importunado pelas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas porque o regime tinha um \u201csentimento falso\u201d de que contava com apoio internacional, quando na verdade, o que o favorecia e lhe dava relativa capacidade de atuar eram os contatos com colegas professores de universidades da Europa e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo mundo dizia que eu tinha costas quentes. Eu n\u00e3o tinha costas quentes. Tinha era coragem de dizer e fazia isso publicamente. Pouca gente dava a cara a bater. Tanto \u00e9 que me botaram na Oban e perdi o emprego\u201d, diz o soci\u00f3logo que, contr\u00e1rio \u00e0 luta armada, apostou no \u201cesfarinhamento\u201d do militarismo e acertou. \u201cForam anos muito dif\u00edceis para pessoas que t\u00eam independ\u00eancia de esp\u00edrito\u201d, reflete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presidente diz que viu militantes torturados nos por\u00f5es e que teve coragem e ousadia de denunciar o arb\u00edtrio ao pr\u00f3prio regime quando \u201cpouca gente dava a cara a bater\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7749"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7749"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8090,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7749\/revisions\/8090"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7746"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}