{"id":7757,"date":"2014-12-01T11:24:52","date_gmt":"2014-12-01T11:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/01\/ex-presidente-fernando-henrique-presta-depoimento-a-cnv\/"},"modified":"2014-12-01T11:24:52","modified_gmt":"2014-12-01T11:24:52","slug":"ex-presidente-fernando-henrique-presta-depoimento-a-cnv","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/01\/ex-presidente-fernando-henrique-presta-depoimento-a-cnv\/","title":{"rendered":"Ex-presidente Fernando Henrique presta depoimento \u00e0 CNV"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">FHC fala sobre a pris\u00e3o decretada logo ap\u00f3s o golpe, a vida no ex\u00edlio, a cassa\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o e tortura de seus colegas do Cebrap e sua deten\u00e7\u00e3o por 24 horas no Doi-Codi, na d\u00e9cada de 70<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cnv.gov.br\/images\/01_FHC_site.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prestou depoimento \u00e0 CNV em sua casa, em SP. Foto: Marcelo Oliveira \/ ASCOM &#8211; CNV  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-presidente da Rep\u00fablica Fernando Henrique Cardoso, 83 anos, prestou depoimento ontem (26\/11) \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em S\u00e3o Paulo. FHC contou aos membros da CNV Jos\u00e9 Carlos Dias e Paulo S\u00e9rgio Pinheiro e ao advogado Lu\u00eds Francisco Carvalho Filho, ex-presidente da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, sobre golpe militar, a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a pris\u00e3o decretada pela Justi\u00e7a Militar, a vida no ex\u00edlio, a cassa\u00e7\u00e3o e a aposentadoria for\u00e7ada da Universidade de S\u00e3o Paulo logo ap\u00f3s o AI-5, as den\u00fancias de tortura que fez a v\u00e1rias autoridades e o epis\u00f3dio em que foi obrigado a prestar depoimento ao Doi-Codi onde foi encapuzado e fichado pela repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DpTTl9wIQeY&#038;list=UUERnA-dpopdYmzQUOpVG_8w&#038;index=2\">Veja edi\u00e7\u00e3o do depoimento de FHC \u00e0 CNV<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">FHC contou que estava no Rio de Janeiro em 13 de mar\u00e7o de 1964, dia do Com\u00edcio da Central do Brasil, onde pegou um trem para S\u00e3o Paulo naquela noite. Ao sair da casa do pai, em Copacabana, viu luzes acesas nos apartamentos em protesto contra o com\u00edcio. No trem, encontrou Pl\u00ednio de Arruda Sampaio e Jos\u00e9 Gregori e debateram o futuro do Brasil e chegaram a discutir se haveria um golpe.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dias depois, o golpe era uma realidade. Na USP, ele recebeu a not\u00edcia que sua pris\u00e3o havia sido decretada. Um dos motivos do decreto de pris\u00e3o de FHC era a sua amizade com o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, ministro da Casa Civil de Jango.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 casado com Ruth (Cardoso, falecida em 2008), ele passou v\u00e1rios dias inc\u00f3gnito em diferentes locais at\u00e9 conseguir ir para a Argentina, onde ficou pouco tempo. Em maio, FHC mudou-se para o Chile, enquanto advogados tentavam reverter a ordem de pris\u00e3o, que foi anulada pelo Superior Tribunal Militar somente em 1967, quando o ex-presidente j\u00e1 estava ministrando aulas na Universidade de Nanterre, na Fran\u00e7a, que j\u00e1 vivia a efervesc\u00eancia que eclodiria nos protestos de maio de 68, ano em que retornou ao Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sobre o per\u00edodo no exterior, comentou: &#8220;est\u00e3o servindo caviar, mas \u00e9 amargo, porque o ex\u00edlio \u00e9 o ex\u00edlio. \u00c9 amargo porque voc\u00ea vive a maior parte do tempo imaginando o que est\u00e1 acontecendo no seu pa\u00eds e na expectativa de que tudo vai mudar&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em outubro de 68, FHC foi aprovado no concurso para a c\u00e1tedra de sociologia da USP e viu as liberdades individuais e a oposi\u00e7\u00e3o ao regime mais amea\u00e7adas ainda pelo Ato Institucional n\u00famero 5. Dias depois, estava dirigindo quando ouviu no r\u00e1dio que ele e muitos outros professores da USP, como Florestan Fernandes, haviam sido cassados e estavam compulsoriamente aposentados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte houve protesto e o local onde estavam os professores demitidos foi cercado. FHC escapou da pris\u00e3o, indo a p\u00e9 da universidade at\u00e9 sua casa, ent\u00e3o no Morumbi. Ao receber seu contracheque de aposentado, a funcion\u00e1ria da USP se surpreendeu e perguntou: &#8220;Como faz pra se aposentar t\u00e3o jovem?&#8221;. FHC respondeu com bom humor: &#8220;N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Decidido a ficar no Brasil, FHC passou a dar aulas no exterior e criou com amigos cassados o Cebrap (Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento), um dos primeiros centros privados de pesquisa do pa\u00eds, &#8220;um n\u00facleo avan\u00e7ado de resist\u00eancia e de pensamento&#8221;, onde estabeleceu um relacionamento forte com Dom Paulo Evaristo Arns, que lhe encomendou um livro &#8220;S\u00e3o Paulo: Crescimento e Pobreza&#8221;, para a Pastoral do Trabalho, &#8220;um livro simples&#8221;, mas que indicava que o pa\u00eds crescia economicamente, mas sob grande desigualdade e com o aumento da pobreza.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois do livro, a sede do Cebrap, ent\u00e3o na rua Bahia, foi atacada a bomba &#8220;pelo CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas) ou coisa que o valha. Foi a segunda vez que perdi arquivos por causa de bomba, a outra vez foi na Maria Ant\u00f4nia. Dom Paulo apareceu l\u00e1 e o Erasmo Dias esbravejava contra n\u00f3s e quanto mais ele falava, mais a gente vendia livros&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">FHC conta que v\u00e1rias pessoas que trabalharam no Cebrap eram presas, no DOPS ou na Oban (Doi-Codi). O professor procurou o amigo Severo Gomes, ent\u00e3o ministro do governo Geisel, que pediu que ele escrevesse uma carta contando os epis\u00f3dios de tortura sofridos pelo pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o. A carta, assinada por FHC, foi entregue \u00e0 Geisel, que teria respondido, segundo Severo, &#8220;mas esse da\u00ed n\u00e3o \u00e9 comunista?&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um artigo no jornal alternativo Opini\u00e3o, em que criticava a op\u00e7\u00e3o de alguns integrantes da esquerda pela luta armada, foi procurado por Ulysses Guimar\u00e3es para escrever o programa do MDB para as elei\u00e7\u00f5es de 1974 e pesquisadores do Cebrap prepararam textos para a publica\u00e7\u00e3o, que previa a incorpora\u00e7\u00e3o dos temas sociais e econ\u00f4micos \u00e0 vida pol\u00edtica. &#8220;Era um programa social-democr\u00e1tico&#8221;, disse. O MDB venceu as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois disso, houve o que FHC chamou de &#8220;novas rodadas de persegui\u00e7\u00f5es&#8221;. Ap\u00f3s procurar um general amigo da fam\u00edlia, o professor foi chamado para uma audi\u00eancia com Golbery do Couto e Silva, o super-ministro do governo Geisel, a quem denunciou que v\u00e1rios opositores e outros intelectuais estavam sendo submetidos a tortura quando presos. &#8220;Eu n\u00e3o fui torturado, mas vi gente torturada, disse para ele&#8221;. O ministro disse para eles procurarem o ministro da Justi\u00e7a Armando Falc\u00e3o, que ignorou os pedidos de FHC.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em outra ocasi\u00e3o FHC foi questionar as torturas ao comandante do II Ex\u00e9rcito, que disse que as v\u00edtimas eram &#8220;maus brasileiros&#8221;. O ent\u00e3o pesquisador irritou-se e disse ao coronel. &#8220;Eu poderia estar em qualquer lugar do mundo, dando aula, muito bem pago e estou aqui no Brasil, pois tenho amor ao pa\u00eds&#8221;. O ex-presidente conta que isso inverteu &#8220;a minha rela\u00e7\u00e3o com ele e, depois disso, consegui liberar um preso&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo, FHC foi intimado ao Doi-Codi para prestar esclarecimentos. &#8220;Eu creio que eles n\u00e3o tinham m\u00e3os livres sobre n\u00f3s, porque j\u00e1 era uma fase de Geisel, mas mesmo assim nos tiraram fotografia com aquele n\u00famero, nos colocaram um capuz na cabe\u00e7a, passei 24 horas l\u00e1&#8221;, contou. Era na segunda metade da d\u00e9cada de 70 (FHC tem d\u00favida se foi antes ou depois da morte de Vladimir Herzog, em 75).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No Doi, FHC foi interrogado sobre &#8220;liga\u00e7\u00f5es com trotskistas argentinos e chilenos&#8221; e sua amizade com Roberto Campos. &#8220;Eu era traidor por dois polos: direita e esquerda&#8221;, disse. &#8220;Eles me amea\u00e7aram torturar, mas eu n\u00e3o fui torturado, mas vi a tortura l\u00e1&#8221;, contou. Lembrei da pris\u00e3o do meu pai, em 22, que me contou ter sido preso, mas que era servido por gar\u00e7ons.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que passou comigo n\u00e3o foi nada, comparado ao que outras pessoas passaram. Mas naquele tempo era muito dif\u00edcil ser democrata. Hoje todo mundo \u00e9. Naquele tempo era um ato de coragem&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-presidente afirmou que apoiou a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade por ser um grande entusiasta da Comiss\u00e3o de Reconcilia\u00e7\u00e3o e Verdade da \u00c1frica do Sul. &#8220;Era aparentemente imposs\u00edvel democratizar e permitir uma conviv\u00eancia mais avan\u00e7ada entre as ra\u00e7as e as classe e eles avan\u00e7aram. E eu li o gesto da Dilma nesse sentido. Para que esses fatos n\u00e3o tornem a acontecer e que a hist\u00f3ria prevale\u00e7a&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\/Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FHC fala sobre a pris\u00e3o decretada logo ap\u00f3s o golpe, a vida no ex\u00edlio, a cassa\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o e tortura de seus colegas do Cebrap e sua deten\u00e7\u00e3o por 24 horas no Doi-Codi, na d\u00e9cada de 70 \u00a0 O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prestou depoimento \u00e0 CNV em sua casa, em SP. 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