{"id":7808,"date":"2014-12-08T21:14:24","date_gmt":"2014-12-08T21:14:24","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/08\/as-confissoes-do-doi-codi\/"},"modified":"2023-11-09T12:22:41","modified_gmt":"2023-11-09T12:22:41","slug":"as-confissoes-do-doi-codi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/08\/as-confissoes-do-doi-codi\/","title":{"rendered":"As confiss\u00f5es do DOI-CODI"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Agentes do \u00f3rg\u00e3o criado pelos militares em 1969 para combater a grupos de esquerda contam como eles agiram at\u00e9 1991; entrevistas in\u00e9ditas revelam detalhes de pris\u00f5es e de mortes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1XE1ftuKWYc\">Ou\u00e7a o audio completo da mat\u00e9ria <!--more--> <\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7784\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/golpehome-u2084.png\" width=\"588\" height=\"433\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/golpehome-u2084.png 1176w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/golpehome-u2084-300x221.png 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/golpehome-u2084-768x566.png 768w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/golpehome-u2084-1024x754.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><\/p>\n<address>Comando\/<span style=\"line-height: 1.3em;\">O general D\u2019\u00c1vila Melo (3\u00ba da esq. para a dir), que chefiou o 2\u00ba Ex\u00e9rcito\/Estad\u00e3o Acervo<\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Criado pelos militares com o nome de Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante em 1969, o\u00a0 Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es (DOI) ganhou esse nome em setembro de 1970. Ele centralizou o combate aos grupos de esquerda que se opunham ao governo militar inaugurado em 1964. Com uma estrat\u00e9gia militar e com t\u00e1ticas policiais, o destacamento uniu militares das For\u00e7as Armadas e integrantes das Pol\u00edcias Civil, Militar e Federal.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Para contar sua hist\u00f3ria, foram entrevistados 97 pessoas, 25 das quais agentes que trabalharam no lugar. S\u00e3o homens e mulheres \u2013 militares e policiais \u2013 que revelaram detalhes de pris\u00f5es e mortes.\u00a0 Tamb\u00e9m foram ouvidos coron\u00e9is, delegados e pol\u00edticos que cuidaram da Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado. Vinte trechos de entrevistas concedias entre 2004 e 2014 \u2013 todas in\u00e9ditas \u2013 foram selecionados para mostrar como o destacamento atuou durante o regime e o que pensavam seus homens. Algumas das vozes fora distorcidas para preservar o anonimato de\u00a0 agentes.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018QUEM CAIU MORREU\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O tenente Chico relata aqui a rea\u00e7\u00e3o do DOI-Codi \u00e0 morte do delegado Oct\u00e1vio Gon\u00e7alves Moreira Junior, o Otavinho, ocorrida em 25 de fevereiro de 1973. O agente se refere ainda em dois trechos de suas entrevistas \u00e0 ordem que havia entre os homens do destacamento de matar todos os militantes dos grupos armados da esquerda que tivessem sido treinados em Cuba, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, na China ou Arg\u00e9lia. Na maioria dos casos, o guerrilheiro, segundo o relato, era morto \u201cna rua mesmo\u201d. Alguns, no entanto, foram capturados, torturados e executados. S\u00e3o casos como os de Ayrton Adalberto Mortati, sequestrado, torturado\u00a0 e morto em 1971, como o de Frederico Mayr, preso, baleado, torturado e morto em 1972 e Antonio Benetazzo, preso e executado em 1973. Todos eram integrantes do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular, o Molipo, grupo destro\u00e7ado pelo DOI.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"line-height: 15.8079996109009px; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7785\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto1.png\" width=\"241\" height=\"330\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto1.png 241w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto1-219x300.png 219w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/p>\n<address style=\"line-height: 15.8079996109009px;\">Benetazzo, um dos mortos pelo DOI, em documento encontrado no Arquivo do Estado\u00a0<span class=\"s1\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018A GENTE MATAVA E RECOLHIA. TINHAM DE MORRER MESMO\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A tenente Neuza conta como os agentes do destacamento transportavam os corpos de pessoas mortas pelo DOI at\u00e9 a sede do DOI, no Ibirapuera. Nascida em 1936, ela confirmou que o destino dos militantes que tivessem feito cursos de guerrilha no exterior e fossem apanhados pelo DOI era a morte. A mesma senten\u00e7a atingia os que tivessem sido banidos do Pa\u00eds em troca da liberdade de um dos quatro diplomatas estrangeiros sequestrados entre 1969 e 1970 pela guerrilha. De fato, nenhum dos dez guerrilheiros banidos que retornaram ao Brasil e foram presos entre 1971 e 1973 sobreviveu. Em 1973, o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) produziu duas apostilas distribu\u00eddas aos seus agentes com os nomes de 314 guerrilheiros brasileiros que haviam sido treinados na China (110) e em Cuba (204).<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7786\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto2.png\" width=\"335\" height=\"194\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto2.png 335w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto2-300x174.png 300w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Neuza entre os agentes do destacamento\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">que receberam a Medalha do Pacificador em 1973<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">\/ ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>UMA \u2018FAM\u00cdLIA\u2019 CONTRA A \u2018FAMIGLIA\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Os homens do Destacamento formavam uma \u2018fam\u00edlia grande e poderosa\u2019.\u00a0 As palavras do agente alem\u00e3o para descrever a uni\u00e3o entre os agentes do DOI conduzem o policial \u00e0 lembran\u00e7a sobre uma das mais desconhecidas opera\u00e7\u00f5es levadas \u00e0 cabo por seus homens: a persegui\u00e7\u00e3o aos integrantes da Uni\u00e3o Corsa, grupo franc\u00eas que atuava no refino de hero\u00edna enviada para os Estados Unidos no que ficou conhecido como french connection. Seus servi\u00e7os eram usados pelos chef\u00f5es da Cosa Nostra entre os quais Tommaso Buscetta, conhecido como \u2018il boss dei due mondi\u2019. De fato, Don Masino era ligado ao chef\u00e3o Salvatore Greco, na Sic\u00edlia, e \u00e0 poderosa Famiglia Gambino, da m\u00e1fia de Nova York. Em 1972, ele veio ao Brasil para organizar o envio de coca\u00edna \u00e0 m\u00e1fia nova-iorquina. Os militares do DOI passaram as informa\u00e7\u00f5es ao delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, que prenderia Buscetta em 2 de novembro de 1972. Torturado no Dops, o mafioso acabou extraditado para a It\u00e1lia. Nos anos 1980, ap\u00f3s nova pris\u00e3o no Brasil, ele se tornaria no primeiro grande colaborador de Justi\u00e7a contra Cosa Nostra,<br \/>\nlevando para a cadeia centenas de mafiosos.<\/p>\n<p class=\"p10\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7787\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto3.png\" width=\"461\" height=\"570\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto3.png 461w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto3-243x300.png 243w\" sizes=\"(max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Don Masino, \u2018Il boss dei due mondi\u2019, foi preso em 1972 no Brasil depois de uma opera\u00e7\u00e3o iniciada pelo DOI<\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018CHEGUEI EM CIMA DELE COM MEU REV\u00d3LVER\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Id\u00e9sio Brianezi era de um grupo T\u00e1tico Armado (GTA) da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), grupo guerrilheiro que lutou contra o regime militar. Em 13 de abril de 1970 ele foi surpreendido por uma equipe do DOI na pens\u00e3o onde morava na Rua Itatins, perto do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Aqui o relato do agente Absalon Moreira da Luz sobre a pris\u00e3o e morte do guerrilheiro. Ferido no peito, o policial militar que trabalhava em uma equipe da Se\u00e7\u00e3o de Busca do DOI conta como atirou em Brianezi. O guerrilheiro urbano foi uma das 79 pessoas mortas em opera\u00e7\u00f5es em que a participa\u00e7\u00e3o do DOI foi determinante desde a funda\u00e7\u00e3o em 1969 at\u00e9 o fim do destacamento em 1991.<\/p>\n<p class=\"p10\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7788\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto4.png\" width=\"700\" height=\"749\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O depoimento de Absalon sobre o caso, em 1969 <span class=\"s1\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018A DOR \u00c9 O LIMITE DO HOMEM\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A tortura fazia parte do cotidiano no DOI. Mais do que uma forma de mart\u00edrio, seu uso respondia a uma necessidade operacional, relatam os antigos agentes. Para eles, o m\u00e9todo funcionava em muitos casos. Tudo era uma quest\u00e3o de efici\u00eancia, afirmam. \u00c9 isso o que conta aqui o agente Chico (nome fict\u00edcio), um tenente da Pol\u00edcia Militar que trabalhou durante anos na repress\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da esquerda. Diante dela, n\u00e3o havia como manter o sil\u00eancio. O dirigente do PCdoB Carlos Nicolau Danielli, morto sob tortura por se recusar a falar, foi uma exce\u00e7\u00e3o. Chico conta o desafio feito por um preso e revela, tanto tempo depois, o sentimento de vit\u00f3ria dos agentes cada vez que o mart\u00edrio lhes trazia uma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p10\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7789\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto5.png\" width=\"500\" height=\"293\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto5.png 500w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto5-300x176.png 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">A sede do DOI-Codi, onde os presos eram\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">interrogados em busca de informa\u00e7\u00f5es <\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A PRIS\u00c3O QUE JAMAIS ACONTECEU<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A equipe C\u00faria foi convocada para a opera\u00e7\u00e3o. Tratava-se de vigiar um casal de guerrilheiros da ALN: Antonio Carlos Bicalho Lana e S\u00f4nia de Maria Moraes Angel Jones, nora da estilista Zuzu Angel. O que os agentes envolvidos nessa opera\u00e7\u00e3o contaram \u00e9 uma pris\u00e3o que oficialmente nunca ocorreu. Segundo a hist\u00f3ria oficial do Ex\u00e9rcito, contada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ent\u00e3o comandante do DOI, o casal morreu em um tiroteio. A farsa \u00e9 desmontada aqui n\u00e3o por testemunhas, mas pelos pr\u00f3prios agentes que trabalharam no Destacamento. Tr\u00eas deles confirmaram ter participado da pris\u00e3o de Lana e de sua mulher na Baixada Santista. Aqui temos a entrevista do policial Alem\u00e3o, que decidiu colaborar e contar o que sabia sobre o casal, executado pelo capit\u00e3o \u00canio Pimentel da Silveira, o Doutor Ney, em 1973.<\/p>\n<p class=\"p10\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7790\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto6.png\" width=\"488\" height=\"378\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto6.png 488w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto6-300x232.png 300w\" sizes=\"(max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Bruno e S\u00f4nia foram mortos depois de\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">presos pela Se\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o <\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018O QUE EU APRENDI FOI NO QUARTEL\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Melancia n\u00e3o tinha meio de saber se a esquerda era boa ou ruim. Foi logo aprendendo que era ruim. Dono de um vozeir\u00e3o, ele era um militar do Ex\u00e9rcito. Jamais havia revelado sua participa\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00f5es secretas. Quis sempre saber o menos poss\u00edvel. \u2018Uma regra de ouro\u2019, diz. O agente Jonas do DOI-Codi \u00e9 desses que chama o destacamento de \u2018a\u00e7ougue\u2019. O jovem que entrou em 1964 no Ex\u00e9rcito fez curso de informa\u00e7\u00f5es no Centro de Estudos de Pessoal (CEP), no Rio, antes de ir parar na Casa da Vov\u00f3. Aqui ele conta a import\u00e2ncia do Ex\u00e9rcito em sua forma\u00e7\u00e3o. Melancia participaria das principais a\u00e7\u00f5es do Destacamento nos anos 1970. Foi um dos militares que resolveu colaborar com essa pesquisa com a condi\u00e7\u00e3o de que o anonimato fosse preservado.<\/p>\n<p class=\"p10\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7791\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto8.png\" width=\"500\" height=\"353\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto8.png 500w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto8-300x212.png 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O Forte do Leme, no Rio, onde o agente Jonas fez o curso de informa\u00e7\u00f5es<\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018N\u00c3O QUIS PARTICIPAR, VIAJAVA\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Hiram de Lima Pereira havia sido secret\u00e1rio de governo de Miguel Arraes na prefeitura do Recife. Era ainda integrante da c\u00fapula do PCB, que se opunha \u00e0 luta armada e defendia uma pol\u00edtica de frente \u00fanica contra o governo militar. Morava na zona norte de S\u00e3o Paulo desde o come\u00e7o dos anos 1970, onde cuidava da distribui\u00e7\u00e3o do jornal Voz Oper\u00e1ria, \u00f3rg\u00e3o oficial do partido. Nesse trecho de uma de suas entrevistas, agente Neuza conta por que ele foi assassinado. Hiram havia sido levado a um c\u00e1rcere clandestino da ditadura. Era a boate de Itapevi, na Grande S\u00e3o Paulo. Ali foi torturado pelos homens do Doutor Ney. Queriam informa\u00e7\u00f5es que levassem \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da gr\u00e1fica clandestina do partido, no Rio. Acabou sendo executado como outros que passaram pelo lugar.<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7792\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto9-crop-u2056.png\" width=\"357\" height=\"382\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto9-crop-u2056.png 357w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto9-crop-u2056-280x300.png 280w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Hiram de Lima Pereira, o ex-secret\u00e1rio de\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Arraes que foi sequestrado e morto pelo DOI <\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>AS CONFISS\u00d5ES DE ERASMO DIAS: A FRAUDE NA CHACINA DA LAPA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O coronel Erasmo Dias, s\u00edmbolo da repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo, sentou-se em seu gabinete na C\u00e2mara dos Vereadores com um ma\u00e7o de pap\u00e9is na m\u00e3o. Eram folhas com um texto sobre sua vida, desde que em 1964 tomara o controle do porto de Santos em nome do Ex\u00e9rcito. Explosivo, Erasmo guardava uma m\u00e1goa: tornara-se o ant\u00edpoda do general Dilermando Gomes Monteiro, que assumira o 2.\u00ba Ex\u00e9rcito ap\u00f3s as mortes do jornalista Vladimir Herzog e do oper\u00e1rio Manoel Fiel Filho nas depend\u00eancias do DOI. Dilermando passara \u00e0 hist\u00f3ria como um homem a favor da abertura e Erasmo n\u00e3o. O coronel ent\u00e3o resolveu contar como teve de limpar os rastros da morte de Jo\u00e3o Baptista Franco Drummond, militante do PCdoB, ocorrida dentro do DOI \u2013 o que, desde o caso de Fiel Filho, n\u00e3o era mais tolerado pelo governo que acontecesse no destacamento. A vers\u00e3o oficial diz que Drummond\u00a0 morreu atropelado quando tentava fugir dos agentes na Avenida 9 de Julho.\u00a0 Erasmo mandou fraudar a per\u00edcia sobre Drummond e assim salvou a carreira de dois generais: Dilermando e Arnaldo Bastos de Carvalho Braga, que comandaria a PM paulista. No epis\u00f3dio, conhecido como Chacina da Lapa, al\u00e9m de Drummond, outros dois dirigentes do PCdoB foram assassinados.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7793\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto10.jpg\" width=\"601\" height=\"276\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto10.jpg 601w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto10-300x138.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">A casa na Rua Pio XI onde a c\u00fapula do PCdoB foi surpreendida no DOI<\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018ELE N\u00c3O SABIA DO CIRQUINHO QUE IAM FAZER\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Um dia encontraram em um im\u00f3vel da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) uma lista de agentes do DOI. O medo de que fossem alvo de repres\u00e1lias rondava os militares e policiais do destacamento. Para evitar que novos presos despertassem opera\u00e7\u00f5es de resgate, por meio do sequestro de alguma autoridade, os agentes come\u00e7aram a simular tiroteios nos quais os presos \u2018morriam\u2019. Era o teatro ou cirquinho. Nele se encenava a morte do detido para que os agentes pudessem interrogar sem preocupa\u00e7\u00f5es o prisioneiro. O destino da v\u00edtima j\u00e1 estava selado: ela ia morrer. Mais cedo ou mais tarde. Aqui, a tenente Neuza conta como foi o teatro montado para justificar a morte de um casal da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, preso pelo DOI<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7794\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto11.jpg\" width=\"600\" height=\"390\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto11.jpg 600w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto11-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">A boate em Itapevi, onde eram guardados presos que deviam morrer<\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>SUMIU DINHEIRO. O BOTIM AMEALHADO NO DOI<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O general Agnaldo Del Nero foi respons\u00e1vel pelo projeto Orvil (anagrama de Livro), que devia cuidar da vers\u00e3o dos militares sobre a guerra contra as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Ele trabalhava ent\u00e3o com o general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, ministro do Ex\u00e9rcito do presidente Jos\u00e9 Sarney. Nos anos 1970, Del Nero serviu em S\u00e3o Paulo, onde exerceu a fun\u00e7\u00e3o de chefe da 2.\u00aa Se\u00e7\u00e3o do 2.\u00ba Ex\u00e9rcito. Incomodado com a quantidade de den\u00fancias de saques efetuados pelos agentes do DOI, o coronel foi at\u00e9 o destacamento conversar com o capit\u00e3o \u00canio Pimentel da Silveira, o Doutor Ney.\u00a0 Queria aconselhar cuidado. N\u00e3o bastou. Del Nero foi um dos entrevistados que relatou essa pr\u00e1tica dos agentes.\u00a0 Aqui ele conta a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7795\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto12.jpg\" width=\"364\" height=\"502\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O general Del Nero nos anos 1990:\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">ide\u00f3logo do regime militar <\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018EU ESTAVA PASSANDO A NOITE COM UM CONDENADO \u00c0 MORTE\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Antonio Benetazzo era um estudante de filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo quando decidiu lutar contra o regime. Entrou para a ALN e, depois, em Cuba, resolveu ingressar no Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular, o Molipo. Era amigo do estudante Jos\u00e9 Dirceu, outro integrante do grupo. Benetazzo voltou ao Brasil e acabou preso em 1972. Como fizera treinamento em Cuba, era um homem marcado para morrer. E assim foi. O agente Chico conta aqui como Benetazzo se transforou em um fantasma. Por diversos anos, Chico abria o arm\u00e1rio de casa e via o rosto do guerrilheiro. Tudo porque a \u00faltima noite de vida de Benetazzo foi ao lado do agente do DOI. O integrante do Molipo seria executado pelos agentes do doutor Ney, que decidiram simular que ele havia sido atropelado.<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7796\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto13.jpg\" width=\"360\" height=\"600\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto13.jpg 360w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto13-180x300.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7797\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto14.jpg\" width=\"359\" height=\"578\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto14.jpg 359w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto14-186x300.jpg 186w\" sizes=\"(max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Laudo m\u00e9dico-legal sobre a morte de Benetazzo <span class=\"s1\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018\u00c9 MUITO DIF\u00cdCIL ATIRAR CONTRA ALGU\u00c9M\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) tinha em Iuri Xavier Pereira um de seus l\u00edderes. Em 1972, os homens do DOI encontraram um jovem estudante que passou a ser seguido. Mais tarde, ele se transformaria em um dos informantes do Doutor Ney. Seguindo o futuro informante, os homens da Se\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o do DOI cercaram Iuri e outros tr\u00eas integrantes da ALN na sa\u00edda do Bar e Churrascaria Varela, na Mooca. Era 14 de junho de 2972. Entre os agentes estava Melancia \u2013 um dos cinco agentes presentes no lugar que foram entrevistados nessa pesquisa. A emboscada que terminou na morte de tr\u00eas integrantes da ALN foi o batismo de fogo do militar do Ex\u00e9rcito. Na Mooca morreram, al\u00e9m de Iuri, Ana Maria Nacimovic Corrrea e Marcos Nonato da Fonseca. Somente Antonio Carlos Bicalho Lana conseguiu escapar ao cerco.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7798\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto15.jpg\" width=\"500\" height=\"489\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto15.jpg 500w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto15-300x293.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas mortos e as armas que os militares disseram ter apreendido<span class=\"s1\"> \/ ESTAD\u00c3O ACERVO<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018UM TENENTE AGREDIU O CORONEL\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Vicente Sylvestre era coronel da Pol\u00edcia Militar quando foi torturado no DOI porque era comunista. Chefe do Estado-Maior do Policiamento do Interior, Sylvestre conheceu instrumentos de tortura como a cadeira do drag\u00e3o, os choques el\u00e9tricos e teve a cabe\u00e7a chutada como uma bola. Era um traidor, segundo os agentes. Seu espancamento no DOI causou revolta na PM. O ministro do Ex\u00e9rcito, Sylvio Frota, registrou o caso em ata de reuni\u00e3o do Alto Comando do Ex\u00e9rcito. O chefe da 2.\u00aa Se\u00e7\u00e3o do 2.\u00ba Ex\u00e9rcito, coronel Jos\u00e9 Barros Paes, pela primeira vez fala sobre o que houve com Sylvestre no DOI e confirma que mandou o coronel para o Hospital dos Defeitos da Face antes de\u00a0 devolv\u00ea-lo \u00e0 Pol\u00edcia Militar, encarregada de cuidar da suposta c\u00e9lula que o PCB manteria dentro da corpora\u00e7\u00e3o. Era 1975, e a ofensiva contra o partido estava em pleno vapor.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7799\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto16.png\" width=\"429\" height=\"674\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto16.png 429w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto16-191x300.png 191w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O coronel Sylvestre fotografado no Dops depois\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">de ser tratado no hospital <\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>VI O FLEURY MATAR DE TIJOLADA UM CARA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Antes que o Ex\u00e9rcito\u00a0 tomasse conta da repress\u00e3o pol\u00edtica no Pa\u00eds, as pol\u00edcias estaduais cuidavam da quest\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, havia o Dops. E para l\u00e1 havia ido o delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury. Homem vinha do 6.\u00aa Delegacia Auxiliar, respons\u00e1vel pelo patrulhamento das ruas. Foi nela, com suas duas rondas \u2013 a R1, da For\u00e7a P\u00fablica, e a R2, da Guarda Civil \u2013, que ele se tornou conhecido como o homem do Esquadr\u00e3o da Morte, o grupo de policiais que sequestrava e executava criminosos no Estado. Foram esses m\u00e9todos \u2013 o sequestro, a tortura e a morte \u2013 que ele levou para o Dops. Aqui o policial militar conhecido como Pai Velho, que trabalhou no DOI e na ronda com Fleury, conta o que viu durante uma de suas patrulhas.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7800\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto17.png\" width=\"300\" height=\"293\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O delegado Fleury (\u00e0 direita) comandou a repress\u00e3o\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">pol\u00edtica no fim dos anos 1960<\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\"> \/ ESTAD\u00c3O ACERVO<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018PUNHA A MULHER NUA PARA INTERROGAR E DAVA CHOQUE, MAS ESTUPRAR JAMAIS\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em suas opera\u00e7\u00f5es, o DOI buscava sempre contar com a superioridade num\u00e9rica e a surpresa para capturar seus advers\u00e1rios. Eram as emboscadas montadas pela Se\u00e7\u00f5es de Busca e de Investiga\u00e7\u00e3o que garantiam o abastecimento de presos para os interrogat\u00f3rios. Elas ajudaram a destro\u00e7ar a ALN em S\u00e3o Paulo, mas tamb\u00e9m foram usadas contra o Molipo, a VPR, a VAR-Palmares, o PCdoB, o PCB, e a APML. Enquanto descrevia as opera\u00e7\u00f5es do destacamento, o agente Chico resolveu mudar de tema e passou a contar como funcionava a Se\u00e7\u00e3o do interrogat\u00f3rio, que cuidava de arrancar informa\u00e7\u00f5es dos presos. Seu relato \u00e9 sobre o que acontecia com as mulheres detidas pelos militares.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7801\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto18.jpg\" width=\"620\" height=\"850\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto18.jpg 620w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto18-219x300.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">A presidente Dilma Rousseff foi uma das mulheres que passaram pelo DOI de S\u00e3o Paulo<span class=\"s1\"> \/ ESTAD\u00c3O ACERVO<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018EU RECEBI UMA CARTA DELE DA TCHECOSLOV\u00c1QUIA\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Roberto Artoni era o bra\u00e7o-direito do capit\u00e3o \u00canio Pimentel da Silveira na mais sigilosa das se\u00e7\u00f5es do DOI: a Investiga\u00e7\u00e3o. Tinha tanta confian\u00e7a do chefe que, quando ele se ausentava, era Artoni que recebia sua correspond\u00eancia. Sargento do Ex\u00e9rcito, ele esteve no centro da engrenagem que fez desaparecer dez integrantes do Comit\u00ea Central do PCB entre 1974 e 1975. Nada disso teria sido poss\u00edvel sem a colabora\u00e7\u00e3o do agente Vin\u00edcius, o informante que Ney conseguiu no cora\u00e7\u00e3o do partido comunista. Vin\u00edcius permitiu que n\u00e3o s\u00f3 o Comit\u00ea Central fosse destro\u00e7ado, levando os militares aos seus encontros, mas tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pela queda da gr\u00e1fica do jornal A Voz Oper\u00e1ria. Terminado o trabalho no Brasil, ele foi enviado ao exterior. Artoni o levou at\u00e9 a fronteira com o sargento Marival Chaves. Vin\u00edcius foi para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, de l\u00e1, continuou a trabalhar para o Doutor Ney. Aqui, Artoni conta ter recebido uma correspond\u00eancia do informante vinda da Tchecoslov\u00e1quia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7802\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19.png\" width=\"600\" height=\"433\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19.png 600w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19-300x217.png 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7803\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19a.png\" width=\"267\" height=\"303\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19a.png 267w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto19a-264x300.png 264w\" sizes=\"(max-width: 267px) 100vw, 267px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O objetivo dos militares era neutralizar o PCB, conforme mostra o documento;\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">O partido era liderado por Lu\u00eds Carlos Prestes (ao lado)<\/span><span class=\"s1\" style=\"line-height: 1.3em;\"> \/ ESTAD\u00c3O ACERVO<\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>OS MILITARES E A GUERRA REVOLUCION\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O estudo da guerra revolucion\u00e1ria no Brasil foi marcado pelas obras de autores franceses e portugueses. \u00c9 dali que saiu o modelo usado nos DOIs no Brasil. Entre os autores mais lidos pelos militares brasileiros estava Gabriel Bonnet, cujo livro Guerras Insurrecionais e Revolucion\u00e1rias foi editado pela Biblioteca do Ex\u00e9rcito em 1963. A doutrina da guerra revolucion\u00e1ria, que via o conflito moderno como uma extens\u00e3o da guerra fria, uma esp\u00e9cie de guerra civil internacional combatida n\u00e3o apenas com armas, mas tamb\u00e9m com ideias, livros e a\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas foi largamente adotada no Pa\u00eds, transformando qualquer oposi\u00e7\u00e3o ao regime em ato de guerra. Aqui o general Agnaldo Del Nero Augusto, um dos ide\u00f3logos da linha dura do Ex\u00e9rcito, revela a import\u00e2ncia de Bonnet para a instru\u00e7\u00e3o da For\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p11\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7804\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto20a.jpg\" width=\"700\" height=\"500\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p class=\"p11\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7805\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto20.png\" width=\"186\" height=\"262\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O livro de Bonnet foi o mais difundido no Pa\u00eds sobre a guerra revolucion\u00e1ria; Os franceses (acima) lutaram em Argel e no interior da Arg\u00e9lia combatendo a insurg\u00eancia da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o da Arg\u00e9lia\u00a0 <span class=\"s1\">\/ REPRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018P\u00d4, ERASMO, MORREU MAIS UM A\u00cd\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fazia pouco tempo que o jornalista Vladimir Herzog morrera no DOI quando o oper\u00e1rio Manoel Fiel Filho foi morto no destacamento. Ele foi encontrado pela per\u00edcia t\u00e9cnica com a cabe\u00e7a pr\u00f3xima da janela onde estavam as tiras de pano que passava em torno de seu pesco\u00e7o, o oper\u00e1rio tinha os p\u00e9s dobrados no ch\u00e3o, pois n\u00e3o havia v\u00e3o suficiente para que o corpo ficasse pendurado. Erasmo Dias, ent\u00e3o secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, foi chamado pelo general Antonio Ferreira Marques, rec\u00e9m-nomeado chefe do Estado-Maior do 2.\u00ba Ex\u00e9rcito. O secret\u00e1rio conta aqui como levou um m\u00e9dico-legista at\u00e9 a sede do destacamento.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7806\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto21.jpg\" width=\"368\" height=\"562\" border=\"0\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto21.jpg 368w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto21-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 368px) 100vw, 368px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O coronel Erasmo Dias foi secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica de 1974 a 1978<span class=\"s1\">\/ ESTAD\u00c3O ACERVO<\/span><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018EU MARQUEI A HORA PARA O HERZOG SE APRESENTAR\u2019<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O coronel Jos\u00e9 Barros Paes era o todo-poderoso oficial que mandava na repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo entre 1974 e 1976. Como chefe da Se\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es do 2.\u00ba Ex\u00e9rcito, tinha sob suas ordens o DOI. Trinta anos depois da morte do jornalista Vladimir Herzog, o homem que o intimou para depor no destacamento deu sua primeira entrevista. Queria falar sobre o amigo, o general Torres de Melo, que comandara a PM paulista de 1974 a 1977. Durante a entrevista, o coronel condecorado com a Medalha do Pacificador, aceitou falar sobre os fatos de seu comando, como o caso Herzog, cuja vers\u00e3o de suic\u00eddio, afastada pela Justi\u00e7a, ele ainda mant\u00e9m. No segundo trecho, Paes revela que m\u00e9dicos-legistas faziam \u2018trabalhos pol\u00edticos para o DOI, para evitar um mal maior\u2019.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7807\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/foto22.jpg\" width=\"700\" height=\"1200\" border=\"0\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O jornalista Vladimir Herzog morto no DOI-Codi <span class=\"s1\">\/ POL\u00cdCIA CIVIL<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/address>\n<p class=\"p1\"><strong style=\"font-style: normal;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">LAN\u00c7AMENTO DO LIVRO &#8220;A CASA DA VOV\u00d3&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\"><span style=\"font-style: normal;\">A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo &#8220;Rubens Paiva&#8221; convida todos para o lan\u00e7amento do livro &#8220;A Casa da Vov\u00f3 &#8211; O centro de sequestro, tortura e morte do regime militar&#8221; escrito pelo jornalista Marcelo Godoy. O evento acontecer\u00e1 no dia 12\/12 \u00e0s 14h na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-xpa1\/v\/t1.0-9\/s526x395\/10342435_383227051855094_342646035720314400_n.jpg?oh=54d6cca74f005f97ef374978b2f6e8ee&amp;oe=5512CE90&amp;__gda__=1425987655_e70c1cddda764ca6f22df0616c91db94\" width=\"282\" height=\"395\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agentes do \u00f3rg\u00e3o criado pelos militares em 1969 para combater a grupos de esquerda contam como eles agiram at\u00e9 1991; entrevistas in\u00e9ditas revelam detalhes de pris\u00f5es e de mortes Ou\u00e7a o audio completo da mat\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7808"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7808"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13932,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7808\/revisions\/13932"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}