{"id":7816,"date":"2014-12-12T18:19:50","date_gmt":"2014-12-12T18:19:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/12\/comissao-da-verdade-lista-434-mortos\/"},"modified":"2014-12-12T18:19:50","modified_gmt":"2014-12-12T18:19:50","slug":"comissao-da-verdade-lista-434-mortos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/12\/comissao-da-verdade-lista-434-mortos\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade lista 434 mortos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Documento de 4,3 mil p\u00e1ginas cita tortura sofrida por Madre Maurina como um dos casos &#8216;mais dram\u00e1ticos&#8217;<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>Dois anos e sete meses ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) entregou ontem relat\u00f3rio final com 4.328 p\u00e1ginas apontando 377 pessoas como respons\u00e1veis por torturas e mortes durante a ditadura militar (1964-1985).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o listou 434 mortos e desaparecidos no per\u00edodo ditatorial. Entre eles est\u00e1 Nestor Vera, nascido em Ribeir\u00e3o Preto, em 1915. Ele atuou como lideran\u00e7a sindical e integrou a dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista do Brasil (PCB). Em 1964, com o golpe militar, Nestor perdeu os direitos pol\u00edticos e passou a viver na clandestinidade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ele foi visto pela \u00faltima vez em 1\u00ba de abril de 1975, quando tinha 59 anos, em uma farm\u00e1cia de Belo Horizonte (MG). Segundo a CNV, ele foi sequestrado pelos militares e morto com dois tiros \u00e0 queima roupa. At\u00e9 hoje, seus restos mortais n\u00e3o foram localizados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo a prefeita de Ribeir\u00e3o Preto, D\u00e1rcy Vera (PSD), o nome de Nestor era citado constantemente por seu av\u00f4 como sendo membro da fam\u00edlia, mas ela n\u00e3o sabe qual o grau de parentesco. \u201cEle [av\u00f4] dizia que ningu\u00e9m sabia de seu paradeiro\u201d, disse a prefeita ao A Cidade, em mar\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Local<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ribeir\u00e3o Preto tamb\u00e9m \u00e9 citado no relat\u00f3rio da CNV pelas torturas e abusos sexuais sofridos por Maurina Borges da Silveira (1926-2011), conhecida como Madre Maurina.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ela foi presa pelos militares acusada de fornecer o abrigo Lar Santana para guerrilheiros da Faln (For\u00e7as Armadas de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional) imprimirem o jornal O Berro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO caso da irm\u00e3 Maurina foi um dos mais dram\u00e1ticos, no qual a condi\u00e7\u00e3o de mulher e religiosa foi vilipendiada barbaramente\u201d, cita o relat\u00f3rio da CNV, tomando por base relato de \u00c1urea Moretti.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ribeir\u00e3o Preto, em junho deste ano, o irm\u00e3o de Maurina, Frei Manoel, confirmou que ela sofreu abusos sexuais, inclusive choque em seus seios e genitais, mas negou que a rela\u00e7\u00e3o tenha sido consumada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio da CNV cita, tamb\u00e9m, a pris\u00e3o de dois professores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeir\u00e3o (ver infogr\u00e1fico).<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade cita casos de Ribeir\u00e3o Preto<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7815\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/eedffafe-c180-4907-ba88-f8cfdd3770ac.jpg\" border=\"0\" width=\"640\" height=\"647\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/eedffafe-c180-4907-ba88-f8cfdd3770ac.jpg 640w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/eedffafe-c180-4907-ba88-f8cfdd3770ac-297x300.jpg 297w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Comiss\u00e3o da OAB de Ribeir\u00e3o ouviu 11 pessoas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em junho, a OAB de Ribeir\u00e3o Preto instalou a Comiss\u00e3o da Verdade local para apurar abusos praticados pela ditadura militar no munic\u00edpio, focando principalmente viola\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 foram ouvidas 11 pessoas. Segundo o presidente da Comiss\u00e3o, Feres Sabino, a conclus\u00e3o dos trabalhos deve ocorrer no primeiro semestre de 2015, com a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final e de um livro. Todos os depoimentos s\u00e3o gravados em v\u00eddeo e ser\u00e3o preservados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 detalhes das torturas praticadas no quartel militar de Ribeir\u00e3o em 1969, quando membros da Faln foram presos. Na ocasi\u00e3o, S\u00e9rgio Paranhos Fleury, citado pela CNV como um dos maiores torturadores, veio de S\u00e3o Paulo para aplicar pessoalmente torturas como espancamento, choque el\u00e9trico e pau de arara.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Estado torturador \u00e9 citado<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em seu relat\u00f3rio final, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) concluiu que \u00a0torturas e viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, principalmente durante a ditadura militar, faziam parte de uma pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEst\u00e1 perfeitamente configurada a pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de deten\u00e7\u00f5es ilegais e arbitr\u00e1rias e de tortura, assim como o cometimento de execu\u00e7\u00f5es, desaparecimentos for\u00e7ados e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres por agentes do Estado brasileiro\u201d, diz o relat\u00f3rio final.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entre os que sofreram tortura est\u00e1 a presidente Dilma Rousseff (PT). Ontem, durante a solenidade de entrega do relat\u00f3rio, ela chorou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o emitiu 29 recomenda\u00e7\u00f5es ao Estado brasileiro. A primeira delas \u00e9, justamente, que as For\u00e7as Armadas reconhe\u00e7am que violaram os Direitos Humanos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio cita, tamb\u00e9m, que os torturadores n\u00e3o est\u00e3o amparados pela Lei de Anistia, e por isso devem responder criminal, civil e administrativamente.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os membros da CNV pedem, ainda, a Pol\u00edcia Militar sob responsabilidade dos estados seja extinta.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; A Cidade<span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span> <\/span><span> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento de 4,3 mil p\u00e1ginas cita tortura sofrida por Madre Maurina como um dos casos &#8216;mais dram\u00e1ticos&#8217; Dois anos e sete meses ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) entregou ontem relat\u00f3rio final com 4.328 p\u00e1ginas apontando 377 pessoas como respons\u00e1veis por torturas e mortes durante a ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7816"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7816"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7816\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7815"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}