{"id":7824,"date":"2014-12-14T23:54:35","date_gmt":"2014-12-14T23:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/14\/ditadura-perseguia-gays-em-pernambuco\/"},"modified":"2014-12-14T23:54:35","modified_gmt":"2014-12-14T23:54:35","slug":"ditadura-perseguia-gays-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/14\/ditadura-perseguia-gays-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Ditadura perseguia gays em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>De estatura baixa, cabelos ondulados e vestido como um \u201chomem comum\u201d, Lolita, personagem conhecido das ruas do Recife nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, sintetiza a revolta dos homossexuais oprimidos durante o regime militar (1964-1985). \u201cJ\u00e1 tomei rev\u00f3lver de m\u00e3o de gente, um capit\u00e3o da tropa \u00e0 paisana. Tudo \u00e9 ocasi\u00e3o. Sempre fui vencedor\u201d, afirmava. A revolta do personagem, que ganhou p\u00e1ginas e mais p\u00e1ginas de jornais no per\u00edodo, no entanto, esconde uma mancha ainda pouco estudada entre os historiadores e sem qualquer tipo de investiga\u00e7\u00e3o em curso da Comiss\u00e3o da Verdade de Pernambuco. L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transg\u00eaneros (LGBT), ou apenas \u201chomossexuais\u201d (o termo era mais usado no per\u00edodo), foram oprimidos, perseguidos e at\u00e9 mesmo presos por conta da op\u00e7\u00e3o sexual durante o governo de exce\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas.\u00a0  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7823\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ditadura-militar.jpg\" border=\"0\" width=\"699\" height=\"535\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ditadura-militar.jpg 699w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ditadura-militar-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 699px) 100vw, 699px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O enredo chega a ser assustador, se comparado aos dias atuais, no qual casais gays podem circular livremente, adotar crian\u00e7as e at\u00e9 mesmo formalizar uma uni\u00e3o civil. Para se ter uma ideia, existia um \u00f3rg\u00e3o intitulado Delegacia de Costumes, que na d\u00e9cada de 1970 foi gerida por Djair Lopes Diniz, respons\u00e1vel pela vigil\u00e2ncia de comportamentos \u201cfora do padr\u00e3o\u201d. \u201cO ano de 1970 foi emblem\u00e1tico. Uma resolu\u00e7\u00e3o da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) proibiu que os travestis e homossexuais fossem vistos nas ruas durante o carnaval no estado. Seriam presos at\u00e9 os que observassem, \u2018quietinhos\u2019\u201d, destaca o historiador Sandro Silva, que concluiu o mestrado com a tem\u00e1tica no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria da UFRPE, em 2011. O n\u00famero de gays presos \u00e9 uma inc\u00f3gnita.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de trabalhos em curso da Comiss\u00e3o da Verdade de Pernambuco, que n\u00e3o possui uma \u00fanica comiss\u00e3o tem\u00e1tica nem realizou qualquer audi\u00eancia sobre o tema, \u00e9 um vazio que pode ser preenchido por outras frentes. A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade \u00e9 um dos exemplos. O livro Ditadura e homossexualidade, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela EdUFSCar, e organizado pelos historiadores Renan Quinalha e James Green, foi anexado ao relat\u00f3rio do colegiado nacional, que investigou os crimes pol\u00edticos praticados pelo regime no per\u00edodo. Nenhum artigo do livro menciona qualquer epis\u00f3sio no estado de Pernambuco.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao Diario, James Green, que \u00e9 professor de hist\u00f3ria da Brown University, nos Estados Unidos, relata que o clima de persegui\u00e7\u00e3o aos gays tamb\u00e9m era comum nos partidos que faziam oposi\u00e7\u00e3o ao regime miliar. \u201cInfelizmente, as esquerdas brasileiras nos anos 1960 e 1970 ainda mantiveram ideias conservadoras sobre o tema\u201d. Ele cita o caso de Hebert Daniel, militante da mesma organiza\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff (PT), o Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (Colina). \u201cEm 1967 e 1968, Herbert teve rela\u00e7\u00f5es homossexuais e percebeu que o grupo n\u00e3o aceitava a homossexualidade. Ele quis ser um revolucion\u00e1rio, entao abandou a sua sexualidade durante cinco anos\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De estatura baixa, cabelos ondulados e vestido como um \u201chomem comum\u201d, Lolita, personagem conhecido das ruas do Recife nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, sintetiza a revolta dos homossexuais oprimidos durante o regime militar (1964-1985). \u201cJ\u00e1 tomei rev\u00f3lver de m\u00e3o de gente, um capit\u00e3o da tropa \u00e0 paisana. Tudo \u00e9 ocasi\u00e3o. Sempre fui vencedor\u201d, afirmava. 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