{"id":7836,"date":"2014-12-18T12:17:36","date_gmt":"2014-12-18T12:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/18\/livro-reune-depoimentos-de-ex-presos-politicos-perseguidos-pelo-governo-paulista\/"},"modified":"2014-12-18T12:17:36","modified_gmt":"2014-12-18T12:17:36","slug":"livro-reune-depoimentos-de-ex-presos-politicos-perseguidos-pelo-governo-paulista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/12\/18\/livro-reune-depoimentos-de-ex-presos-politicos-perseguidos-pelo-governo-paulista\/","title":{"rendered":"Livro re\u00fane depoimentos de ex-presos pol\u00edticos perseguidos pelo governo paulista"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi lan\u00e7ado ontem (17), em S\u00e3o Paulo, um livro que conta a hist\u00f3ria de pessoas perseguidas pelo governo paulista durante a ditadura militar (1964-1985). Ex-Presos Pol\u00edticos: Mem\u00f3rias e Conquistas, de autoria do jornalista Claudio Blanc, re\u00fane depoimentos de militantes que resistiram \u00e0 repress\u00e3o. A obra foi produzida a partir de documentos e relatos arquivados na Secretaria Estadual da Justi\u00e7a e da Defesa da Cidadania, que serviam de base para os pedidos de repara\u00e7\u00e3o aos ex-presos. Desde a Lei 10.726\/2001, 1.853 pessoas foram indenizadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7835\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/doicodi.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos testemunhos \u00e9 do ferrovi\u00e1rio e advogado Raphael Martinelli, preso e torturado em 1970. De acordo com o autor, Martinelli era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e defensor da luta armada contra o regime militar e atuou ao lado de Carlos Marighella, tendo sido um dos fundadores da Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN). Atualmente com 90 anos, Martinelli foi representado no lan\u00e7amento do livro pela filha, a professora Rosa Maria. Ela destacou que as viola\u00e7\u00f5es sofridas pelo pai tiveram impacto sobre toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s sofremos muito na \u00e9poca do golpe, quando ele foi preso. Eu era ainda muito menina, tinha 8 anos. Tenho mem\u00f3rias daquele per\u00edodo, em que o visitava na pris\u00e3o e n\u00e3o o reconhecia. Ele estava machucado, magro, barbudo. Era uma pessoa irreconhec\u00edvel para mim. Como menina, n\u00e3o sabia do que se tratava, apenas cresci com uma inf\u00e2ncia silenciosa. Eu era filha de comunista, e isso era palavr\u00e3o na \u00e9poca. Essas coisas que a ditadura promove se estendem aos filhos e familiares\u201d, relatou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosa Maria conta que, somente depois de adulta, entendeu o que tinha se passado nos anos em que o pa\u00eds vivia um regime ditatorial. \u201cS\u00f3 fui tomar p\u00e9 aos 30 anos, porque, at\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o queria saber o que era. Eu roubei umas fitas que ele tinha e as assisti durante uma madrugada inteira. Fui ouvir as hist\u00f3rias das torturas, uma coisa de que meu pai nunca fala. Tomei p\u00e9 daquela hist\u00f3ria, que era a minha hist\u00f3ria tamb\u00e9m, de um quebra-cabe\u00e7as que eu n\u00e3o sabia montar.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outro caso descrito no livro \u00e9 o do reconhecimento de um feto como preso pol\u00edtico. O fato, que foi analisado pela Comiss\u00e3o Especial da Lei n\u00ba 10.726, ocorreu com a ex-guerrilheira Crimeia Grabois, presa em dezembro de 1972, quando estava gr\u00e1vida de sete meses. Mesmo gestante, ela sofreu torturas, com murros, chutes, palmat\u00f3ria e choques el\u00e9tricos. Ela conta no livro que continuou a sofrer torturas psicol\u00f3gicas no Hospital do Ex\u00e9rcito, para onde foi levada quando entrou em trabalho de parto. Crimeia relata que o beb\u00ea era medicado com tranquilizante para que n\u00e3o chorasse e ficou desnutrido, porque ela era impedida de amament\u00e1-lo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As torturas narradas pelas mulheres foram algumas das situa\u00e7\u00f5es que mais chamaram a aten\u00e7\u00e3o do autor Claudio Blanc. \u201cAnalisar os documentos e ver a descri\u00e7\u00e3o de punho dessas pessoas foi algo muito chocante. Ver imagens, fotografias, cad\u00e1veres. O que mais me surpreendeu foi o papel da mulher. Embora fossem situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas, mergulhar nesse universo foi surpreendente. Gr\u00e1vidas tinham que tomar inje\u00e7\u00f5es para deixar de produzir leite, pois o cheiro de leite nas sess\u00f5es de tortura enojava os torturados. Eram muitos os absurdos\u201d, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A secret\u00e1ria da Justi\u00e7a e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, lembrou que as repara\u00e7\u00f5es t\u00eam car\u00e1ter simb\u00f3lico diante das barbaridades promovidas pelo Estado. \u201cIniciativas como a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, do governo federal e as comiss\u00f5es criadas no \u00e2mbito dos estados, dos munic\u00edpios e das universidades trazem \u00e0 tona os desmandos cometidos no per\u00edodo sombrio da nossa hist\u00f3ria, quando o Estado foi o algoz. Conceder indeniza\u00e7\u00f5es diante das m\u00e1s pr\u00e1ticas do Estado \u00e9 simb\u00f3lico\u201d, declarou Eloisa durante o evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi lan\u00e7ado ontem (17), em S\u00e3o Paulo, um livro que conta a hist\u00f3ria de pessoas perseguidas pelo governo paulista durante a ditadura militar (1964-1985). Ex-Presos Pol\u00edticos: Mem\u00f3rias e Conquistas, de autoria do jornalista Claudio Blanc, re\u00fane depoimentos de militantes que resistiram \u00e0 repress\u00e3o. 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