{"id":7854,"date":"2015-01-19T14:01:34","date_gmt":"2015-01-19T14:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/19\/livro-sobre-guerrilha-do-araguaia-mescla-reportagem-e-memoria\/"},"modified":"2015-01-19T14:01:34","modified_gmt":"2015-01-19T14:01:34","slug":"livro-sobre-guerrilha-do-araguaia-mescla-reportagem-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/19\/livro-sobre-guerrilha-do-araguaia-mescla-reportagem-e-memoria\/","title":{"rendered":"Livro sobre Guerrilha do Araguaia mescla reportagem e mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Epis\u00f3dio ignorado \u00e0 \u00e9poca, devido \u00e0 censura durante a ditadura militar, a Guerrilha do Araguaia vem se tornando objeto de bibliografia cada vez mais extensa. Araguaia \u2013 Hist\u00f3rias de Amor e de Guerra, do jornalista Carlos Amorim, \u00e9 o sexto livro sobre a luta armada no interior do pa\u00eds, sem contar as obras de circula\u00e7\u00e3o regional e as biografias de participantes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7853\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/araguaia_02a_aberta73596.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>O autor tamb\u00e9m demonstra compet\u00eancia no trato das fontes, ao descartar, por inconfi\u00e1veis, livros produzido por militares e civis identificados com o ide\u00e1rio do golpe de 1964.\u00a0  <!--more-->  <\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Organizada pelo Partido Comunista do Brasil, a ousada e ing\u00eanua guerrilha pretendia derrubar a ditadura e instalar o socialismo de vi\u00e9s mao\u00edsta. Essa hist\u00f3ria foi contada pela primeira vez nos livros de Palm\u00e9rio D\u00f3ria e Fernando Portela, publicados no final dos anos 1970, depois de a guerrilha ter sido exterminada por uma expedi\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, outras tr\u00eas obras esclareceram detalhes de uma hist\u00f3ria ainda n\u00e3o de todo conhecida. Em 2005, Ta\u00eds Morais e Eumano Silva divulgaram documentos secretos do Ex\u00e9rcito, tarefa completada no ano seguinte por Hugo Studart. Em 2012, Leonencio Nossa exp\u00f4s o arquivo pessoal do major Curi\u00f3, o homem que personificou a pol\u00edtica de exterm\u00ednio dos guerrilheiros.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Beneficiando-se desses trabalhos, Amorim privilegia a vis\u00e3o do conjunto, algo que os outros autores sacrificaram para poder abrir mais espa\u00e7o para a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">A guerrilha \u00e9 apresentada no contexto pol\u00edtico, ideol\u00f3gico e cultural da \u00e9poca. A boa iniciativa, por\u00e9m, fica amea\u00e7ada quando, com frequ\u00eancia, um amplo painel do mundo dos anos 1960 e 70 disputa o foco narrativo com a guerra na selva.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O Araguaia de Amorim \u00e9 um livro h\u00edbrido. Tem reportagem, mem\u00f3ria, autobiografia, an\u00e1lise, digress\u00f5es, at\u00e9 sugest\u00e3o de trilha sonora, tudo embalado em uma prosa em primeira pessoa vazada num estilo esparramado.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Cinema<\/strong><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Com clara voca\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica \u2013 os intert\u00edtulos s\u00e3o antecedidos pela express\u00e3o \u201ccorta\u201d \u2013, a obra reconstitui cenas n\u00e3o presenciadas por Amorim, que se vale, como recurso ficcional, de uma \u201cc\u00e2mera imagin\u00e1ria do autor\u201d. Com trajet\u00f3ria profissional fincada na TV, o jornalista chega a embutir no texto indica\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de roteiro (\u201czoom-in na cara de um homem mais velho, a lente fechando devagar\u201d).<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o se destaque por interpreta\u00e7\u00f5es novas, Amorim argumenta, contra a vis\u00e3o predominante, que a guerrilha, iniciada em 1966, teria acabado em 1976, com o massacre da lideran\u00e7a do PCdoB em S\u00e3o Paulo, e n\u00e3o em 1973, quando o movimento no campo foi derrotado.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m crava um n\u00famero maior de mortos entre os guerrilheiros. Pela sua conta, teriam sido 94, e n\u00e3o 86, segundo documentos militares, ou 75, de acordo com o pr\u00f3prio PCdoB.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O autor tamb\u00e9m demonstra compet\u00eancia no trato das fontes, ao descartar, por inconfi\u00e1veis, livros com forte vi\u00e9s ideol\u00f3gico e sites como o Terrorismo Nunca Mais, produzido e mantido por militares, ex-militares e civis identificados com o ide\u00e1rio do golpe de 1964.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Por Oscar Pilagallo &#8211; <\/span> jornalista e autor de Hist\u00f3ria da Imprensa Paulista e A Hist\u00f3ria do Brasil no S\u00e9culo 20<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Observat\u00f3rio da Imprensa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Epis\u00f3dio ignorado \u00e0 \u00e9poca, devido \u00e0 censura durante a ditadura militar, a Guerrilha do Araguaia vem se tornando objeto de bibliografia cada vez mais extensa. Araguaia \u2013 Hist\u00f3rias de Amor e de Guerra, do jornalista Carlos Amorim, \u00e9 o sexto livro sobre a luta armada no interior do pa\u00eds, sem contar as obras de circula\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7854"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7853"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}