{"id":7855,"date":"2015-01-19T16:52:38","date_gmt":"2015-01-19T16:52:38","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/19\/relatorio-da-cnv-relata-tecnicas-de-torturas-durante-a-ditadura-militar\/"},"modified":"2015-01-19T16:52:38","modified_gmt":"2015-01-19T16:52:38","slug":"relatorio-da-cnv-relata-tecnicas-de-torturas-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/19\/relatorio-da-cnv-relata-tecnicas-de-torturas-durante-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da CNV relata t\u00e9cnicas de torturas durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade detalha as t\u00e9cnicas usadas para obter informa\u00e7\u00f5es de presos. Al\u00e9m de cobaias em aulas de torturas, aqueles que n\u00e3o resistiam eram incinerados  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tema obscuro na hist\u00f3ria brasileira, a pr\u00e1tica da tortura durante o per\u00edodo militar recebeu aten\u00e7\u00e3o especial nas investiga\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). Das 434 v\u00edtimas de morte do regime, 191 foram por execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria ou decorrente de torturas. A dificuldade em conseguir registros sobre o que se passava nos por\u00f5es da ditadura e dos pr\u00f3prios sobreviventes em lidar com momentos traum\u00e1ticos fizeram com que detalhes do que se passou nos 21 anos do regime militar ficassem por muito tempo esquecidos. No relat\u00f3rio da comiss\u00e3o est\u00e3o descritos m\u00e9todos usados para obter informa\u00e7\u00f5es de presos pol\u00edticos, que trazem \u00e0 tona horrores pouco conhecidos, como o uso de presos como cobaias em aulas de tortura e a incinera\u00e7\u00e3o de corpos de prisioneiros que n\u00e3o resistiram aos maus-tratos na usina de Cambahyba, no interior do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Dois cap\u00edtulos do relat\u00f3rio, divulgado em 10 dezembro, tratam de casos espec\u00edficos de mortes sob tortura e a constitui\u00e7\u00e3o de um estrutura do Estado para a pr\u00e1tica. Na primeira parte, o levantamento aborda os treinamentos recebidos por agentes brasileiros para aprender t\u00e9cnicas de tortura em escolas militares norte-americanas e brit\u00e2nicas. \u201cEmbora as For\u00e7as Armadas brasileiras ainda tratem veladamente do assunto, oficiais do Ex\u00e9rcito e da Aeron\u00e1utica mencionam em depoimentos a participa\u00e7\u00e3o em cursos na escola norte-americana do Panam\u00e1\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ao lado de oficiais de outros pa\u00edses latinos, que tamb\u00e9m viviam regimes ditatoriais, os militares brasileiros passaram per\u00edodos no exterior aprendendo t\u00e9cnicas para obter confiss\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es de prisioneiros. Em depoimento prestado no ano passado, o coronel Paulo Malh\u00e3es revelou algumas das t\u00e9cnicas aprendidas na Inglaterra, que j\u00e1 vinham sendo usadas no Reino Unido no tratamento de presos pol\u00edticos da Irlanda do Norte. Impedir o sono do prisioneiro e submet\u00ea-lo a grandes barulhos foram alguns dos m\u00e9todos ensinados pelos brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA metodologia da tortura se tornou um objeto de saber, um campo de conhecimento, produzido e transmitido entre os militares. Suas t\u00e9cnicas eram uma mat\u00e9ria ensinada aos membros das For\u00e7as Armadas, inclusive com demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, como declarados por presos pol\u00edticos usados como cobaias nessas aulas\u201d, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entre os relatos de v\u00edtimas que serviram como cobaias est\u00e1 o depoimento de Dulce Pandolfi, que em 20 de outubro de 1970 foi usada para as demonstra\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicas a um grupo de cerca de 20 oficiais. \u201cO professor, diante de seus alunos, fazia demonstra\u00e7\u00f5es com meu corpo. Enquanto levava choques el\u00e9tricos, pendurada no pau de arara, ouvi o professor dizer: \u2018Essa \u00e9 a t\u00e9cnica mais eficaz\u2019. Como comecei a passar mal, a aula foi interrompida e fui levada para a cela. A segunda parte da aula foi no p\u00e1tio. Ali fiquei um bom tempo amarrada no poste, com um capuz na cabe\u00e7a. Fizeram um pouco de tudo\u201d, contou Pandolfi.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>USINA DA MORTE<\/strong> Segundo o balan\u00e7o final da Comiss\u00e3o da Verdade, 243 pessoas foram v\u00edtimas de desaparecimento for\u00e7ado, parte delas mortas depois de longas sess\u00f5es de tortura, e tiveram os corpos destru\u00eddos por militares. Um dos locais usados para o sumi\u00e7o de corpos foi a Usina de Cambahyba, no interior do Rio de Janeiro. Em depoimento \u00e0 CNV, o ex-delegado Cl\u00e1udio Guerra contou que fez v\u00e1rias vezes o transporte de corpos retirados da Casa da Morte, local usado para tortura e execu\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos em Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A usina era propriedade do industrial Heli Ribeiro Gomes, vice-governador do Rio entre 1966 e 1970, que teria sido procurado por militares para emprestar alguns fornos para a incinera\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos assassinados pelo regime. \u201cNo per\u00edodo de 1974 e 1975, na mudan\u00e7a da pol\u00edtica americana, come\u00e7ou uma press\u00e3o muito grande em cima do governo brasileiro por causa do desaparecimento de corpos. Os coron\u00e9is que estavam no comando queriam um meio para fazer (os corpos) desaparecer mesmo. Ent\u00e3o, foi dada essa ideia de incinerar os corpos. Foi ent\u00e3o mudado o sistema\u201d, explicou Guerra.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o ex-delegado, as v\u00edtimas que n\u00e3o resistiam \u00e0s torturas ou que foram sumariamente executadas eram retiradas da Casa da Morte durante a noite em sacos pretos e levadas at\u00e9 a usina. \u201cApresentei o Heli, ent\u00e3o vice-governador, para o comandante. Sabia que eles queriam sumir com os corpos. Outras usinas da regi\u00e3o pertenciam a grupos de empres\u00e1rios, mas Cambahyba era s\u00f3 dele. De noite, traz\u00edamos os corpos e os coloc\u00e1vamos nas fornalhas. Muitos vieram da casa de Petr\u00f3polis. As cinzas eram jogadas em um tanque, que era chamado de piscina\u201d, afirmou Guerra, que publicou em 2012 relatos de sua trajet\u00f3ria como militar no livro Relatos de uma guerra suja.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade detalha as t\u00e9cnicas usadas para obter informa\u00e7\u00f5es de presos. 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