{"id":7856,"date":"2015-01-20T20:20:10","date_gmt":"2015-01-20T20:20:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/20\/militar-infiltrado-ajudou-a-emboscar-guerrilheiros\/"},"modified":"2015-01-20T20:20:10","modified_gmt":"2015-01-20T20:20:10","slug":"militar-infiltrado-ajudou-a-emboscar-guerrilheiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/20\/militar-infiltrado-ajudou-a-emboscar-guerrilheiros\/","title":{"rendered":"Militar infiltrado ajudou a emboscar guerrilheiros"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade ouviu depoimento de participante do Massacre de Medianeira<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>\u201cNa hora que acender a luz, voc\u00ea se joga (no ch\u00e3o)\u201d. Foi essa a principal instru\u00e7\u00e3o dada ao agente Ot\u00e1vio Rainolfo da Silva, membro do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), antes de adentrar na mata para uma opera\u00e7\u00e3o sigilosa.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Era julho de 1974. Motorista do batalh\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u (PR), Silva agia, ao lado do sargento Alberi Vieira dos Santos, como infiltrado entre cinco guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria, grupo clandestino que combatia a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes disso, os cinco guerrilheiros estavam exilados na Argentina. Haviam desistido da luta armada, mas foram convencidos a voltar por Alberi. Disfar\u00e7ado de esquerdista, o sargento dissera a eles que um novo foco de guerrilha seria formado no Oeste do Paran\u00e1. Os seis viajaram ent\u00e3o da Argentina ao Parque Nacional do Igua\u00e7u.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A luz era a senha para que os infiltrados se protegessem, instante em que os outros militares come\u00e7ariam a matar. A emboscada ficou conhecida como Massacre de Medianeira.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cDe repente, as luzes acenderam, e teve um tiroteio. Praticamente acabou com todo mundo. Se eu n\u00e3o me deitasse, tinha morrido tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A descri\u00e7\u00e3o foi feita por Silva \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1, em junho de 2013, numa sess\u00e3o reservada e em conjunto com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Parte de seu depoimento est\u00e1 no relat\u00f3rio do grupo paranaense, entregue em dezembro. O documento foi obtido pelo jornal \u201cFolha de S.Paulo\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os cinco guerrilheiros \u2013 Jos\u00e9 Lavecchia, Joel de Carvalho, Daniel Carvalho, Victor Carlos Ramos e o argentino Ernesto Ruggia \u2013 foram mortos na emboscada. Outro l\u00edder da VPR que se juntaria ao grupo, Onofre Pinto, foi assassinado pelos militares dias depois. Os corpos dos seis nunca foram achados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO Alberi falou para eles (os cinco guerrilheiros) que tinha muitas armas guardadas. Convenceu na crocodilagem\u201d, contou Silva.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Onofre ficara num s\u00edtio porque era \u201cmuito conhecido\u201d. Junto com o ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu e outros, ele havia sido banido do pa\u00eds ap\u00f3s o sequestro e a liberta\u00e7\u00e3o do embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, em 1969.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Onofre foi levado a um centro do Ex\u00e9rcito, onde tentaram convenc\u00ea-lo a atuar como \u201ccachorro\u201d (militante que mudou de lado e ajudava os militares). Dias depois, recebeu uma inje\u00e7\u00e3o de shelltox, um inseticida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Silva, Onofre teve os dedos, a arcada dent\u00e1ria e tripas removidos. Depois foi jogado num rio. Os demais foram enterrados no parque, sup\u00f5e o motorista.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal chegou a abrir um inqu\u00e9rito em 2009 para apurar o desaparecimento dos militantes, mas o arquivou por falta de provas.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Malh\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Operador. Alberi, morto em 1979, era o principal ator da opera\u00e7\u00e3o, chamada Juriti. Um de seus comandantes era o coronel Paulo Malh\u00e3es, que, em 2014, assumiu torturas \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional da Verdade ouviu depoimento de participante do Massacre de Medianeira \u201cNa hora que acender a luz, voc\u00ea se joga (no ch\u00e3o)\u201d. 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