{"id":7863,"date":"2015-01-26T10:08:12","date_gmt":"2015-01-26T10:08:12","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/26\/94-anos-de-luiz-maranhao\/"},"modified":"2015-01-26T10:08:12","modified_gmt":"2015-01-26T10:08:12","slug":"94-anos-de-luiz-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/01\/26\/94-anos-de-luiz-maranhao\/","title":{"rendered":"94 anos de Luiz Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Personalidade marcante que sempre defendeu o respeito \u00e0s liberdades civis, os direitos humanos e as garantias fundamentais. Em toda a sua vida lutou por uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social que poderia ser adotada para a prote\u00e7\u00e3o da coletividade, das liberdades individuais e de um Estado Democr\u00e1tico de Direito pleno com \u00eanfase na solidariedade. Foi um dos maiores s\u00edmbolos da resist\u00eancia ao regime militar, instalado no Brasil em 1964. \u00c9 assim que podemos definir a figura hist\u00f3rica de Luiz Ign\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho, nascido em Natal, no dia 25 de janeiro de 1921.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sua incans\u00e1vel busca por uma sociedade justa, fraterna e solid\u00e1ria esse militante comunista, trabalhou durante toda a sua vida na possibilidade da a\u00e7\u00e3o conjunta com os crist\u00e3os. Era dotado de grande estatura pol\u00edtica e grandeza humana. Respeitava como poucos as diferen\u00e7as entre os indiv\u00edduos e possu\u00eda rara capacidade de saber ouvir as pessoas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Separado da mulher Odette Maranh\u00e3o, da fam\u00edlia e dos amigos pela clandestinidade no Rio de Janeiro ou S\u00e3o Paulo, onde ficava em casa de amigos ou morando em apartamentos provis\u00f3rios, alugados em nome de outras pessoas, Luiz Maranh\u00e3o jamais pensou em largar a vida de sacrif\u00edcios e de tormentos. Estava convencido de que era preciso transformar a sociedade e as rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Luiz Maranh\u00e3o intensificou as exposi\u00e7\u00f5es para os estudantes do PCB sobre a import\u00e2ncia da Igreja Cat\u00f3lica, utilizando os textos do Conc\u00edlio Vaticano II e as enc\u00edclicas Mater et Magistra, Pacem in Terris e Populorum Progressio. As for\u00e7as da repress\u00e3o perceberam essa poss\u00edvel caminhada entre comunistas e crist\u00e3os. Em junho de 1970, no Rio de Janeiro, policiais do 1\u00ba Distrito Naval fizeram in\u00fameras pris\u00f5es, submetendo os presos \u00e0 tortura e espancamentos, sob a alega\u00e7\u00e3o de que praticavam atividades \u201canti-revolucion\u00e1rias\u201d. A partir de ent\u00e3o, um processo dessa institui\u00e7\u00e3o naval, desdobrou-se em cinco Inqu\u00e9ritos Policial Militar (IPM), durante 14 meses, que procurava colher informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades de Luiz Maranh\u00e3o na \u00e1rea da Igreja Cat\u00f3lica. Aos presos interrogados a pergunta que n\u00e3o podia faltar: \u201co que Luiz Maranh\u00e3o falava sobre a Igreja Cat\u00f3lica?\u201d. As respostas, quando positivas, tinham em comum a afirma\u00e7\u00e3o de que Luiz Maranh\u00e3o falava sobre a import\u00e2ncia da Igreja e da necessidade de aproxima\u00e7\u00e3o com esta institui\u00e7\u00e3o nas lutas pelas liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O golpe militar de 1964 foi uma dr\u00e1stica interrup\u00e7\u00e3o de um processo social de crescimento da democracia brasileira, bem como de amplia\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo. Os argumentos dos defensores do golpe s\u00e3o injustific\u00e1veis. Dizer que os militares atuaram para colocar fim \u00e0 crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que dividia o pa\u00eds naquela \u00e9poca \u00e9 um contra- senso. Na verdade, para dar continuidade \u00e0 democracia, era necess\u00e1rio ter mais democracia e n\u00e3o um golpe de Estado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 1973, o Comit\u00ea Central do PCB reuniu-se, com in\u00fameras dificuldades, para avaliar a seguran\u00e7a de seus dirigentes. Discutiu-se a sa\u00edda do Pa\u00eds ou a perman\u00eancia nele. Luiz Maranh\u00e3o preferiu ficar. Mudou-se do Rio para S\u00e3o Paulo. A esposa Odette Maranh\u00e3o fez-lhe um apelo para que ele deixasse o pa\u00eds. Ouviu dele a resposta: \u201cn\u00e3o h\u00e1 perigo. Essa \u00e9 a minha vida\u201d. Entre 27 de mar\u00e7o e 3 de abril de 1974, Luiz Maranh\u00e3o fora sequestrado\u00a0 e preso em S\u00e3o Paulo pelas for\u00e7as da repress\u00e3o. Come\u00e7ava o supl\u00edcio da esposa Odette: viagens ao Rio, S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia na busca por informa\u00e7\u00f5es do marido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diante de tanta dor, restou apenas a Odette Maranh\u00e3o as marcas do amor deixadas em seu esp\u00edrito e em seu corpo. As lembran\u00e7as e a \u00faltima mensagem enviada pelo seu marido no dia do anivers\u00e1rio dela, em 10 de fevereiro de 1973, um ano antes do desaparecimento dele ficaram gravadas na sua mente: \u201cser\u00e1 sempre maio para o nosso amor\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Tribuna do Norte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Personalidade marcante que sempre defendeu o respeito \u00e0s liberdades civis, os direitos humanos e as garantias fundamentais. 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