{"id":7933,"date":"2015-04-30T15:30:24","date_gmt":"2015-04-30T15:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/04\/30\/ines-etienne-romeu-unica-sobrevivente-da-casa-da-morte\/"},"modified":"2015-04-30T15:30:24","modified_gmt":"2015-04-30T15:30:24","slug":"ines-etienne-romeu-unica-sobrevivente-da-casa-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/04\/30\/ines-etienne-romeu-unica-sobrevivente-da-casa-da-morte\/","title":{"rendered":"In\u00eas Etienne Romeu, \u00fanica sobrevivente da Casa da Morte"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">In\u00eas Etienne Romeu morreu na segunda-feira aos 72 anos em sua casa em Niter\u00f3i, na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. A ex-guerrilheira foi a \u00fanica sobrevivente de um dos principais centros de tortura da ditadura brasileira (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7932\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/1430337262_432499_1430337398_noticia_normal.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address \/>In\u00eas Etienne, entre Rousseff e Lula durante a entrega do pr\u00eamio dos Direitos Humanos de 2009. \/ <span class=\"s1\" \/>GLOBO \/ GETTY  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nascida em 1942 em Pouso Alegre, Minas Gerais, In\u00eas Etienne integrou a Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares, organiza\u00e7\u00e3o de extrema esquerda que sequestrou o embaixador su\u00ed\u00e7o no Rio de Janeiro, da qual tamb\u00e9m fez parte a presidenta Dilma Rousseff. A militante foi detida em maio de 1971 em S\u00e3o Paulo e trasladada paraa conhecida Casa da Morte de Petr\u00f3polis, munic\u00edpio perto do Rio de Janeiro, n\u00e3o sem resist\u00eancia de sua parte: chegou a se jogar diante de um \u00f4nibus quando a transferiam de uma cidade para outra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quem entrava na casa de Petr\u00f3polis n\u00e3o sa\u00eda vivo. \u201cClaro que d\u00e1vamos sustos, e o susto sempre era a morte. A casa era para isso\u201d, reconheceu o tenente-coronel Paulo Malh\u00e3es diante da Comiss\u00e3o da Verdade, que investigou os crimes da ditadura. Ali perdeu a vida uma vintena de pessoas. Somente In\u00eas Etienne sobreviveu. Mas os 96 dias de torturas, estupros e humilha\u00e7\u00f5es a marcaram para sempre. \u201cEstava destro\u00e7ada, doente, reduzida a um verme, obedecia como uma aut\u00f4mata\u201d, contou depois. Durante o sequestro, tentou suicidar-se outras duas vezes. Conseguiu sair ao fingir que aceitava tornar-se informante de seus captores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 1971, a justi\u00e7a oficializou sua deten\u00e7\u00e3o e a condenou \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. Foi a \u00faltima presa pol\u00edtica do regime militar a ser libertada, com a lei da anistia de 1979.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As anota\u00e7\u00f5es que In\u00eas Etienne fez ao sair da Casa da Morte, ainda em plena ditadura, ajudaram a identificar nove militantes esquerdistas assassinados no mesmo local. A ex-guerrilheira fez um registro detalhad\u00edssimo e apresentou os relatos \u00e0 Ordem dos Advogados do Brasil em 1979. Sabia at\u00e9 o n\u00famero do telefone da casa para onde a levaram \u201ccom os olhos vendados\u201d porque escutou quando um dos torturadores respondeu a um telefonema. Identificou um m\u00e9dico que ajudava os torturadores, Am\u00edlcar Lobo, e o propriet\u00e1rio da casa: \u201cVisitava o lugar e mantinha rela\u00e7\u00f5es cordiais com seus ocupantes. \u00c9 estrangeiro, provavelmente alem\u00e3o. Tem um c\u00e3o dinamarqu\u00eas cujo nome \u00e9 Kill. Embora n\u00e3o participe pessoalmente das atividades e atrocidades cometidas ali, tem pleno conhecimento delas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2003, aos 61 anos, In\u00eas Etienne sofreu um misterioso percal\u00e7o. Um marceneiro foi at\u00e9 a sua casa realizar um servi\u00e7o. Uma faxineira a descobriu no dia seguinte no ch\u00e3o, ferida na cabe\u00e7a. A pol\u00edcia qualificou o caso como acidente dom\u00e9stico, mas um relat\u00f3rio m\u00e9dico garantia que havia \u201csinais de traumatismo craniano devido a m\u00faltiplos golpes\u201d. O suspeito nunca foi identificado e depois disso ela teve dificuldades para falar e se movimentar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2009 recebeu o pr\u00eamio dos Direitos Humanos do Brasil na categoria de Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade. O ent\u00e3o presidente, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, lhe disse: \u201cMinha querida In\u00eas, s\u00f3 queria lhe dizer uma coisa: valeu a pena cada gesto que fizeram, cada choque que voc\u00eas tomaram, cada apert\u00e3o que voc\u00eas tiveram\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o do ano passado, In\u00eas Etienne dep\u00f4s perante a Comiss\u00e3o da Verdade, que em dezembro publicou um arrepiante documento, segundo o qual 434 pessoas morreram ou desapareceram durante a ditadura. Depois da audi\u00eancia p\u00fablica na qual In\u00eas Etienne falou deafogamentos, choques el\u00e9tricos e estupros sistem\u00e1ticos, ela foi ovacionada pelo p\u00fablico e sua irm\u00e3 Celina declarou: \u201cA sua hist\u00f3ria \u00e9 de hero\u00edsmo, voc\u00ea n\u00e3o tem mais o que temer. Voc\u00ea venceu\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00eas Etienne Romeu morreu na segunda-feira aos 72 anos em sua casa em Niter\u00f3i, na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. A ex-guerrilheira foi a \u00fanica sobrevivente de um dos principais centros de tortura da ditadura brasileira (1964-1985). \u00a0 In\u00eas Etienne, entre Rousseff e Lula durante a entrega do pr\u00eamio dos Direitos Humanos de 2009. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7933"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}