{"id":7934,"date":"2015-05-02T01:26:57","date_gmt":"2015-05-02T01:26:57","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/02\/este-e-o-pior-momento-de-nossa-historia-republicana-nao-precisamos-de-intervencao-militar\/"},"modified":"2015-05-02T01:26:57","modified_gmt":"2015-05-02T01:26:57","slug":"este-e-o-pior-momento-de-nossa-historia-republicana-nao-precisamos-de-intervencao-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/02\/este-e-o-pior-momento-de-nossa-historia-republicana-nao-precisamos-de-intervencao-militar\/","title":{"rendered":"\u201cEste \u00e9 o pior momento de nossa hist\u00f3ria republicana; n\u00e3o precisamos de interven\u00e7\u00e3o militar!\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">A frase que d\u00e1 t\u00edtulo a esta mat\u00e9ria \u00e9 de um nome de relevo de nosso jornalismo investigativo, Saulo Gomes. Ele iniciou sua carreira em 1956, na R\u00e1dio Continental do Rio de Janeiro. Em seis d\u00e9cadas ininterruptas de atividades, recebeu alguns dos mais importantes pr\u00eamios do jornalismo nacional e por sua independ\u00eancia, acumulou mais de uma centena de processos judiciais, sendo preso e exilado logo ap\u00f3s o golpe de 64. \u00c9 o atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos (ABAP) e o respons\u00e1vel pela recente edi\u00e7\u00e3o do livro A coragem da inoc\u00eancia, sobre a vida e a obra de Madre Maurina Borges da Silveira, presa e torturada pelos agentes da ditadura militar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/saopauloreview.files.wordpress.com\/2015\/04\/blog_literatura_site2.jpg?w=829&#038;h=760\" border=\"0\" width=\"276\" height=\"253\" \/>  <!--more-->  <br \/><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia contar sobre sua forma\u00e7\u00e3o e como surgiu o interesse pelo jornalismo?<\/strong> Sempre fui muito ativo e falante e quando, em 1955, a R\u00e1dio Continental do Rio de Janeiro anunciou o concurso para a admiss\u00e3o de um rep\u00f3rter, eu me inscrevi. Entre \u00a0200 candidatos, fui aprovado em primeiro lugar. Iniciei minhas atividades em janeiro de 1956 e, at\u00e9 hoje, procuro honrar a classe. Projetei meu nome atrav\u00e9s do jornalismo investigativo. A Lei 972\/69, proporcionou meu registro profissional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Que experi\u00eancias destaca como mais marcantes em seis d\u00e9cadas como jornalista? <\/strong>Tenho muitas, v ou destacar algumas. Em 1960, o programa sobre a Fera da Penha, no Rio de Janeiro, anos mais tarde levado ao no programa Linha Direta, da TV Globo. Em 1961, convivi 47 dias na selva amaz\u00f4nica, com os \u00edndios Kaiap\u00f3s. Em 1968, fiz uma viagem de jangada, do Rio de Janeiro a Santos, que durou sete dias, ficando perdido por dois dias em alto mar. Em 1971, o programa\u00a0 Pinga-Fogo com Chico Xavier, na TV Tupi e outras tantas que poderia citar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi um dos primeiros jornalistas cassados pelo golpe militar de 64. A que se deveu isso?<\/strong> Como diretor de jornalismo da R\u00e1dio Mairinque Veiga, no Rio, liderei a rede da legalidade, no final de mar\u00e7o de 1964, com o companheiro Emilson Fr\u00f3es, da R\u00e1dio Nacional. O jornalismo arrojado que eu exercia me fez o alvo principal de civis e militares. Fui exilado no Uruguai, cassado pelo Presidente Castelo Branco e preso ao regressar ao Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Por v\u00e1rios anos contratado dos Di\u00e1rios Associados, apoiadores do regime ditatorial instalado no pa\u00eds a partir de mar\u00e7o de 64, sofreu muitas restri\u00e7\u00f5es no trabalho que l\u00e1 desenvolveu? <\/strong>Edmundo Monteiro, diretor presidente dos Di\u00e1rios Associados, respeitava as opini\u00f5es dos funcion\u00e1rios, desde que n\u00e3o interferisse na atividade profissional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a controversa figura de Assis Chateaubriand, com quem conviveu, o que dizer? <\/strong>Assis Chateaubriand tratava com respeito seus profissionais, sem abdicar de sua autoridade. Para ele, a not\u00edcia estava em primeiro lugar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Chico Xavier, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es perseguido pelos Di\u00e1rios Associados, a seu convite acabou sendo o respons\u00e1vel pela maior audi\u00eancia da hist\u00f3ria da TV Tupi, ao participar do programa Pinga-Fogo, em 1971. O que levou a emissora a mudar de ideia em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9dium?<\/strong> Os tempos eram outros. Os fatos ocorridos no passado ficaram para tr\u00e1s. Na verdade, o que aconteceu foi que eu precisei persuadir meus diretores a entrevistar o m\u00e9dium Chico Xavier no programa Pinga-Fogo, programa esse que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 entrevistava personalidades da \u00e1rea pol\u00edtica e empresarial.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A que atribui o conservadorismo em entrevistas que concedeu ao longo dos anos 70, Chico Xavier sempre se mostrou simp\u00e1tico ao regime militar, ao contr\u00e1rio de v\u00e1rios l\u00edderes cat\u00f3licos com posi\u00e7\u00f5es progressistas pol\u00edtico do religioso mineiro? <\/strong>Na verdade, a posi\u00e7\u00e3o de Chico se aproximava dos dirigentes cat\u00f3licos, como D. Paulo Evaristo Arns. Chico respeitava, mas sofria com as not\u00edcias de tortura. D. Paulo mudou de posi\u00e7\u00e3o a partir de 1969, com o epis\u00f3dio de Madre Maurina Borges da Silveira, presa, torturada e banida, acusada como terrorista. Chico discretamente ajudou a muitos perseguidos, em Minas Gerais, e no decorrer de sua vida sempre manteve respeito aos governos \u2013 antes, durante e depois do regime militar. Ele nunca levantou bandeira para nenhum partido ou governo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sua liga\u00e7\u00e3o com o espiritismo come\u00e7ou ao entrevistar pela primeira vez Chico Xavier,\u00a0 em 1968, ou j\u00e1 existia? Eu nunca professei nenhuma religi\u00e3o. Depois de 1968, a conviv\u00eancia com Chico Xavier, por mais de trinta anos, me aproximou do espiritismo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre seu trabalho na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos, algum balan\u00e7o a fazer? <\/strong>Foram anistiados pela ABAP, nos seus 20 anos de exist\u00eancia, pouco mais de mil e quinhentos companheiros. O trabalho desenvolvido por seus fundadores, Carlos Fernandes e Alexandrina Cristensen, foi muito prof\u00edcuo. A lei 10.559, assinada por Fernando Henrique, em 2002, teve, em grande parte, textos elaborados por Carlos Fernandes. \u00a0Ao assumir a presid\u00eancia, em dezembro de 2013, juntamente com meus companheiros de diretoria, dei continuidade \u00e0 linha de trabalho deles, sendo que alguns desses companheiros s\u00e3o fundadores da ABAP.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que a imprensa brasileira seja isenta e que haja plena liberdade aos profissionais que nela militam? <\/strong>Acredito que haja uma censura, velada, de alguns \u00f3rg\u00e3os de imprensa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>As televis\u00f5es abertas, em sua luta insana por audi\u00eancia, n\u00e3o ter\u00e3o perdido por completo o sentido \u00e9tico?<\/strong> De um modo geral, sim. A maior parte dos rep\u00f3rteres s\u00e3o \u201cseguradores de microfone\u201d. Os tempos s\u00e3o outros!<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Como analisa o atual momento pol\u00edtico que vive o pa\u00eds e o saudosismo dos que defendem nova interven\u00e7\u00e3o militar? <\/strong>Que ant\u00eddoto temos contra eles? \u00c9 o pior momento de nossa hist\u00f3ria republicana. N\u00e3o precisamos de interven\u00e7\u00e3o militar. \u00c9 s\u00f3 aplicar e fazer cumprir as leis. Nada impede que militares sejam candidatos \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica. Dos trinta e seis presidentes da rep\u00fablica que o Brasil j\u00e1 teve, desde 1889 at\u00e9 hoje, nove militares foram eleitos pelo voto, direto e indireto.\u00a0 J\u00e1 tivemos tamb\u00e9m duas juntas militares. \u00a0Os militares, assim como os civis, acima de 35 anos, podem se candidatar \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica. N\u00e3o precisamos de canh\u00f5es, nem de baionetas. A arma do povo \u00e9 o voto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 15.8079996109009px;\"><strong>Por\u00a0Angelo Mendes Corr\u00eaa e Itamar Santos *<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Angelo Mendes Corr\u00eaa <\/strong>&#8211; mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Itamar Santos &#8211;<\/strong> mestrando em Literatura Comparada pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Fonte &#8211; <a href=\"http:\/\/saopauloreview.com.br\/\"><span class=\"s2\">S\u00e3o Paulo Review<\/span><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A frase que d\u00e1 t\u00edtulo a esta mat\u00e9ria \u00e9 de um nome de relevo de nosso jornalismo investigativo, Saulo Gomes. 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