{"id":7938,"date":"2015-05-05T01:56:23","date_gmt":"2015-05-05T01:56:23","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/05\/filme-reencontra-presos-politicos-da-ditadura\/"},"modified":"2015-05-05T01:56:23","modified_gmt":"2015-05-05T01:56:23","slug":"filme-reencontra-presos-politicos-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/05\/filme-reencontra-presos-politicos-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Filme reencontra presos pol\u00edticos da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7937\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/0405va0301.JPG\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Setenta revela os bastidores do sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o durante a ditadura brasileira a partir do relato de 18 ex-militantes<\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 7 de dezembro de 1970, Giovanni Enrico Bucher seguia para a embaixada su\u00ed\u00e7a no Rio de Janeiro, como fazia todos os dias pela manh\u00e3. Dispensando qualquer aparato de seguran\u00e7a, ele estava em seu Buik azul quando foi parado na rua Conde de Baependi, no Flamengo, e sequestrado por um grupo de jovens armados. A a\u00e7\u00e3o tinha como prop\u00f3sito a liberta\u00e7\u00e3o de 70 presos pol\u00edticos que sofriam torturas nos por\u00f5es das cadeias brasileiras.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foram 40 dias de negocia\u00e7\u00f5es entre governo e sequestradores, at\u00e9 que se chegasse ao consenso de quem poderia embarcar em dire\u00e7\u00e3o ao Chile. O que poderia ser contado como hist\u00f3rias de hero\u00edsmo e drama ganha novas cores no document\u00e1rio Setenta, lan\u00e7ado em DVD pelo Canal Brasil. Diante da c\u00e2mera, est\u00e3o 18 ex-militantes que subiram naquele avi\u00e3o rumo a um destino desconhecido. Com poucas l\u00e1grimas, muita seriedade e algumas risadas, as hist\u00f3rias come\u00e7am em aparelhos clandestinos, seguem para o pau-de-arara e partem para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (onde muitos ca\u00edram em outras ditaduras) e da Europa, onde outros tiveram que conviver com o frio e a solid\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Setenta \u00e9 dirigido por Em\u00edlia Silveira, jornalista e ex-presa pol\u00edtica que trabalha com dire\u00e7\u00e3o de programa de TV. Em 2003, ela soube por um dos personagens do filme que alguns sobreviventes do epis\u00f3dio ainda se reuniam no restaurante Lamas, no Rio de Janeiro. Curiosa para saber como eram esses encontros, ela foi a um, filmou e saiu com a ideia de registrar outras hist\u00f3rias. Dos 25 entrevistados, ficaram 18, todos identificados apenas pelo primeiro nome, remetendo aos codinomes usados por eles na clandestinidade. Sem didatismo ou panfletagem, cada personagem d\u00e1 seu relato \u00edntimo proporcionando uma grande colagem de \u00edmpetos juvenis, frustra\u00e7\u00f5es, revis\u00f5es pessoais e orgulhos que precisavam ser reacendidos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">\u201cA sociedade brasileira era um grande churrasco dentro de paiol de muni\u00e7\u00e3o, com cerveja e cacha\u00e7a. Em algum momento, algu\u00e9m deixou uma granada cair\u201d, define Wilson Neg\u00e3o em seu depoimento. O filho de militar ri do pr\u00f3prio coment\u00e1rio, assim como Vera ri quando lembra as palavras que usou na hora que teve de atirar contra os militares que invadiram o aparelho onde ela estava com outros companheiros. Sem querer fazer pouco da coragem de d\u00e9cadas atr\u00e1s, as risadas trazem algo de nervoso e desconfian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Com cerca de 80 minutos, Setenta tamb\u00e9m passa por situa\u00e7\u00f5es sui generis, como Marc\u00e3o, que foi torturado por tr\u00eas ex-colegas do col\u00e9gio militar, ou Brito, preso junto com duas irm\u00e3s, primos e a m\u00e3e, e denunciado para a pol\u00edcia pelo irm\u00e3o. E tem Nancy, americana de nascen\u00e7a, que nunca teve seu passaporte devolvido. Tem ainda Mara, que s\u00f3 entrou para a luta armada depois que teve o sexto filho. Sandra, uma de suas filhas, lembra que, certa vez, estava fazendo prova no col\u00e9gio quando o professor abriu um jornal e ela viu estampada uma foto sua no colo do pai com um enorme \u201cprocura-se\u201d escrito acima.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Contando tamb\u00e9m com depoimentos de \u00e9poca, recortes de jornais e trechos de filmes, Setenta relembra ainda a hist\u00f3ria de Tito de Alencar, frade dominicano cearense que morreu na Europa atormentando pelas torturas que sofreu no Brasil. Al\u00e9m de imagens de Tito no Chile, Frei Oswaldo fala do Natal que passou ao lado do amigo, em 1971, ano em que foi deportado, primeiramente, para o Chile e, depois, para a It\u00e1lia. Tr\u00eas anos depois, seu corpo seria encontrado morto pendurado a uma \u00e1rvore.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">Assim como a Tito, Setenta presta seu tributo a outras v\u00edtimas daqueles anos de trucul\u00eancia, como Iara Iavelberg. Ex-namorada de Lamarca e filha de fam\u00edlia abastada, ela trocou o conforto de casa pela clandestinidade e brigou por tempos mais tranquilos at\u00e9 os 27 anos, quando morreu durante um cerco policial em Salvador. Abrindo espa\u00e7o para reflex\u00f5es e leituras variadas, o document\u00e1rio encerra apontando para o futuro. \u201cVivemos num per\u00edodo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio. Quem fez sua revolu\u00e7\u00e3o fez. Quem n\u00e3o fez por muito tempo n\u00e3o far\u00e1 mais\u201d, sentencia Maur\u00edcio. (Marcos Sampaio)<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Setenta, Cole\u00e7\u00e3o Canal Brasil<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Dire\u00e7\u00e3o: Em\u00edlia Silveira<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7o m\u00e9dio: R$ 29,90<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Setenta revela os bastidores do sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o durante a ditadura brasileira a partir do relato de 18 ex-militantes Em 7 de dezembro de 1970, Giovanni Enrico Bucher seguia para a embaixada su\u00ed\u00e7a no Rio de Janeiro, como fazia todos os dias pela manh\u00e3. 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