{"id":7945,"date":"2015-05-12T18:17:02","date_gmt":"2015-05-12T18:17:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/12\/comissao-da-verdade-do-rj-ouve-legistas-que-assinaram-laudos-falsos-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2015-05-12T18:17:02","modified_gmt":"2015-05-12T18:17:02","slug":"comissao-da-verdade-do-rj-ouve-legistas-que-assinaram-laudos-falsos-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/05\/12\/comissao-da-verdade-do-rj-ouve-legistas-que-assinaram-laudos-falsos-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade do RJ ouve legistas que assinaram laudos falsos durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio) ouviu m\u00e9dicos legistas que assinaram laudos com falsas vers\u00f5es para mortes de ativistas pol\u00edticos na ditadura militar. Os casos foram contestados no relat\u00f3rio apresentado em 2014 pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. No documento, de 4,3 mil p\u00e1ginas, a comiss\u00e3o nacional apontou viola\u00e7\u00e3o de direitos entre 1964 e 1970 e contestou informa\u00e7\u00f5es de aut\u00f3psias que escondiam assassinatos e torturas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7944\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasil_rj_1_de_abril_64_iconographia__1.jpg\" border=\"0\" width=\"280,8\" height=\"206,4\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasil_rj_1_de_abril_64_iconographia__1.jpg 2808w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasil_rj_1_de_abril_64_iconographia__1-300x221.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasil_rj_1_de_abril_64_iconographia__1-768x565.jpg 768w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasil_rj_1_de_abril_64_iconographia__1-1024x753.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 2808px) 100vw, 2808px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre os casos do relat\u00f3rio, est\u00e1 o do militante do PCdoB Lincoln Bicalho Roque, morto em 1973 com diversos machucados e, pelo menos, 11 tiros pelo corpo. O jovem foi periciado pelo m\u00e9dico legista Graccho Guimar\u00e3es Silveira, que foi ouvido hoje.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da CEV-Rio, Wadih Damous, questionou Silveira sobre as incoer\u00eancias no laudo de Lincoln Bicalho. \u201cN\u00e3o havia p\u00f3lvora no corpo, ele foi encontrado no meio da rua com tiros por v\u00e1rios lados e as vestes n\u00e3o apresentavam o buraco dos tiros\u201d, disse Damous, contestando a tese de morte por rea\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O perito policial aposentado Levi Inimin\u00e1, que assessorou a comiss\u00e3o, apontou a aus\u00eancia de detalhes que omitem a entrada e a sa\u00edda dos proj\u00e9teis no corpo do militante pol\u00edtico e que poderiam indicar morte por execu\u00e7\u00e3o, neste caso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Silveira disse que n\u00e3o lembra detalhes espec\u00edficos da per\u00edcia, ocorridos h\u00e1 mais de 40 anos, por\u00e9m, negou qualquer interfer\u00eancia do regime no Instituto M\u00e9dico Legal (IML). &#8220;Eles [os militares] n\u00e3o eram bobos. Cad\u00e1veres que tinha coisa que demonstrasse erro, n\u00e3o eram levados para l\u00e1. Se hoje criminoso comum desparece, nunca \u00e9 achado, por que iam mandar para o IML corpos com tortura?\u201d, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Silveira disse tamb\u00e9m que os legistas, no per\u00edodo, chegavam a fazer at\u00e9 45 per\u00edcias por plant\u00e3o \u2013 o que prejudicava o detalhamento dos laudos \u2013, sem equipamentos para identificar les\u00f5es internas e a presen\u00e7a de p\u00f3lvora no corpo das v\u00edtimas. \u201cCad\u00e1veres crivados de bala \u00e9 rotina no IML ainda hoje\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o, no entanto, as incoer\u00eancias nos laudos tinham a fun\u00e7\u00e3o de encobrir a ditadura e justificar a repress\u00e3o. &#8220;O trabalho dos m\u00e9dicos legistas, \u00e0 \u00e9poca, examinando os cad\u00e1veres de perseguidos pol\u00edticos era um trabalho comprometido com os objetivos da ditadura de convencer a popula\u00e7\u00e3o de que se enfrentavam perigosos terroristas. Por isso, que os cad\u00e1veres eram levados ao IML. A ditadura usava os laudos para sustentar sua vers\u00e3o&#8221;, rebateu Damous.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O outro perito ouvido, Roberto Blanco, periciou o embaixador Jos\u00e9 Pinheiro Jobim, que na \u00e9poca escrevia um livro sobre corrup\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu, no Paran\u00e1, pelos militares, e foi encontrado pendurado pelo pesco\u00e7o por uma corda de nylon em 1973. O laudo de Blanco, que atestava morte do embaixador por enforcamento, subsidiou a per\u00edcia criminal que concluiu suic\u00eddio. No entanto, a vers\u00e3o foi alterada para assassinato, ap\u00f3s julgamento no Tribunal de Justi\u00e7a do Rio, na d\u00e9cada 1980.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Blanco disse ter sido isento. \u201cO meu laudo n\u00e3o diz que foi suic\u00eddio e tamb\u00e9m n\u00e3o diz que foi assassinato\u201d, declarou. \u201cDiz que foi enforcamento. Se foi usado pela Pol\u00edcia [Civil] para atestar suic\u00eddio, n\u00e3o \u00e9 problema meu, lamento sinceramente&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, peritos t\u00e9cnicos independentes alegam que Pinheiro Jobim foi pendurado depois de morto. \u201cEle era um homem de idade, com sa\u00fade fr\u00e1gil. Qualquer coisa podia t\u00ea-lo matado, como um infarto\u201d, citou o advogado da fam\u00edlia, Daniel Renout da Cunha. Ele lembrou que o embaixador foi sequestrado e ficou desaparecido por 36 horas antes de aparecer enforcado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia acredita que o aparecimento do corpo era um recado para os colaboradores do livro sobre Itaipu. A filha da v\u00edtima, Lygia Jobim, conta que at\u00e9 hoje recebe amea\u00e7as por telefone.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outros m\u00e9dicos legistas, de v\u00e1rios estados, foram listados no relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade por acobertar os crimes dos militares. O mais conhecido \u00e9 o legista Harry Shibata, que atestou a morte de Vladimir Herzog por suic\u00eddio, em S\u00e3o Paulo. Na verdade, o jornalista foi torturado at\u00e9 a morte em instala\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, no centro do Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio) ouviu m\u00e9dicos legistas que assinaram laudos com falsas vers\u00f5es para mortes de ativistas pol\u00edticos na ditadura militar. Os casos foram contestados no relat\u00f3rio apresentado em 2014 pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. 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