{"id":7976,"date":"2015-06-02T17:44:39","date_gmt":"2015-06-02T17:44:39","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/06\/02\/brasileira-lanca-livro-em-paris-sobre-operarios-exilados-durante-ditadura\/"},"modified":"2015-06-02T17:44:39","modified_gmt":"2015-06-02T17:44:39","slug":"brasileira-lanca-livro-em-paris-sobre-operarios-exilados-durante-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/06\/02\/brasileira-lanca-livro-em-paris-sobre-operarios-exilados-durante-ditadura\/","title":{"rendered":"Brasileira lan\u00e7a livro em Paris sobre oper\u00e1rios exilados durante ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A jornalista e pesquisadora sul-mato-grossense Maz\u00e9 Torquato Chotil, lan\u00e7ou nesta quarta-feira (27), na confedera\u00e7\u00e3o sindical francesa CFDT, em Paris, o livro &#8220;L&#8217;Exil Ouvrier &#8211; La Saga des Br\u00e9siliens Contraints au D\u00e9part&#8221; (em tradu\u00e7\u00e3o livre, &#8220;O Ex\u00edlio Oper\u00e1rio: A Saga dos Brasileiros For\u00e7ados a Partir&#8221;). Publicada em franc\u00eas pela editora Estaimpuis, o livro deve ganhar em breve uma vers\u00e3o em portugu\u00eas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.portugues.rfi.fr\/sites\/portugues.filesrfi\/dynimagecache\/0\/0\/288\/215\/344\/257\/sites\/images.rfi.fr\/files\/aef_image\/maze_paris.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Em seu novo livro, a jornalista e pesquisadora Maz\u00e9 Torquato Chotil descreve a trajet\u00f3ria de oper\u00e1rios exilados durante o regime militar no Brasil (1964-1985).<br \/>Divulga\u00e7\u00e3o  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A obra, fruto de uma pesquisa de p\u00f3s-doutorado na Escola de Altos Estudos de Ci\u00eancias Sociais de Paris (Ehess), sob dire\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo Afr\u00e2nio Garcia Jr., trata do ex\u00edlio de trabalhadores oper\u00e1rios, camponeses, militares de baixa patente e sindicalistas militantes durante o per\u00edodo da ditadura militar brasileira, de 1964 a 1985. Para situar o leitor, a escritora tamb\u00e9m narra o contexto pol\u00edtico e social mundial da \u00e9poca e faz um apanhado da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina a partir do momento da independ\u00eancia dos pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista a RFI, a escritora, que mora na Fran\u00e7a h\u00e1 mais de 30 anos, explicou que trabalhava como jornalista em Osasco (SP) em 1979, ano em que os exilados foram anistiados. O ex\u00edlio de oper\u00e1rios foi pouco tratado at\u00e9 hoje, ao contr\u00e1rio da partida for\u00e7ada de artistas, pol\u00edticos, jornalistas e estudantes durante a ditadura militar brasileira, o que a incentivou a pesquisar sobre o assunto.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.portugues.rfi.fr\/sites\/portugues.filesrfi\/imagecache\/aef_image_original_format\/sites\/images.rfi.fr\/files\/aef_image\/L%27EXIL.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"451\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">Capa do livro &#8220;L&#8217;Exil Ouvrier&#8221;.<\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No total, o regime militar prendeu 50 mil brasileiros no primeiro per\u00edodo da repress\u00e3o pol\u00edtica. Destes, 10 mil foram exilados no total. &#8220;O ex\u00edlio oper\u00e1rio \u00e9 pequeno e representa menos de 20% do total&#8221;, explica. Entre a mostra apurada pela pesquisadora, antes de deixar o Brasil, 30% eram oper\u00e1rios, 22% empregados de servi\u00e7os administrativos, 13% militares de baixa patente, 10% t\u00e9cnicos, 7% trabalhadores em servi\u00e7os de venda e 6% trabalhadores de servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o, 5% de trabalhadores rurais e 4% exerciam atividades informais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Trajet\u00f3ria dos exilados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A autora se focou menos na milit\u00e2ncia pol\u00edtica dos exilados oper\u00e1rios e mais na trajet\u00f3ria deles desde a sa\u00edda do Brasil at\u00e9 a chegada no estrangeiro. S\u00e3o relatos dessas experi\u00eancias que ela apresenta no livro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Minha pesquisa se concentrou na viv\u00eancia dessas pessoas. Na primeira fase do ex\u00edlio, o destino eram os pa\u00edses latino-americanos. E, depois com o come\u00e7o da ditadura a outros Estados na Am\u00e9rica do Sul, como o Chile, quis mostrar o que os exilados fizeram, por exemplo, para encontrar asilo nas embaixadas e para partir para a Europa, no segundo per\u00edodo do ex\u00edlio. As dificuldades com a l\u00edngua estrangeira, o frio, e encarar essa ideia de que n\u00e3o poderiam mais voltar para o Brasil.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Quatro anos de pesquisa<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para realizar a obra, foram necess\u00e1rios quatro anos de trabalho, pesquisa e an\u00e1lises de documentos que datam mais de 40 anos, dos quais muitos foram destru\u00eddos, e sobretudo buscas de testemunhos e entrevistas. &#8220;Comecei trabalhando nos arquivos do Dops [Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social] para saber quem eram os exilados que interessavam a pesquisa. Passei dois anos em busca de trabalhos universit\u00e1rios sobre o assunto e vasculhando o que a imprensa havia noticiado sobre essas pessoas. Em seguida, passei para a fase das entrevistas&#8221;, conta.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.portugues.rfi.fr\/sites\/portugues.filesrfi\/dynimagecache\/0\/0\/2576\/1283\/410\/204\/sites\/images.rfi.fr\/files\/aef_image\/Jose%20ibrahim%20004.JPG\" border=\"0\" width=\"410\" height=\"204\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">O ex-presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Osasco (SP), Jos\u00e9 Ibrahim, foi um dos entrevistados de Maz\u00e9. Ele faleceu em maio de 2013. <\/span><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">Maz\u00e9 Torquato Chotil<\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nessa fase, a autora encontrou novas dificuldades. Primeiro para localizar as pessoas. Depois, muitas das testemunhas procuradas j\u00e1 haviam morrido, outras estavam doentes. Alguns dos exilados se negaram a relembrar uma parte dolorida do passado. No total, Maz\u00e9 conseguiu realizar 43 entrevistas, das quais duas foram realizadas com filhos de exilados que n\u00e3o estavam mais vivos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Um ponto em comum<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com a finaliza\u00e7\u00e3o do livro, Maz\u00e9 descobriu um ponto em comum entre todos os exilados. &#8220;Pobre ou rico, intelectual, artista ou oper\u00e1rio, n\u00e3o poder voltar para casa \u00e9 uma experi\u00eancia infeliz a todos&#8221;, avalia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A escritora se diz chocada ao ver, durante os protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff em mar\u00e7o, brasileiros pedindo a volta da ditadura militar. &#8220;Eles n\u00e3o sabem o que \u00e9 liberdade, o que \u00e9 democracia. Li uma entrevista de uma professora do Rio de Janeiro que conta que seus alunos de 20 anos n\u00e3o sabem que houve um regime militar no Brasil. Espero que meu trabalho contribua para mostrar o que foi esse per\u00edodo&#8221;, conclui.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;L&#8217;Exil Ouvrier &#8211; La Saga des Br\u00e9siliens Contraints au D\u00e9part&#8221; estar\u00e1 a venda em breve no site franc\u00eas da Fnac e pode ser encomendado <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mariajose.chotil\">na p\u00e1gina Facebook de Maz\u00e9 Torquato Chotil<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; RFI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornalista e pesquisadora sul-mato-grossense Maz\u00e9 Torquato Chotil, lan\u00e7ou nesta quarta-feira (27), na confedera\u00e7\u00e3o sindical francesa CFDT, em Paris, o livro &#8220;L&#8217;Exil Ouvrier &#8211; La Saga des Br\u00e9siliens Contraints au D\u00e9part&#8221; (em tradu\u00e7\u00e3o livre, &#8220;O Ex\u00edlio Oper\u00e1rio: A Saga dos Brasileiros For\u00e7ados a Partir&#8221;). 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