{"id":7987,"date":"2015-06-08T18:09:31","date_gmt":"2015-06-08T18:09:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/06\/08\/jornalista-desvenda-morte-de-guerrilheiro-em-minas\/"},"modified":"2015-06-08T18:09:31","modified_gmt":"2015-06-08T18:09:31","slug":"jornalista-desvenda-morte-de-guerrilheiro-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/06\/08\/jornalista-desvenda-morte-de-guerrilheiro-em-minas\/","title":{"rendered":"Jornalista desvenda morte de guerrilheiro em Minas"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Milton Soares de Castro foi morto em 1967, num pres\u00eddio de Juiz de Fora, e seu corpo n\u00e3o foi entregue \u00e0 fam\u00edlia. Ex\u00e9rcito informou que ele tinha se suicidado<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 15.8079996109009px; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7985\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/1y3j7r6b1hytbbkuw7xvbs1io.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/1y3j7r6b1hytbbkuw7xvbs1io.jpg 620w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/1y3j7r6b1hytbbkuw7xvbs1io-300x201.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/1y3j7r6b1hytbbkuw7xvbs1io-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<address style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 15.8079996109009px; text-align: justify;\" \/>A penitenci\u00e1ria de Linhares, onde Milton Soares de Castro morreu, tamb\u00e9m teve entre seus presos o governador de MG, Fernando Pimentel\/<span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\" \/>Foto:\u00a0 Divulga\u00e7\u00e3o  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">H\u00e1 13 anos, a jornalista Daniela Arbex colocou na cabe\u00e7a uma ideia que mudaria sua trajet\u00f3ria. Ao se debru\u00e7ar sobre os pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos em Juiz de Fora, a rep\u00f3rter do jornal \u2018Tribuna de Minas\u2019 decidiu procurar o corpo do oper\u00e1rio Milton Soares de Castro, 26 anos, \u00fanico guerrilheiro que desapareceu na Penitenci\u00e1ria de Linhares durante a ditadura.<\/span><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Encravada na cidade do sul de Minas Gerais, a pris\u00e3o foi um dos principais centros de tortura do regime. Por l\u00e1 passaram, por exemplo, o atual governador mineiro, Fernando Pimentel, e o prefeito de Belo Horizonte, M\u00e1rcio Lacerda.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Apenas Castro n\u00e3o sobreviveu. \u201cUai, um corpo n\u00e3o pode sumir\u201d, dizia Daniela, ao justificar a pauta frente a seus editores em 2002. Alguns meses depois, ela tornou p\u00fablica s\u00e9rie de reportagens sobre a localiza\u00e7\u00e3o da cova do militante num cemit\u00e9rio de Juiz de Fora.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria estava, por\u00e9m, longe de acabar. E a jornalista seguiu mapeando a vida do militante, ga\u00facho de Santa Maria, at\u00e9 provar que ele foi morto em 1967 por agentes da repress\u00e3o. O resultado \u00e9 o livro \u2018Cova 312\u2019, da Gera\u00e7\u00e3o Editoria.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO Milton foi o \u00fanico civil da Guerrilha do Capara\u00f3 que foi preso na Serra e foi a \u00fanica pessoa da guerrilha que morreu sob cust\u00f3dia do Estado em Linhares. Isso n\u00e3o foi esclarecido, e ele continuava no esquecimento\u201d, conta Daniela.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em 2002, ela localizou os registros do sepultamento nos livros do cemit\u00e9rio de Juiz de Fora. Restava saber como fora a morte. Na vers\u00e3o do Ex\u00e9rcito, Milton de Castro teria se suicidado.\u00a0A fam\u00edlia e companheiros duvidavam. As provas de que a vers\u00e3o era falsa come\u00e7aram a surgir em 2007 com novas testemunhas e, enfim, no ano passado, quando Daniela localizou no Superior Tribunal Militar c\u00f3pia do laudo da per\u00edcia na cela onde Castro foi achado.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O material foi apresentado a peritos, que comprovaram erros. \u201cTamb\u00e9m consegui abrir as portas de Linhares. Fui com um perito criminal, e a cela est\u00e1 praticamente igual. Foi poss\u00edvel entender os equ\u00edvocos da per\u00edcia\u201d, explica Daniela. A penitenci\u00e1ria continua ativa.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">As descobertas feitas por Daniela permitiram que Castro, dado como sumido pela Comiss\u00e3o Especial de Mortos Desaparecidos, passasse a ser identificado oficialmente como morto. A fam\u00edlia, no entanto, nunca quis exumar o corpo e, por esse motivo, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade manteve o status de desaparecido.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Para a jornalista, no entanto, isso \u00e9 um equ\u00edvoco. \u201cAl\u00e9m de toda a documenta\u00e7\u00e3o do enterro, agora a gente tem a imagem da necropsia\u201d, observa.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong> \u2018Queria dar voz a ele\u2019, diz jornalista <\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Embora pesquisasse o caso h\u00e1 anos, Daniela Arbex diz que decidiu fazer o livro ap\u00f3s um emocionante encontro com a fam\u00edlia de Castro, em 2013. \u201cEu tinha a ideia de fazer o livro, mas queria v\u00ea-los e saber como seria esse contato. Foi muito emocionante. Eu nasci em 1973. Era muito menina na \u00e9poca da ditadura e sempre tive vontade de dar a minha contribui\u00e7\u00e3o. Acho que o caso do Milton me deu a chance de fazer isso\u201d, afirma Daniela.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7986\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17cpmn89v57j0gtkf4f5xh5gf.jpg\" border=\"0\" width=\"620\" height=\"415\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17cpmn89v57j0gtkf4f5xh5gf.jpg 620w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17cpmn89v57j0gtkf4f5xh5gf-300x201.jpg 300w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17cpmn89v57j0gtkf4f5xh5gf-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">O guerrilheiro Milton de Castro no momento da pris\u00e3o na Serra do Capara\u00f3; em destaque, a imagem da cova onde ele foi enterrado\/<span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">Foto:\u00a0 Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Logo depois do golpe militar, Milton Soares de Castro se ligou ao PCdoB e mais tarde ao Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR), apoiado pelo ex-governador Leonel Brizola. Em 1966, foi um dos primeiros a chegar \u00e0 Serra do Capara\u00f3, na divisa entre Minas e Esp\u00edrito Santo, para a primeira tentativa de guerrilha rural do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O grupo de 13 opositores pol\u00edticos foi preso em 1\u00ba de abril de 1967 e, 27 dias depois, Castro foi encontrado morto em sua cela. Apesar de o Ex\u00e9rcito ter ocultado o corpo, foi divulgado oficialmente que ele teria se matado. At\u00e9 a fam\u00edlia recebeu a informa\u00e7\u00e3o, mas o corpo n\u00e3o foi entregue. \u201cNa hierarquia, ele era considerado o menos importante por ser um civil, enquanto todos os outros tinham forma\u00e7\u00e3o militar. Mas ele estava l\u00e1 desde o planejamento e ficou at\u00e9 o final. Poxa, por que ele \u00e9 menos importante? Eu queria dar voz a ele\u201d, diz Daniela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milton Soares de Castro foi morto em 1967, num pres\u00eddio de Juiz de Fora, e seu corpo n\u00e3o foi entregue \u00e0 fam\u00edlia. 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