{"id":8011,"date":"2015-07-01T20:36:35","date_gmt":"2015-07-01T20:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/07\/01\/qo-menino-que-a-ditadura-matouq-conta-a-historia-do-mais-jovem-desaparecido-politico\/"},"modified":"2015-07-01T20:36:35","modified_gmt":"2015-07-01T20:36:35","slug":"qo-menino-que-a-ditadura-matouq-conta-a-historia-do-mais-jovem-desaparecido-politico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/07\/01\/qo-menino-que-a-ditadura-matouq-conta-a-historia-do-mais-jovem-desaparecido-politico\/","title":{"rendered":"&#8220;O menino que a ditadura matou&#8221; conta a hist\u00f3ria do mais jovem desaparecido pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, 23, foi lan\u00e7ado em Goi\u00e2nia o livro \u201cO menino que a ditadura matou\u201d, sobre o desaparecido pol\u00edtico mais jovem do Brasil, escrito pelo jornalista e soci\u00f3logo Renato Dias. A obra autografada na Assembleia Legislativa de Goi\u00e1s, conta a hist\u00f3ria de Marcos Ant\u00f4nio Dias e de sua m\u00e3e, morta em 2006. 45 anos depois, a fam\u00edlia ainda quer encontrar os restos mortais do estudante.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8009\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/imagem_54_14453.jpg\" border=\"0\" width=\"292,5\" height=\"104\" \/><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Durante 36 anos, a assistente social aposentada Maria de Campos Baptista vasculhou cadeias espalhadas pelo Brasil, recepcionou exilados pol\u00edticos, dialogou com generais e agentes dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o da ditadura civil e militar de 31 de mar\u00e7o de 1964 e, em chegou a recorrer ao m\u00e9dium Chico Xavier. Tudo para encontrar o seu filho Marcos Ant\u00f4nio Dias Batista, um estudante do Col\u00e9gio Lyceu de Goi\u00e2nia que queria fazer Medicina, que desaparecera, sem deixar vest\u00edgios, em maio de 1970, na Capital do Estado. Ele tinha 15 anos de idade.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A Justi\u00e7a Federal lhe deu uma r\u00e9stia de esperan\u00e7a: determinou que o ministro da Defesa, o ent\u00e3o vice-presidente da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Alencar, a recebesse em audi\u00eancia, em Bras\u00edlia, dia 15 de fevereiro de 2006,\u00a0 e abrisse os arquivos das For\u00e7as Armadas com informa\u00e7\u00f5es sobre o menino. Animada, ao sair do encontro, ela morreu, aos 78 anos de idade, em acidente tr\u00e1gico.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a hist\u00f3ria que o jornalista e soci\u00f3logo Renato Dias conta no livro-reportagem \u2018O menino que a ditadura matou &#8211; Luta armada, VAR-Palmares e o desespero de uma m\u00e3e\u2019 [Junho de 2015], 400 p\u00e1ginas. A obra consumiu 10 anos de pesquisas a acervos da repress\u00e3o pol\u00edtica e militar, como os arquivos do Dops de S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s, do extinto SNI [Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es], criado por Golbery de Couto e Silva, do Centro Edgar Leuenroth, da Unicamp [Campinas, SP].<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Mais: dezenas de entrevistas foram realizadas com ex-militantes revolucion\u00e1rios das d\u00e9cadas de 1960 e 1970, companheiros de jornadas democr\u00e1ticas e socialistas de Marcos Chin\u00eas, como era chamado no movimento estudantil, em fun\u00e7\u00e3o da identidade com as t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias de Mao-Ts\u00e9-tung.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O garoto, relata o autor, come\u00e7ou a participar das atividades pol\u00edticas ap\u00f3s a morte do estudante secundarista Edson Lu\u00eds de Lima Souto, no Restaurante Calabou\u00e7o, Rio de Janeiro, em 28 de mar\u00e7o de 1968. Ele estudava \u00e0 \u00e9poca no Col\u00e9gio Atheneu Dom Bosco, onde apareceu um diretor da Uni\u00e3o Brasileira dos Estudantes Secundaristas [UBES], ligado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de esquerda A\u00e7\u00e3o Popular, Euler Ivo Vieira, conclamando para uma manifesta\u00e7\u00e3o de protestou. N\u00e3o deu outra. Entusiasmado, acompanhou os estudantes. No ato de protesto morrera, em Goi\u00e2nia, no centro, um lavador de carros, Ornalino C\u00e2ndido da Silva. No dia seguinte, a Pol\u00edcia Militar do Estado de Goi\u00e1s invadiu a Catedral Metropolitana e atirou em dois estudantes, l\u00e1 escondidos: Telmo de Faria e L\u00facia Jaime. Os incidentes que envolviam os estudantes e a repress\u00e3o pol\u00edtica e militar tiveram ampla cobertura do jornal \u2018Cinco de Mar\u00e7o\u2019.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Com a decreta\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5, em 13 de dezembro de 1968, redigido por Gama e Silva e anunciado pelo general Arthur da Costa e Silva, da linha dura, com a anu\u00eancia de Delfim Netto e Jarbas Passarinho, o tempo fica nublado para a oposi\u00e7\u00e3o em Goi\u00e1s e no Brasil, informa o autor Renato Dias. Depois de integrar a AP, Marcos Chin\u00eas cria a Frente Revolucion\u00e1ria Estudantil [FRE] e ingressa na VAR-Palmares [Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares], que nasceu em 1969 e protagonizou a mais espetacular a\u00e7\u00e3o da luta armada at\u00e9 ent\u00e3o no Brasil: o roubo do cofre do ex-governador do Estado de S\u00e3o Paulo Adhemar de Barros, aquele do bord\u00e3o \u2018rouba mas faz\u2019, que encontrava-se, no Rio de Janeiro, sob a guarda de sua amante, Ana Capriglione, codinome \u201cDr. Rui\u201d. Nada mais, nada menos do que uma bagatela de 2,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares. N\u00e3o faltariam mais recursos para a revolu\u00e7\u00e3o, acreditavam os enrag\u00e9s.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; D\u00f3lares do roubo do cofre chegaram a Goi\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Marcos Chin\u00eas tamb\u00e9m protagonizou a\u00e7\u00f5es ousadas, como a explos\u00e3o do jeep do coronel Pitanga Maia, secret\u00e1rio de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica \u00e0 \u00e9poca. O ato ocorreu em 1969. O estudante entrou para a clandestinidade em outubro daquele ano. A repress\u00e3o fechava o cerco e ele deixou a casa da m\u00e3e, uma funcion\u00e1ria que possu\u00eda apenas o gin\u00e1sio, e do pai, um caminhoneiro. A fam\u00edlia era muito pobre, diz Renato Dias.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O militante da VAR-Palmares, mesma organiza\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, que seria presa em janeiro de 1970, em S\u00e3o Paulo, com Mariano Joaquim, codinome Loyola, circulou pelo norte de Goi\u00e1s, atual Es\u00actado do Tocantins, para arregimentar camponeses para a guerra popular prolongada contra a ditadura civil e militar e pela cons\u00actru\u00e7\u00e3o do socialismo diferente do modelo sovi\u00e9tico. Preso em maio de 1970, ele nunca mais foi visto.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Loyola tamb\u00e9m integra a rela\u00e7\u00e3o oficial dos desaparecidos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Durante dez anos, de 1970 a 1980, a minha m\u00e3e, Maria de Campos Baptista, deixou a porta de nossa casa aberta esperando, em v\u00e3o, o seu retorno ao lar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">15 \u00e9 o n\u00famero de mortos e desaparecidos no Estado de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">Perfil do autor<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Renato Dias, 47, \u00e9 jornalista (Alfa), soci\u00f3logo (UFG), mestre em Direito e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (PUC-GO) e autor de \u201cLuta Armada\/ALN-Molipo &#8211; As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz\u201d (2012), e de \u201cHist\u00f3ria \u2013 Para al\u00e9m do jornal \u2013 Um rep\u00f3rter exuma esqueletos da ditadura civil e militar\u201d (2013).<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Especialista ainda em ditadura civil e militar, esquerdas e socialismos, o autor de \u2018O menino que a ditadura matou \u2013 VAR-Palmares, desaparecimento e o desespero de uma m\u00e3e\u2019 j\u00e1 lan\u00e7ou, em 2015, &#8216;Pequenas hist\u00f3rias &#8211; Cuba, hoje &#8211; Uma revolu\u00e7\u00e3o envelhecida ou a reinven\u00e7\u00e3o do socialismo?\u2019<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O escritor quer lan\u00e7ar, dia 10 de dezembro, \u201cTransi\u00e7\u00e3o sem Justi\u00e7a \u2013 Uma an\u00e1lise da passagem da ditadura civil e militar no Brasil para a democracia em compara\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses do Cone-Sul, Europa e \u00c1frica do Sul\u201d. Renato Dias escreve ainda livro sobre o que pensam os trotskistas, hoje, no Brasil<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8010\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/menino%20ditadura%20matou.jpg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Grabois<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, 23, foi lan\u00e7ado em Goi\u00e2nia o livro \u201cO menino que a ditadura matou\u201d, sobre o desaparecido pol\u00edtico mais jovem do Brasil, escrito pelo jornalista e soci\u00f3logo Renato Dias. 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