{"id":8167,"date":"2015-10-29T12:18:34","date_gmt":"2015-10-29T12:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/10\/29\/memorias-da-repressao-1964-1985\/"},"modified":"2015-10-29T12:18:34","modified_gmt":"2015-10-29T12:18:34","slug":"memorias-da-repressao-1964-1985","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/10\/29\/memorias-da-repressao-1964-1985\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias da repress\u00e3o 1964-1985"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O <\/span>primeiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandou o DOI [Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es Internas], em S\u00e3o Paulo de 1969 a 1974. O segundo, Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury, capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Brasileiro, chefiou o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social [Dops-GO], a Dire\u00e7\u00e3o Regional da Pol\u00edcia Federal e a se\u00e7\u00e3o regional do Servi\u00e7o Nacional de Investiga\u00e7\u00f5es. Os dois carregam cad\u00e1veres de desaparecidos pol\u00edticos nas costas. Eles est\u00e3o mortos. N\u00e3o podem mais revelar onde est\u00e3o os restos mortais de suas v\u00edtimas. Um cap\u00edtulo tr\u00e1gico da Justi\u00e7a de Tradi\u00e7\u00e3o \u2013 da ditadura civil e militar no Brasil \u2013 para a democracia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dm.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/repressao.png\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O DOI [Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es] ganhara um codinome dos seus agentes: \u2018Casa da Vov\u00f3\u2019. A institui\u00e7\u00e3o produziu, j\u00e1 em 1969, o primeiro desaparecido pol\u00edtico do Brasil, Virg\u00edlio Gomes da Silva, oper\u00e1rio. Ele foi o coordenador operacional da captura, n\u00e3o \u00e9 sequestro como diz o historiador Daniel Aar\u00e3o Reis Filho, do embaixador Charles Burke Elbrick De 1969 a 1991, quando acabou, o DOI-Codi prendeu 2.541 pessoas e alcan\u00e7ou 79 mortes. Mais: 914 pessoas teriam sido encaminhadas para o \u00f3rg\u00e3o oriundas de outras unidades do aparato de repress\u00e3o do regime civil e militar. Destas, tr\u00eas morreram.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista Marcelo Godoy, rep\u00f3rter de O Estado de S\u00e3o Paulo, diz que, 400 das 876 den\u00fancias de torturas e de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos catalogadas pelo Projeto Brasil Nunca Mais, organizada por Dom Paulo Evaristo Arns e reverendo Jaime Wright, publicada em forma de livro em 1985, contra o DOI do II Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo, ocorreram de 1969 a 1974, sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra. \u2013 Codinome: Dr. Tibiri\u00e7\u00e1. O Brasil adotou a doutrina francesa de guerra contrarrevolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, \u201ctorturar ou executar inimigos quando \u00e9 poss\u00edvel captur\u00e1-los s\u00e3o crimes tamb\u00e9m na guerra\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o era assim que pensavam os c\u00e3es de guarda da ditadura civil e militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O DOI-Codi teve tr\u00eas fases. Na primeira, sob o controle do major Waldyr Coelho (1969-1970), a decis\u00e3o de matar tinha limi-tes. Com o ent\u00e3o major Carlos Alberto Brilhante Ustra (1970-1974), banaliza-se a morte, centros clandestinos de pris\u00e3o \u2013 como boate e s\u00edtios \u2013 s\u00e3o criados, h\u00e1 encena\u00e7\u00e3o de tiroteios e atrope-lamentos, uso de informantes e desaparecimentos. \u201cO desapa-recimento prolonga ao infinito o muro atr\u00e1s do qual se mant\u00e9m os presos. Ao privar a morte de lugar, ele priva os vivos do luto e da consola\u00e7\u00e3o, ato ou gesto que une pela \u00faltima vez, os vivos e os mortos\u201d, frisa Marcelo Godoy, autor de \u2018A Casa da Vov\u00f3\u2019.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dm.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/DITADURA.jpg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"543\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Carlos Alberto Brilhante Ustra<\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu no \u00faltimo dia 15 de outubro. Ele tratava de um c\u00e2ncer e tinha problemas card\u00edacos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Homem cruel<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.dm.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/DITADURA2.png\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"620\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury<\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury aparece, em 1964, em den\u00fancia de tortura a que foi submetido Hugo Brockes, ex-oficial de gabinete de Mauro Borges, governador de Estado deposto em 26 de novembro de 1964. Os supl\u00edcios foram registrados em cart\u00f3rio. Para a hist\u00f3ria. Ex-PC do B e ex-Ala Vermelha, o ex-preso pol\u00edtico Tarzan de Castro o acusa de torturador. Secret\u00e1rio de Estado de Governo do ent\u00e3o governador bi\u00f4nico Irapuan Costa J\u00fanior, ele foi demitido do cargo ap\u00f3s flagrante delito de instala\u00e7\u00e3o de escutas telef\u00f4nicas no Pal\u00e1cio das Esmeraldas, sede do governo do Estado de Goi\u00e1s, no ano turbulento de 1976.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O diretor regional da Pol\u00edcia Federal, superintendente do Dops e chefe do SNI \u00e9 apontado como o respons\u00e1vel pela pris\u00e3o ilegal, tortura, morte, desaparecimento e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver do estudante secundarista de apenas 15 anos de idade, Marcos Ant\u00f4nio Dias Batista. O garoto \u00e9 o mais jovem desaparecido pol\u00edtico do Brasil. Ele integrava a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de luta armada Var-Palmares [Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria \u2013 Palmares], a mesma de Dilma Rousseff, nos anos de chumbo. A informa\u00e7\u00e3o foi repassada pelo m\u00e9dico Laerte Chediack, irm\u00e3o do delegado de pol\u00edcia Ibrahim Chediack, a Maria de Campos Baptista, m\u00e3e do menino.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Capit\u00e3o, Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury aparece no inqu\u00e9rito de 1980 instaurado para investigar a morte e sumi\u00e7o de ossadas dos estudantes de Filosofia, Maria Augusta Thomaz, e de Economia, M\u00e1rcio Beck Machado, executados em 17 de maio de 1973, na Fazenda Rio Doce, de propriedade de Sebasti\u00e3o Cabral, em Rio Verde [GO]. O sequestro dos restos mortais ocorreu em 31 de julho de 1980. Os dois integravam a \u00faltima c\u00e9lula em atividade do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular. O Molipo, como era chamado, era uma dissid\u00eancia da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, a ALN, fundada pelo carbon\u00e1rio baiano Carlos Marighella, morto em 1969. O agente da repress\u00e3o morreu em mar\u00e7o de 2012.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sem depor \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O que foi a ditadura civil e militar no Brasil<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em primeiro de abril do ano de 1964 fardados e civis derrubaram o presidente da Rep\u00fablica, Jo\u00e3o Belchior Goulart, e implantam uma ditadura. \u00c0 sombra da guerra fria, a estrat\u00e9gia era desagregar o bloco-hist\u00f3rico populista e levar os interesses multinacionais e associados \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As tropas de Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho desceram a serra sem um s\u00f3 tiro ou protesto e chegam no dia 2. Jango teria voado com o general Assis Brasil \u00e0 Fazenda Rancho Grande, em S\u00e3o Borja. Maria Thereza e filhos foram para o Uruguai. O deposto sai de S\u00e3o Borja em 4 de abril. \u00c9 o que conta Jair Krischke [RS], presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 Em seu pr\u00f3prio avi\u00e3o e aterrissa em Durazno.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O primeiro general-presidente a entrar em cena em Bras\u00edlia [DF] foi Humberto Castello Branco. Ele queria um ato institucional que durasse apenas tr\u00eas meses. \u201cAssinou tr\u00eas\u201d. Queria que as cassa\u00e7\u00f5es se limitassem a uma ou duas dezenas: cassou quinhentas pessoas e demitiu duas mil pessoas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O seu governo durou nada mais, nada menos do que 32 meses, 23 dos quais sob a vig\u00eancia de 37 atos complementares. O marechal Humberto Castello Branco foi o c\u00e9rebro do golpe de 1964. Ele era o l\u00edder da Sorbonne militar, composta, por exemplo, de Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o brasilianista Thomas Skidmore, o movimento civil e militar de 1964 ocorreu com dez anos de atraso e nunca atingiu o seu objetivo estrat\u00e9gico: desmantelar a estrutura estatal e sindical corporativista montada por Get\u00falio Vargas, que suicidara-se em agosto do ano de 1954, no Pal\u00e1cio do Catete.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO golpe ia ser dado em 1954, mas falhou por causa do suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas\u201d, aponta o autor. N\u00e3o foi uma quartelada, mas uma a\u00e7\u00e3o de classe tra\u00e7ada t\u00e1tica e estrategicamente pelas elites org\u00e2nicas do capital transnacional, analisa o cientista pol\u00edtico Ren\u00e9 Armand Dreiffus<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ipes, Ibad e ESG consideravam o Estado como instrumento de um novo arranjo pol\u00edtico e de um \u201cnovo modelo de acumula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3ria: as articula\u00e7\u00f5es contra Jo\u00e3o Goulart come\u00e7aram antes de sua posse, em agosto de 1961. Mais: se intensificaram a partir do plebiscito que decretou a volta do presidencialismo, em janeiro de 1963, e tomaram as ruas ap\u00f3s o an\u00fancio das reformas de base, em mar\u00e7o do tr\u00e1gico 1964.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sucessor de Humberto Castello Branco, Arthur da Costa e Silva decreta o Ato Institucional n\u00ba 5 em 13 de dezembro de 1968. Vice, o civil Pedro Aleixo foi impedido de assumir o Pal\u00e1cio do Planalto. Depois de um breve exerc\u00edcio da Junta Militar, Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici chegou ao poder.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1977, Ernesto Geisel, que havia executado a partir de 1974 a distens\u00e3o lenta, gradual e segura, baixa o Pacote de Abril. Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo \u00e9 aben\u00e7oado pela caserna no ano de 1978 e o Congresso Nacional aprova a Lei da Anistia, em agosto do ano de 1979.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os exilados retornaram ao Brasil e os presos pol\u00edticos deixam os c\u00e1rceres. A ditadura acabou em 15 de mar\u00e7o de 1985. J\u00e1 Mas o historiador Daniel Aar\u00e3o Reis diz que a ditadura acaba, de fato, em 1979. Para ele, de 1979 a 1988 h\u00e1, no Brasil, um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. De um Estado de Direito Autorit\u00e1rio a um Democr\u00e1tico. O escritor Carlos Fico discorda dessa vers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A democracia no Brasil, depois dos anos de ditadura civil e militar, s\u00f3 se consolida e se institucionaliza, com a remo\u00e7\u00e3o do legado constitucional autorit\u00e1rio e a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 5 de outubro de 1988, sob a Nova Rep\u00fablica, aben\u00e7oada pelo senhor Diretas J\u00e1 Ulysses Guimar\u00e3es. (Renato Dias)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A ditadura em N\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">64 Ano do golpe de Estado no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">15N\u00famero de mortos e desaparecidos no Estado de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">479 N\u00famero de v\u00edtimas no Brasil p\u00f3s-64.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">2.000 N\u00famero de \u00edndios mortos na ditadura.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; DM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandou o DOI [Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es Internas], em S\u00e3o Paulo de 1969 a 1974. O segundo, Marcus Ant\u00f4nio de Brito Fleury, capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Brasileiro, chefiou o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social [Dops-GO], a Dire\u00e7\u00e3o Regional da Pol\u00edcia Federal e a se\u00e7\u00e3o regional do Servi\u00e7o Nacional de Investiga\u00e7\u00f5es. 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