{"id":8175,"date":"2015-11-03T11:06:50","date_gmt":"2015-11-03T11:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/11\/03\/dr-ronaldo-castro-ele-viu-de-muito-perto-a-covardia-e-a-brutalidade-da-ditadura\/"},"modified":"2015-11-03T11:06:50","modified_gmt":"2015-11-03T11:06:50","slug":"dr-ronaldo-castro-ele-viu-de-muito-perto-a-covardia-e-a-brutalidade-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/11\/03\/dr-ronaldo-castro-ele-viu-de-muito-perto-a-covardia-e-a-brutalidade-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Dr. Ronaldo Castro: ele viu de muito perto a covardia e a brutalidade da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Fato Online publica o triste relato de um m\u00e9dico que viu de perto a viol\u00eancia do regime militar, tratando de pessoas que foram torturadas nos por\u00f5es do regime<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8173\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/dr-ronaldo-castro-ele-viu-de-muito-perto-a-covardia-e-a-brutalidade-da-ditadura.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>O relat\u00f3rio do dr. Ronaldo sobre tortura na ditadura est\u00e1 no livro Brasil Nunca Mais  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Em seus quase 60 anos de profiss\u00e3o, o psicanalista Ronaldo Mendes de Oliveira Castro passou por v\u00e1rios momentos delicados ao atender seus pacientes. Mas nenhuma outra\u00a0situa\u00e7\u00e3o lhe doeu mais que as duas vezes em que teve de atender, durante a ditadura, v\u00edtimas das torturas e brutalidades da ditadura militar. O primeiro caso foi logo ap\u00f3s o golpe de 1964 e a outra, seis anos depois.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO que um m\u00e9dico sente diante disso (da tortura) \u00e9 uma enorme revolta, por causa do lado destrutivo das pessoas. Depois, \u00e9 o sofrimento de algu\u00e9m que passa por uma viol\u00eancia t\u00e3o cruel. Mas o sentimento que mais me toca como m\u00e9dico, que se sobrep\u00f5e a aliviar a dor, o sofrimento e at\u00e9 salvar algu\u00e9m, \u00e9 a impot\u00eancia\u201d, diz Ronaldo, hoje um senhor de 83 anos, que ainda trabalha pela manh\u00e3 em sua cl\u00ednica e que, nas horas vagas, escreve poesias. \u201cMe senti profundamente impotente\u201d, revela.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\">Nos dois casos, o psicanalista foi chamado para prestar atendimento. No primeiro, ocorrido em 1964, a pessoa era um funcion\u00e1rio p\u00fablico que estava preso no BGP (Batalh\u00e3o da Guarda Presidencial) e se encontrava doente. Ronaldo conta que foi chamado pela esposa do preso. \u201cEla me contou que ele estava l\u00e1 h\u00e1 60 dias\u201d, relata o m\u00e9dico, acrescentando que foi ao local e, em um primeiro momento, foi impedido de entrar. Diante da insist\u00eancia, um oficial atendeu seu pedido para examinar o detido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAo abrir a porta foi um impacto muito grande\u201d, conta Ronaldo. \u201cHavia pelo menos 40 colch\u00f5es no ch\u00e3o com pessoas deitadas neles\u201d, relata o m\u00e9dico, afirmando que o preso estava com pneumonia. A doen\u00e7a foi confirmada depois, quando militares levaram o homem para o hospital onde Ronaldo trabalhava. Dias depois, j\u00e1 livre, o funcion\u00e1rio decidiu fugir do pa\u00eds para evitar uma nova pris\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Antes de deixar o local, Ronaldo ainda viu algumas pessoas sendo encaminhadas para suas celas, ou levadas para interrogat\u00f3rio. Uma delas chamou a aten\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. \u201cEra um homem esqu\u00e1lido\u201d, conta o psicanalista. S\u00f3 depois ele soube que se tratava de Francisco Juli\u00e3o, um dos principais integrantes da Liga Camponesa e que estava sendo detido pelo regime.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Depois deste epis\u00f3dio, Ronaldo se ausentou do Brasil. \u201cFui fazer especializa\u00e7\u00e3o em psicologia na Espanha\u201d, conta o psicanalista, que foi aluno do m\u00e9dico do ditador Francisco Franco, em 1967. Depois, Ronaldo seguiu para a Fran\u00e7a e Su\u00ed\u00e7a. \u201cEm 1965, voltei ao Brasil e assumi a chefia da psiquiatria do ent\u00e3o Hospital Distrital de Bras\u00edlia, onde fiquei por algum tempo\u201d, relata. E foi no estabelecimento que o m\u00e9dico passou um dos momentos triste de sua carreira.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-west-2.amazonaws.com\/fato\/2015\/11-novembro\/srl-1145-ronaldo-castro-foto-sheyla-leal.jpg\" border=\"0\" width=\"410\" height=\"273,5\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\">Dr. Ronaldo: o mais triste diante da tortura \u00e9 a sena\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia &#8211; <\/span><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\">Sheila Leal\/Obrito News\/Fato Online<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Demiss\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">O sorridente Ronaldo entristece quando cita o segundo caso em que foi chamado para atender. Al\u00e9m de ter sido novamente de uma pessoa torturada, pode ter sido tamb\u00e9m o motivo de sua demiss\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico. Somente 15 anos depois de ter atendido a estudante Maria Regina Peixoto Pereira, \u00e9 que ele viu seu nome no livro Brasil Nunca Mais, editado pela Arquidiocese de S\u00e3o Paulo. L\u00e1 estava parte de seu relat\u00f3rio confidencial, onde narra o caso na estudante.<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">Ela tamb\u00e9m havia sido torturada no BGP, segundo Ronaldo, mas de forma com que as agress\u00f5es n\u00e3o fossem reveladas. \u201cUm m\u00e9dico orientava para que as les\u00f5es n\u00e3o deixassem marcas\u201d, conta o psicanalista. \u201cEla estava em estado de choque, n\u00e3o se mexia e chorava com medo\u201d, acrescenta. Segundo ele, a estudante lhe contara, dias depois, que havia sido torturada. Isso, depois de ganhar sua confian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">E tudo o que ela contou o dr. Ronaldo colocou em um relat\u00f3rio entregue \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do hospital p\u00fablico onde trabalhava. Pouco tempo depois, o m\u00e9dico estava demitido sob a alega\u00e7\u00e3o que falara mal da institui\u00e7\u00e3o. Mas para ele, o principal motivo foi descrever a tortura. E isso ele s\u00f3 soube 15 anos depois, quando viu o seu relato numa das principais obras sobre os abusos da ditadura, o livro Brasil Nunca Mais. At\u00e9 ent\u00e3o, ele achava que havia sido afastado por fazer cr\u00edticas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do hospital.<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">A d\u00e9cada de 1970 foi considerada uma das mais violentas e arbitr\u00e1rias de todo o per\u00edodo da ditadura. Naquele ano, segundo registros da CNV (Comiss\u00e3o Nacional da Verdade), foram feitas mais de 1,2 mil den\u00fancias de torturas, de um total de 6.016 casos registrados de 1964 a 1977. Documentos comprovam que isso aconteceu com 1.843. Ou seja, um indiv\u00edduo sofreu agress\u00f5es por mais de uma vez.<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8174\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/finv-unb-68-ag-unb2-1.jpg\" border=\"0\" width=\"260\" height=\"173\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">A ditadura em Bras\u00edlia: invas\u00e3o da UnB\u00a0<span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\">Foto: Ag\u00eancia UnB<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra tortura<\/strong><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">Nos dias atuais os principais problemas \u00e9 tortura nas pris\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais por quest\u00f5es pol\u00edticas. As causas maiores, segundo relat\u00f3rio que ser\u00e1 apresentado pelo SPT (Subcomit\u00ea para a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00e9 diferente. Segundo o documento, os piores casos s\u00e3o relacionados a superlota\u00e7\u00e3o end\u00eamica, condi\u00e7\u00f5es chocantes de deten\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia generalizada e a falta de supervis\u00e3o adequada. Isso n\u00e3o foi resolvido nos \u00faltimos quatro anos, segundo Victor Madrigal-Borloz, chefe da miss\u00e3o que esteve no Brasil na semana passada.<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, Madrigal-Borloz ressalta que o pa\u00eds vem adotando medidas para minimizar o problema. \u201cO desafio do Brasil \u00e9 fechar a lacuna entre sua ambiciosa pol\u00edtica p\u00fablica e a situa\u00e7\u00e3o cotidiana das pessoas privadas de liberdade. O SPT tamb\u00e9m constatou que o pa\u00eds tem adotado meios relativos ao Sistema Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura, como a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas para adotar pol\u00edticas para o setor. Os inspetores da ONU estiveram em Pernambuco, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Amazonas.<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Assista o relato de Ronaldo Castro sobre os tempos da tortura no pa\u00eds <\/strong>&#8211;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?time_continue=1&#038;v=1pHiTMssGFM\"> Link<\/a><\/p>\n<p class=\"p11\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\"><em>&#8220;Me senti profundamente impotente&#8221;,<\/em> relata o psicanalista Ronaldo Castro<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Fato Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Fato Online publica o triste relato de um m\u00e9dico que viu de perto a viol\u00eancia do regime militar, tratando de pessoas que foram torturadas nos por\u00f5es do regime O relat\u00f3rio do dr. 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