{"id":8197,"date":"2015-12-08T23:21:07","date_gmt":"2015-12-08T23:21:07","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/12\/08\/catarinenses-perseguidos-pela-ditadura-recebem-homenagem\/"},"modified":"2015-12-08T23:21:07","modified_gmt":"2015-12-08T23:21:07","slug":"catarinenses-perseguidos-pela-ditadura-recebem-homenagem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/12\/08\/catarinenses-perseguidos-pela-ditadura-recebem-homenagem\/","title":{"rendered":"Catarinenses perseguidos pela ditadura recebem homenagem"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e o Coletivo Catarinense: Verdade, Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a realizam na pr\u00f3xima quarta-feira (9) ato comemorativo aos 67 anos da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Na ocasi\u00e3o ser\u00e3o homenageados catarinenses que foram perseguidos, torturados ou mortos pela ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8196\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/cec23272dc5abf564d5aa04ed4b662a7f8fcfeef.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address \/>Deputado Dirceu Dresch\/<span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\" \/>FOTO: Miriam Zomer\/Ag\u00eancia AL  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<address><span style=\"font-size: 12.16px; line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e3o homenageados: Alceri Maria Gomes da Silva, Dibo Elias, Eugenio Doin Vieira, Francisco de Assis Soares, Francisco Jos\u00e9 Pereira, Frederico Eduardo Mayr, Gil Braz de Lima, Hamilton Fernando Cunha, R\u00f4mulo Coutinho de Azevedo e S\u00e9rgio Giovanella.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estamos vivenciando um per\u00edodo nebuloso, com os direitos humanos afrontados pela escalada da viol\u00eancia e por movimentos que pregam a volta do autoritarismo. As atrocidades da ditadura militar n\u00e3o podem ser esquecidas. Conquistamos a liberdade e a democracia com muito sacrif\u00edcio, muita luta e muitas mortes. A luta pela democracia sempre estar\u00e1 viva na luta e na hist\u00f3ria de catarinenses e brasileiros que lutaram contra o regime militar&#8221;, afirmou o presidente Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, deputado Dirceu Dresch (PT).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3rico dos homenageados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Alceri Maria Gomes da Silva:<\/strong> Nasceu a 25 de maio 1943 em Cachoeira do Sul (RS). Come\u00e7ou a participar do movimento oper\u00e1rio em Canoas (RS) e, por influ\u00eancia do advogado do Sindicato dos Metal\u00fargicos, entrou na luta contra a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em julho de 1969, despediu-se de sua fam\u00edlia, dizendo \u00e0 sua irm\u00e3 Cl\u00e9lia, residente em Blumenau (SC), que ia para S\u00e3o Paulo continuar a luta contra a ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi assassinada com quatro tiros, sendo dois pelas costas, em S\u00e3o Paulo, em 17 de maio de 1970, quando sua casa foi invadida por agentes da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes, guiados pelo capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Maur\u00edcio Lopes Lima.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia n\u00e3o recebeu atestado de \u00f3bito, nem foi informada do local do sepultamento. Segundo investiga\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade de SP, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha sido enterrada no Cemit\u00e9rio de Vila Formosa como indigente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Dibo Elias: <\/strong>Nascido a 22 de maio de 1904, em Palho\u00e7a, era morador de S\u00e3o Jos\u00e9 (SC). Hist\u00f3rico militante do Partido Comunista do Brasil, com Manoel Alves Ribeiro, o Mimo, e \u00c1lvaro Ventura, trabalhava na gr\u00e1fica mantida pelo PCB, que funcionou por dez anos, tendo como fiador o ex-governador Aderbal Ramos. Foi presidente do Sindicato dos Gr\u00e1ficos de Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por algum tempo viveu com Alice Backs tendo um \u00fanico filho, Pedro Paulo, j\u00e1 falecido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Era terceiro sargento da Pol\u00edcia Militar, dotado de estupenda capacidade de trabalho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Detido e processado em 1964, ao ser solto foi proibido de atravessar a ponte. Conseguiu alojamento no quartel da PM onde tomava caf\u00e9 todas as manh\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Candidato a senador pelo PCdoB em 1986, ajudou a consolidar a sigla partid\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Eugenio Doin Vieira: <\/strong>Nasceu em S\u00e3o Francisco do Sul, filho de Bento \u00c1guido Vieira e de Celina Clara Doin Vieira. Formou-se em Direito em 1955.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Casou com \u00c2ngela Maria Garcia Evangelista Vieira, com quem teve Francisco Afonso, Paulo Afonso, Teresa Maria e Eug\u00eanio Carlos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Do segundo casamento, com Helga Klug Doin Vieira, teve os filhos Glaucia Beatriz, Glauco e Maria Eug\u00eania.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Teve destacada atua\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica catarinense. Foi professor da UFSC, presidente do INSS, funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, Secret\u00e1rio da Fazenda no governo Celso Ramos e deputado federal.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao lado de L\u00edgia Doutel de Andrade e Paulo Maccarini formava a bancada federal do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (MDB) de Santa Catarina na C\u00e2mara dos Deputados (1967-1971).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi cassado e teve os direitos pol\u00edticos suspensos por dez anos pelo disposto no artigo 4 do Ato Institucional N\u00famero 5 \u2013 AI5 , expedido pelo decreto de 16 de janeiro de 1969.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Faleceu por complica\u00e7\u00f5es pulmonares em S\u00e3o Paulo em 7 de agosto de 2009.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Francisco de Assis Soares: <\/strong> Nasceu a 31 de julho de 1931. Casou com Maura Santos Soares, com quem teve quatro filhas. Era servidor p\u00fablico da sa\u00fade e prot\u00e9tico, profiss\u00e3o aprendida com\u00a0 o dentista Gil Ungaretti, sua influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Getulista, fundador do PTB, foi vereador de 1961 a 1966. Preso em 1964, acusado de comunista, subversivo e dirigente do grupo dos 11, ficou desaparecido por 40 dias. Seu paradeiro foi comunicado pelo ex\u00e9rcito ao chefe do posto de sa\u00fade onde era enfermeiro de leprosos. Depois de mais 40 dias incomunic\u00e1vel foi transferido para a cadeia de Laguna.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fundador do MDB, no estado e em Laguna, candidatou-se a prefeito e foi o mais votado, mas n\u00e3o assumiu a prefeitura, em fun\u00e7\u00e3o do sistema de legenda criado pela ditadura. Foi candidato a deputado estadual.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ent\u00e3o procurado por integrantes da Arena e, vendo v\u00e1rios companheiros presos, mortos ou desaparecidos e a luta armada enfraquecendo, filiou-se \u00e0 Arena.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Elegeu-se prefeito em 1973 e fez um governo de esquerda.\u00a0 Fez a reforma urbana, criou sa\u00fade da fam\u00edlia, construiu as chamadas escolas isoladas, o gin\u00e1sio de esporte, o f\u00f3rum, o monumento Marco do Tratado de Tordesilhas, a Pra\u00e7a da Anita Garibaldi e o museu. Transformou Laguna em patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cumpria seu compromisso, abrigando companheiros, escondendo outros e ajudando na parte financeira dos movimentos. Mudou de estrat\u00e9gia, mas nunca suas cren\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suas atividades foram descobertas e teve seu mandato cassado em 1975. Foi processado, sendo julgado e absolvido somente ap\u00f3s a abertura pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Francisco Jos\u00e9 Pereira: Nasceu em Florian\u00f3polis, em abril de 1933. Aos 19 anos ingressou no jornalismo da capital. Trabalhou no jornal Di\u00e1rio da Tarde, O Invicto (1953 a 1954), Unidade (1959-1963) e Folha Catarinense (1963 a 1964), cuja gr\u00e1fica foi destru\u00edda ap\u00f3s o golpe militar de 1964.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na imprensa de car\u00e1ter cultural, foi um dos editores do suplemento Letras e Artes do jornal O Estado (1957). Foi redator do jornal Roteiro, onde publicou seus primeiros contos (1958). Colaborou com as revistas Sul e Litoral, com a publica\u00e7\u00e3o de diversos contos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ingressou em 1955 na Faculdade de Direito de Santa Catarina e teve ativa participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica estudantil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em julho de 1955 ingressou no Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Formado em Direito em 1959, foi advogado do Sindicato dos Mineiros de Crici\u00fama. Em 1961, transferiu-se para Blumenau e, com escrit\u00f3rio de advocacia trabalhista, dedicou-se \u00e0s demandas da classe oper\u00e1ria (1962-1964).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Membro da Executiva Estadual do PCB, foi preso em 1\u00ba de abril de 1964, mantido em c\u00e1rcere por sete meses no Quartel da Pol\u00edcia Militar do Estado do Paran\u00e1 e condenado a 12 anos de reclus\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Evadiu-se da pris\u00e3o e asilou-se na Embaixada da Bol\u00edvia, deixando o pa\u00eds em janeiro de 1965. Viveu no ex\u00edlio por 15 anos, regressando ao Brasil em maio de 1980, sob o amparo da Lei de Anistia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No exterior, foi contratado como consultor de organismos especializados em desenvolvimento socioecon\u00f4mico da ONU, atuando em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No regresso, ocupou diversos cargos. Foi diretor da Cobal, diretor do IPUF, presidente estadual do PPS de 1994-1996.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1996, fundou a Editora Garapuvu, editando autores catarinenses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Recebeu em 2005 a Medalha do M\u00e9rito Anita Garibaldi, do governo do Estado, e o T\u00edtulo de Cidad\u00e3o Blumenauense. Em 2009 recebeu a Comenda do Legislativo Catarinense.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi membro do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Santa Catarina. Ocupou a cadeira 5 da Academia Catarinense de Letras, de 2005 a 2012.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Frederico Eduardo Mayr:<\/strong> Nasceu em Timb\u00f3 (SC) a 29 de outubro de 1948.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cursava o segundo ano da faculdade de Arquitetura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e se dedicava \u00e0s artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por sua participa\u00e7\u00e3o no movimento estudantil foi for\u00e7ado a sair de casa e embrenhar-se na clandestinidade, perseguido pela repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia 23 de fevereiro de 1972, andava na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, quando foi baleado e preso pelo DOI CODI. Sangrava e mesmo assim foi torturado, quando morreu, em 24 de fevereiro de 1972.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Frederico Eduardo estava desarmado na hora da pris\u00e3o, n\u00e3o teve nenhuma chance de defesa. Era a pol\u00edtica de atirar primeiro e perguntar depois.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos encontrou sua ficha individual no arquivo do DOPS de S\u00e3o Paulo, onde consta uma foto de frente e outra de perfil, j\u00e1 morto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A equipe que o matou era chefiada pelo hoje general Carlos Alberto Brilhante Ustra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Seu corpo foi jogado na vala clandestina do cemit\u00e9rio de Perus, aberta em 1992. Seu caso est\u00e1 contado no filme Vala Comum.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Gil Braz de Lima:<\/strong> Gil Braz de Lima nasceu em Itaja\u00ed em 29 de mar\u00e7o de 1947, filho de Jos\u00e9 Adil de Lima (presidente do Sindicato de Trabalhadores em Marcenaria de Itaja\u00ed) e Theodora de Lima.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Estudou engenharia mec\u00e2nica na Universidade Federal de Santa Catarina. Fez parte da gera\u00e7\u00e3o 68, aquele ano hist\u00f3rico no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por sua participa\u00e7\u00e3o no movimento estudantil, foi preso em dezembro de 1968, logo ap\u00f3s o AI-5, sendo encarcerado em Bigua\u00e7u.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como dizia o General Vieira da Rosa: em Florian\u00f3polis n\u00e3o havia presos pol\u00edticos. Todos eram enviados para Bigua\u00e7u.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Condenado a um ano de pris\u00e3o, ficou seis meses no Pres\u00eddio Hau em Curitiba, e posteriormente foragido.<br \/> Casou-se em S\u00e3o Paulo com Maria Bernadete Marques, que adotou seu nome e passou a assinar como Maria Bernadete de Lima. Bernadete foi o firme esteio de Gil durante toda sua vida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Gil foi novamente preso em S\u00e3o Paulo onde foi torturado, permanecendo seis meses no DOPS em 1970.<br \/> Fez faculdade de Economia na FMU em S\u00e3o Paulo, \u00fanico curso que conseguiu concluir em raz\u00e3o das persegui\u00e7\u00f5es. Faleceu em 7 de julho de 2007 em Florian\u00f3polis, de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, deixando a esposa e\u00a0 tr\u00eas\u00a0 filhos<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hamilton Fernando Cunha:<\/strong> Nasceu em 1941, no Saco dos Lim\u00f5es, em Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Conhecido como \u201cescoteiro\u201d, este afro-descendente era oper\u00e1rio da ind\u00fastria gr\u00e1fica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Participava do cotidiano cultural e intelectual de S\u00e3o Paulo, atuava em grupos de teatro e, com voz de tenor, cantava em coral.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como militante da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR) morava na mesma resid\u00eancia de outros dirigentes da organiza\u00e7\u00e3o, entre eles Carlos Lamarca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o AI-5, a repress\u00e3o atingiu fortemente a VPR.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O escoteiro tinha vida legal, trabalhava na Gr\u00e1fica Urup\u00eas, na Mooca. Preocupado com a possibilidade de ser identificado pela repress\u00e3o, resolveu se demitir do emprego.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao comparecer para assinar a rescis\u00e3o do contrato foi assassinado por policiais do DOPS\/SP em 11 de fevereiro de 1969, na porta da gr\u00e1fica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">R\u00f4mulo Coutinho de Azevedo: Nascido em Florian\u00f3polis a 7 de maio de 1949, \u00e9 filho de Ury Coutinho de Azevedo e Maria Zenir Pires de Azevedo. Seu pai foi preso pol\u00edtico no golpe de 1964 e na Opera\u00e7\u00e3o Barriga Verde, em 1975.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ou a milit\u00e2ncia no movimento estudantil secundarista, no Instituto Estadual de Educa\u00e7\u00e3o. Participou de todos os eventos no memor\u00e1vel ano de 1968, j\u00e1 como militante da A\u00e7\u00e3o Popular.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 5 de dezembro de 1968, por ocasi\u00e3o da visita do General Costa e Silva a Florian\u00f3polis, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado sequestrou v\u00e1rios estudantes, mantendo-os presos na cadeia p\u00fablica de Bigua\u00e7u, sem ordem judicial, sem interrogat\u00f3rio formal, nem registro de impress\u00f5es digitais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Formou-se m\u00e9dico, em 1973, pela Faculdade de Medicina da UFSC. Presidente da Sociedade Brasileira de Acupuntura, foi pioneiro da pr\u00e1tica em Santa Catarina.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Suas maiores paix\u00f5es foram a medicina, a pol\u00edtica e as aulas de hist\u00f3ria que ministrou no cursinho Barriga Verde e no CEPU, embaixo da Figueira e no Cine Ritz.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Faleceu no acidente da Transbrasil em Ratones, Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rgio Giovanella:<\/strong> Nasceu a 9 de mar\u00e7o de 1952, em Rio do Sul, filho dos professores de escolas p\u00fablicas estaduais, Eletto Giovanella e Josefina Giovanella.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1968, como estudante da Escola T\u00e9cnica Federal, atuou no Gr\u00eamio Acad\u00eamico e nas lutas do movimento estudantil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foi defensor da luta contra a ditadura militar quando ingressou no Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1975 terminou o curso de Odontologia na UFSC e foi trabalhar em Blumenau como dentista, onde a estrutura sindical favorecia espa\u00e7o de trabalho sem persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Nesta cidade continuou sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 5 de novembro de 1975 foi arrancado de seu consult\u00f3rio dent\u00e1rio no Sindicato da Fia\u00e7\u00e3o e Tecelagem na cidade de Blumenau. Encapuzado, sequestrado e preso foi levado para Curitiba, durante a Opera\u00e7\u00e3o Barriga Verde do DOI, Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es Internas da 5\u00aa Regi\u00e3o Militar, acusado de envolvimento em atividades subversivas do Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ser libertado, S\u00e9rgio retornou as suas atividades laborais em Blumenau. Continuou na luta para volta do estado democr\u00e1tico ao pa\u00eds, pela anistia ampla, geral e irrestrita e por elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente da Rep\u00fablica, em movimentos como a Juventude do PMDB.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As sequelas da tortura perduraram at\u00e9 seu falecimento em 28 de mar\u00e7o de 1999.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; ALESC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e o Coletivo Catarinense: Verdade, Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a realizam na pr\u00f3xima quarta-feira (9) ato comemorativo aos 67 anos da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). 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