{"id":8213,"date":"2016-01-29T14:24:41","date_gmt":"2016-01-29T14:24:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/01\/29\/do-arquivo-secreto-do-dops-radio-transmite-rebeliao-dos-marinheiros-em-64\/"},"modified":"2018-03-31T03:04:57","modified_gmt":"2018-03-31T03:04:57","slug":"do-arquivo-secreto-do-dops-radio-transmite-rebeliao-dos-marinheiros-em-64","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/01\/29\/do-arquivo-secreto-do-dops-radio-transmite-rebeliao-dos-marinheiros-em-64\/","title":{"rendered":"Do arquivo secreto do Dops: r\u00e1dio transmite rebeli\u00e3o dos marinheiros em 64"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando a noite cair, logo mais, a rebeli\u00e3o dos marinheiros deflagrada na virada de 25 para 26 de mar\u00e7o de 1964 completar\u00e1 50 anos. Os marujos se insurgiram contra humilha\u00e7\u00f5es at\u00e1vicas e persegui\u00e7\u00f5es recentes. Oficiais das For\u00e7as Armadas consideraram o movimento uma afronta \u00e0 hierarquia, sobretudo a anistia concedida pelo presidente Jo\u00e3o Goulart aos revoltosos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-8022\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/blog-marinheiros-uh.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" border=\"0\" \/> <!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a aqui<\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-8213-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Rdio-Mayrink-Veiga-transmite-revolta-dos-marinheiros-em-1964.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Rdio-Mayrink-Veiga-transmite-revolta-dos-marinheiros-em-1964.mp3\">http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Rdio-Mayrink-Veiga-transmite-revolta-dos-marinheiros-em-1964.mp3<\/a><\/audio>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma das raras emissoras pr\u00f3-Jango e mais pr\u00f3xima ainda do ent\u00e3o deputado Leonel Brizola, a R\u00e1dio Mayrink Veiga atendeu aos apelos \u00a0do governo e n\u00e3o irradiou de imediato a revolta, transcorrida em depend\u00eancias do sindicato dos metal\u00fargicos, no Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas no fim da tarde do dia 26 entrou com tudo. Cobriu, transmitindo com algum atraso, o momento em que novas tropas da Marinha cercaram o pr\u00e9dio _de manh\u00e3, fuzileiros convocados para reprimir haviam deposto as armas, confraternizado com os companheiros e aderido a eles. Em resposta ao cerco da tarde, os marinheiros entoaram o Hino Nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tudo isso pode ser ouvido agora porque as transmiss\u00f5es da Mayrink Veiga eram gravadas pela pol\u00edcia pol\u00edtica da Guanabara (a reparti\u00e7\u00e3o celebrizou-se pela sigla que adotou por certo tempo, Dops, Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Dops guardou os registros no arquivo organizado, desde os anos 1930, pelo policial Cecil Borer, que em mar\u00e7o de 1964 chefiava o departamento. O acervo hoje est\u00e1 sob guarda do Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Essa preciosidade hist\u00f3rica sobreviveu ao tempo. Foi-me apresentada no alvorecer do s\u00e9culo XXI pela historiadora Jessie Jane Vieira de Souza, que dirigia o arquivo com extremos zelo e compet\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Se houver, s\u00e3o pouqu\u00edssimos os documentos hist\u00f3ricos, como o \u00e1udio que pode ser ouvido clicando l\u00e1 em cima, que exibem t\u00e3o claramente a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0s v\u00e9speras do golpe de Estado que viria em menos de uma semana.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ato da Associa\u00e7\u00e3o dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil seria uma cerim\u00f4nia pelo segundo anivers\u00e1rio da entidade. Havia ordens de pris\u00e3o contra seus l\u00edderes, por participarem de manifesta\u00e7\u00f5es a favor das reformas estruturais que Jo\u00e3o Goulart come\u00e7ava a implantar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da associa\u00e7\u00e3o era o marinheiro Jos\u00e9 Anselmo dos Santos, chamado pela imprensa de cabo Anselmo. De acordo com Cecil Borer, naquela \u00e9poca o marujo j\u00e1 era agente infiltrado do Dops, do Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha e da Central Intelligence Agency dos EUA. Como espi\u00e3o da ditadura, anos mais tarde levaria \u00e0 morte muitos guerrilheiros, inclusive sua pr\u00f3pria mulher, gr\u00e1vida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por muito tempo, numerosos historiadores, memorialistas e palpiteiros sugeriram que o discurso pronunciado por Anselmo \u00e0 noite havia sido escrito pela CIA. Hoje n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas de que o redator foi outro, o veterano dirigente comunista Carlos Marighella (1911-69). Reconstitu\u00ed a revolta dos marinheiros em detalhes no cap\u00edtulo \u201cO ghost-writer&#8221; da biografia \u201cMarighella \u2013 O guerrilheiro que incendiou o mundo&#8221; (Companhia das Letras).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que Jango anistiou marinheiros que protestavam. Muito mais grave, ele n\u00e3o havia punido os comandantes das tr\u00eas For\u00e7as que tentaram um golpe na crise aberta em agosto de 1961, quando o presidente J\u00e2nio Quadros renunciou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Certa historiografia, inclusive de esquerda, \u201cculparia&#8221; os marinheiros pelo golpe, um desprop\u00f3sito. Entre as aberra\u00e7\u00f5es impostas pela Armada, os marujos eram proibidos de se casar antes de completar dez anos na Marinha. A restri\u00e7\u00e3o inexistia para oficiais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o do s\u00e9culo XX, os castigos f\u00edsicos ainda eram legais na For\u00e7a. Os que apanhavam eram pra\u00e7as e, quase todos, negros. Em 1910, a Revolta da Chibata confrontou o expediente saudosista da escravid\u00e3o. Liderou-a Jo\u00e3o C\u00e2ndido Felisberto. O velho marinheiro negro foi o convidado de honra da festa dos marinheiros de 1964 que em poucas horas se transformou na rebeli\u00e3o que marcaria o Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Blog do Mario Magalh\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a noite cair, logo mais, a rebeli\u00e3o dos marinheiros deflagrada na virada de 25 para 26 de mar\u00e7o de 1964 completar\u00e1 50 anos. Os marujos se insurgiram contra humilha\u00e7\u00f5es at\u00e1vicas e persegui\u00e7\u00f5es recentes. 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