{"id":8276,"date":"2016-02-26T13:07:41","date_gmt":"2016-02-26T13:07:41","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8276"},"modified":"2016-02-26T13:07:41","modified_gmt":"2016-02-26T13:07:41","slug":"governador-jackson-barreto-depoe-a-comissao-estadual-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/02\/26\/governador-jackson-barreto-depoe-a-comissao-estadual-da-verdade\/","title":{"rendered":"Governador Jackson Barreto dep\u00f5e \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Verdade"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">Jackson disse que viveu na luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<br \/>\nGovernador foi preso durante tr\u00eas vezes na ditadura militar.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda fase das sess\u00f5es p\u00fablicas para registro de depoimentos, a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade re\u00fane, no per\u00edodo de at\u00e9 esta sexta-feira (26), em sess\u00f5es p\u00fablicas no Museu da Gente Sergipana, mais seis v\u00edtimas do regime militar instaurado no Brasil pelo Golpe de 1964<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 20 de fevereiro de 1976, a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Cajueiro&#8221;, desencadeada em Sergipe pelos militares no \u00e1pice da ditadura, teve como uma de suas v\u00edtimas o ent\u00e3o deputado estadual e hoje governador Jackson Barreto. Para elucidar e tornar p\u00fablicos os fatos ocorridos \u00e0 \u00e9poca, o governador relatou, na manh\u00e3 desta quarta-feira (24), \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Verdade (CEV), o que viveu na luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Jackson Barreto, nesta fase, j\u00e1 foram coletados depoimentos das v\u00edtimas, Delmo Naziazeno (servidor p\u00fablico) e do jornalista Milton Alves. O advogado Carlos Alberto Menezes, o promotor de Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Elias Pinho de Oliveira e Marc\u00e9lio Bonfim ser\u00e3o os pr\u00f3ximos a serem ouvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSofremos na pele as consequ\u00eancias da luta pela liberdade e redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Na Opera\u00e7\u00e3o Cajueiro eu n\u00e3o fui torturado, porque na \u00e9poca eu era deputado e imagino que eles estavam preocupados com a repercuss\u00e3o de torturar um deputado, foi mais uma tortura psicol\u00f3gica, com amea\u00e7as o tempo todo. O coronel gritava, batia na mesa e dizia: \u2018Deputado, aqui as pessoas falam o que quer e o que n\u00e3o quer\u2019, deixando claro que se algu\u00e9m n\u00e3o falasse o que eles queriam, teriam meios persuasivos para coletar as informa\u00e7\u00f5es. Mas eles n\u00e3o conseguiram nada da nossa parte. Da minha parte, na verdade, eles queriam justificar que meu mandato de deputado estadual era um instrumento de financiamento das atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB) do qual eu era militante, filiado do setor de Agita\u00e7\u00e3o e Propaganda, naquele momento. Sofri processo de Seguran\u00e7a Nacional e depois todos n\u00f3s fomos absolvidos, ainda assim, tentaram rever minha absolvi\u00e7\u00e3o. Era algo que, depois entendi, tamb\u00e9m de interesse pol\u00edtico, j\u00e1 que eu seria candidato a deputado federal em 1978\u201d, relatou o governador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu depoimento, Jackson recordou que al\u00e9m da Opera\u00e7\u00e3o Cajueiro, onde foi detido por quase um dia completo para interrogat\u00f3rio, foi preso pol\u00edtico por mais duas vezes, durante a ditadura militar. Quando estudante universit\u00e1rio, ao lado dos companheiros de movimento estudantil, tamb\u00e9m s\u00f3 n\u00e3o foi expulso da Faculdade de Direito pela coragem do ent\u00e3o reitor, Jo\u00e3o Cardoso, que se negou a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFui preso tr\u00eas vezes, primeiro com o grande jornalista sergipano, Ancelmo Gois, fomos presos no Quartel do 28\u00ba BC. A segunda vez, foi na sede da antiga Pol\u00edcia Federal, na rua Capela, onde fiquei na mesma cela do major do Ex\u00e9rcito, Jo\u00e3o Teles de Menezes, muito ligado \u00e0 figura de Lu\u00eds Carlos Prestes. Era tamb\u00e9m meu companheiro de cela o ge\u00f3logo Artem\u00edsio Resende e Jos\u00e9 Alves Nascimento, irm\u00e3o da primeira dama da capital, Maria do Carmo. Depois fui preso e levado para o Quartel da Pol\u00edcia Militar, na rua Itabaiana, onde passei 17 dias e receb\u00edamos visitas de alguns companheiros e familiares e a todos orient\u00e1vamos no sentido que a coisa mais importante que todos tinham que fazer era divulgar a nossa pris\u00e3o, porque cada vez que um companheiro era preso o fundamental era que inform\u00e1ssemos o m\u00e1ximo \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, para garantir a seguran\u00e7a e\u00a0 a pr\u00f3pria vida daquele que foi preso\u201d, recordou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de iniciar os relatos \u00e0 CEV, Jackson fez uma homenagem aos militantes da Universidade, j\u00e1 falecidos, que tamb\u00e9m viveram os duros tempos de repress\u00e3o, a exemplo de Paulito, da Faculdade de Qu\u00edmica, Vieira, da Faculdade de Economia, Urbano Jacinto, da Faculdade de Direito, Jackson Figueiredo, da Faculdade de Direito, Rosalvo Alexandre, militante desde o Col\u00e9gio Estadual Atheneu Sergipense, Vivaldo Lima Sobrinho (irm\u00e3o de Rosalvo e recentemente falecido) e M\u00e1rio Jorge Menezes Viera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Jackson, a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade cumpre o papel de relembrar esses fatos que j\u00e1 pertencem \u00e0 hist\u00f3ria para servir como exemplo \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es. \u201cSeguindo uma orienta\u00e7\u00e3o nacional, a Comiss\u00e3o Estadual da Verdade est\u00e1 aqui para que esses fatos n\u00e3o voltem mais a acontecer no Brasil. Para que a gente tenha consci\u00eancia da necessidade de vivermos e defendermos a democracia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o presidente da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, o professor Josu\u00e9 Modesto dos Passos Subrinho , o relato do governador\u00a0 foi uma\u00a0 important\u00edssima contribui\u00e7\u00e3o ao futuro acervo da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, pois ilustra bem a mem\u00f3ria de uma gera\u00e7\u00e3o que construiu \u00e0 resist\u00eancia ao regime e testemunhou os mecanismos de repress\u00e3o e resist\u00eancia. \u201cO governador teve uma trajet\u00f3ria pol\u00edtica que se inicia no movimento estudantil na resist\u00eancia ao regime autorit\u00e1rio, o depoimento dele foi muito ilustrativo, j\u00e1 que ele tem uma mem\u00f3ria impressionante e conseguiu relembrar fatos, pessoas e localidades. Depois analisaremos esses depoimentos, que est\u00e3o sendo gravados, para ver as diferentes nuances, vers\u00f5es, eventualmente omiss\u00f5es, e poderemos novamente indagar os depoentes para detalhar, aprofundar algumas quest\u00f5es. Mas isso ser\u00e1 um trabalho posterior da comiss\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Subrinho, os relatos contribuem para reavivar um passado recente que por vezes trazem fatos imagin\u00e1veis para aqueles que nasceram ap\u00f3s o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil e ainda real\u00e7am as conquistas obtidas neste pequeno espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo ponto de vista da atual gera\u00e7\u00e3o, s\u00e3o coisas impressionantes, porque felizmente vivemos uma normalidade democr\u00e1tica h\u00e1 muito tempo. O fato das pessoas serem presas sem mandado, de n\u00e3o ter direito a advogado, dos advogados terem medo de serem constitu\u00eddos como defensores, de institui\u00e7\u00f5es silenciares, a imprensa sergipana, por exemplo, n\u00e3o noticiou nada a respeito da Opera\u00e7\u00e3o Cajueiro, tudo isso constitui o que n\u00f3s ganhamos. A gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasceu no regime democr\u00e1tico \u00e0s vezes s\u00f3 tem a percep\u00e7\u00e3o dos impasses, dos problemas da democracia e n\u00e3o t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o dos ganhos em termos de direito, liberdade, de pensamento, de manifesta\u00e7\u00e3o, de preserva\u00e7\u00e3o da pessoa, dos seus bens. Esses depoimentos trazem tamb\u00e9m, a mem\u00f3ria para pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o, que conviveram com isso, de como era diferente, e como isso \u00e9 aterrorizante. Enfim, acreditamos que as conquistas democr\u00e1ticas que o Pa\u00eds tem tido, que est\u00e3o avan\u00e7ando, se contrap\u00f5em a este per\u00edodo de terror, elas ficam real\u00e7adas diante de tudo isso\u201d.<\/p>\n<p>Fonte &#8211;\u00a0ASN\/G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jackson disse que viveu na luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Governador foi preso durante tr\u00eas vezes na ditadura militar. 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