{"id":8289,"date":"2016-03-07T03:38:46","date_gmt":"2016-03-07T03:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8289"},"modified":"2016-03-07T03:38:46","modified_gmt":"2016-03-07T03:38:46","slug":"comissao-de-anistia-aprecia-processos-de-mulheres-perseguidas-no-regime-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/03\/07\/comissao-de-anistia-aprecia-processos-de-mulheres-perseguidas-no-regime-militar\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o de Anistia aprecia processos de mulheres perseguidas no regime militar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Dia da Mulher, a Comiss\u00e3o Especial de Anistia Wanda Sidou aprecia processos de cinco mulheres perseguidas pela ditadura. Ato ocorre na Assembleia Legislativa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja em associa\u00e7\u00f5es de m\u00e3es ou eclesiais de base, pegando em armas se necess\u00e1rio, as mulheres tiveram papel fundamental na luta pela democracia durante o per\u00edodo da ditadura militar. No Dia da Mulher, cinco perseguidas pela ditadura militar ter\u00e3o seus processos apreciados em sess\u00e3o da Comiss\u00e3o Especial de Anistia Wanda Sidou, colegiado vinculado \u00e0 Secretaria da Justi\u00e7a e Cidadania do Estado. O ato ocorre em sess\u00e3o extraordin\u00e1ria da Assembleia Legislativa, na pr\u00f3xima ter\u00e7a (8), \u00e0s 9 horas, na pr\u00f3pria Assembleia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o, o colegiado da Anistia ir\u00e1 apreciar e analisar os processos de Moema S\u00e3o Tiago, Eliane Gadelha Dias, Val\u00e9ria Maria de Aguiar Ellery, Maria de Lourdes Ferreira (falecida) e Francisca das Chagas Lima de Sousa. Todas t\u00eam uma hist\u00f3ria relacionada ao per\u00edodo e tiveram os pedidos de aprecia\u00e7\u00e3o encaminhados por seus familiares \u00e0 Comiss\u00e3o. Na sess\u00e3o, que \u00e9 aberta ao p\u00fablico, as mulheres ou familiares dever\u00e3o participar, dando depoimento sobre o momento hist\u00f3rico que viveram. Ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o, os membros da Comiss\u00e3o decidem e, constatada a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pedem desculpas p\u00fablicas em nome do Estado do Cear\u00e1. Em seguida, seus nomes s\u00e3o encaminhados \u00e0 Sejus para pedido de pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o pelo Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o secret\u00e1rio da Justi\u00e7a, H\u00e9lio Leit\u00e3o, o atual Governo tem se voltado para o assunto e se dedicado a trazer \u00e0 tona o tema da ditadura militar. \u201cEnquanto pessoas v\u00e3o \u00e0s ruas pedindo interven\u00e7\u00e3o militar, \u00e9 fundamental que o Estado discuta o assunto, cumpra o seu papel de fortalecer a democracia. O papel de buscar a nossa mem\u00f3ria e, com isso, garantir que os erros do passado n\u00e3o se repitam no futuro\u201d, ressalta.\u200b<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2004, quando a Comiss\u00e3o foi institu\u00edda, 227 pessoas foram indenizadas. No total, foram pagos R$ 5,5 milh\u00f5es. No atual Governo,15 pessoas receberam uma primeira parcela do pagamento devido. Uma segunda parcela j\u00e1 est\u00e1 assegurada e ser\u00e1 paga neste semestre. Somadas, elas totalizam R$ 510 mil destinados ao pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es de pessoas perseguidas pela ditadura militar. H\u00e1 268 processos pendentes de aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As mulheres:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><em>Maria de Lourdes Ferreira<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oper\u00e1ria tecel\u00e3 de v\u00e1rias f\u00e1bricas t\u00eaxteis, ela era filiada ao sindicato da categoria, tendo participado de diversas greves. Foi casada com Jos\u00e9 Ferreira Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Ind\u00fastria T\u00eaxtil em 1964, preso e demitido pelo regime. Maria de Lourdes foi expulsa da casa, junto com sete filhos, muitos menores de idade. Ela e o marido pertenciam ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), mantido na ilegalidade desde 1947. Em 1970, Jos\u00e9 Ferreira, agora integrado \u00e0 A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, foi preso sob acusa\u00e7\u00e3o de \u201cterrorista\u201d e permaneceu por nove anos na pris\u00e3o. Por ocasi\u00e3o de sua pris\u00e3o, sua casa foi invadida e o casal espancado em frente aos filhos. Maria de Lourdes foi pela segunda vez demitida da f\u00e1brica onde trabalhava e entra tamb\u00e9m na \u201clista negra\u201c do patronato cearense, passando a trabalhar como empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p><em>Francisca da Chagas Lima de Souza<\/p>\n<p><\/em>Natural de Fortaleza, aposentada, trabalhou durante anos como oper\u00e1ria t\u00eaxtil e na ind\u00fastria de castanha. Filiada ao sindicato da categoria, condi\u00e7\u00e3o mal vista pelo patronato, foi demitida diversas vezes por sua participa\u00e7\u00e3o em greves oper\u00e1rias por melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho e espancada dentro do pr\u00f3prio sindicato t\u00eaxtil por ocasi\u00e3o da pris\u00e3o do seu presidente, Jos\u00e9 Ferreira Lima.<\/p>\n<p><em>Eliane Gadelha Dias<\/em><\/p>\n<p>Em 1964, no primeiro governo Virg\u00edlio T\u00e1vora, integrava a equipe de educa\u00e7\u00e3o de adulto na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o estadual coordenada pelo educador Edgar Linhares. Por adotar como m\u00e9todo de educa\u00e7\u00e3o o m\u00e9todo Paulo Freire, toda a equipe foi demitida por ordem das autoridades militares da \u00e9poca, inclusive Eliane.<\/p>\n<p><em>Moema Correia S\u00e3o Tiago<\/em><\/p>\n<p>Natural de Fortaleza e pertencente a umas das mais tradicionais fam\u00edlias cearenses, sobrinha do ex-governador Virg\u00edlio T\u00e1vora e do ex-senador Fl\u00e1vio Marc\u00edlio (ambos falecidos), Moema era estudante de direito da UFC quando se integrou \u00e0 luta armada contra a ditadura. Perseguida, fugiu do Cear\u00e1 para n\u00e3o ser presa, indo residir em S\u00e3o Paulo, onde continuou a sua atua\u00e7\u00e3o na luta armada, como integrante da ALN. Teve tr\u00eas ex-companheiros assassinados pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o. Exilou-se no Chile, Fran\u00e7a e Portugal, s\u00f3 retornando ao Brasil com a anistia de 1979. Com o retorno do pa\u00eds ao estado de direito, foi candidata a prefeita de Fortaleza em 1986 pelo PDT. Em 1988 foi eleita deputada federal. Hoje mora em Bras\u00edlia e exerce a advocacia.<\/p>\n<p><em>Val\u00e9ria Maria Aguiar Ellery<\/em><\/p>\n<p>Natural de Fortaleza, foi presa no 23\u00ba BC junto com o marido, ambos estudantes universit\u00e1rios, em 1970, acusados de pertencerem ao grupo clandestino Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio. Exilados no Chile e Su\u00ed\u00e7a, retornou ao Brasil com a anistia de 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ceara.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia da Mulher, a Comiss\u00e3o Especial de Anistia Wanda Sidou aprecia processos de cinco mulheres perseguidas pela ditadura. Ato ocorre na Assembleia Legislativa Seja em associa\u00e7\u00f5es de m\u00e3es ou eclesiais de base, pegando em armas se necess\u00e1rio, as mulheres tiveram papel fundamental na luta pela democracia durante o per\u00edodo da ditadura militar. 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