{"id":8384,"date":"2016-04-14T19:58:34","date_gmt":"2016-04-14T19:58:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8384"},"modified":"2016-04-14T19:58:34","modified_gmt":"2016-04-14T19:58:34","slug":"italia-vai-julgar-agentes-da-ditadura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/04\/14\/italia-vai-julgar-agentes-da-ditadura-brasileira\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia vai julgar agentes da ditadura brasileira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima sexta-feira (25), a Justi\u00e7a italiana decidiu que ir\u00e1 julgar separadamente os brasileiros Marco Aur\u00e9lio da Silva Reis, Jo\u00e3o Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e \u00c1tila Rohrsetzer, agentes da ditadura militar brasileira. Os quatro s\u00e3o acusados de hom\u00edcidio do \u00edtalo-argentino Lorenzo Ismael Vi\u00f1as em 1980. Os ju\u00edzes italianos acataram o pedido da defesa dos brasileiros, que pediam que eles fossem julgados separadamente de outros 33 acusados de participar de crimes nas ditadura da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O julgamento dos brasileiros vai come\u00e7ar no dia 9 de maio, na cidade de Roma, e o r\u00e9us poder\u00e3o ser condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. O processo Condor come\u00e7ou um ano atr\u00e1s e acusa outros 33 militares e pol\u00edticos latino-americanos por crimes contra a humanidade, ao terem participado de assassinatos e sequestros durante os regimes autorit\u00e1rios nas d\u00e9cadas de 70 e 80. A It\u00e1lia decidiu process\u00e1-los porque eles s\u00e3o suspeitos de envolvimento em mortes de cidad\u00f5es com dupla cidadania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>A III Corte de Assis, em Roma, decidiu nesta sexta-feira (25) julgar separadamente os brasileiros Marco Aur\u00e9lio da Silva Reis, Jo\u00e3o Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e \u00c1tila Rohrsetzer, acusados de homic\u00eddio culposo do \u00edtalo-argentino Lorenzo Ismael Vi\u00f1as, em 1980.\u00a0Os quatro eram agentes da ditadura militar brasileira \u00e0 \u00e9poca. A Justi\u00e7a Italiana debatia se eles deveriam ser julgados ao lado dos outros 33 acusados de participar de crimes nas ditaduras latino-americanas ou em um processo \u00e0 parte.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gina Marques, correspondente da RFI\u00a0Brasil em Roma.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ju\u00edzes acataram os argumentos da defesa dos brasileiros, que pretendiam obter o julgamento em separado. Como o processo Condor foi aberto em fevereiro de 2015 e muitas testemunhas j\u00e1 haviam sido ouvidas, os magistrados decidiram pelo desmembramento da acusa\u00e7\u00e3o contra os brasileiros. O julgamento deles come\u00e7ar\u00e1 no pr\u00f3ximo 9 de maio, em Roma. Os r\u00e9us poder\u00e3o ser condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo Condor come\u00e7ou h\u00e1 um ano, na It\u00e1lia, e acusa outros 33 militares e pol\u00edticos latino-americanos por crimes contra a humanidade, ao terem participado de assassinatos e sequestros durante os regimes autorit\u00e1rios em pa\u00edses como Argentina e Brasil nas d\u00e9cadas de 70 e 80. A It\u00e1lia decidiu processar estes 33 porque eles s\u00e3o suspeitos de envolvimento nas mortes de cidad\u00e3os com dupla cidadania, uma delas sendo italiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advogado Giancarlo Maniga, que representa a fam\u00edlia Vi\u00f1as, explicou \u00e0 RFI Brasil: \u201cAs provas reunidas contra os outros 33 acusados j\u00e1 est\u00e3o em fase avan\u00e7ada. Esta decis\u00e3o dos ju\u00edzes era previs\u00edvel, pois inserir os r\u00e9us brasileiros no mesmo processo poderia violar o direito de defesa deles.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o Condor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro acusados brasileiros s\u00e3o defendidos pelos advogados p\u00fablicos Anixia Torti e Valentina Perrone. \u201cEticamente, a abertura de outro processo n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o, mas deontologicamente fizemos o que dever\u00edamos\u201d, declarou Valentina Perrone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia p\u00fablica desta sexta-feira iniciou as 10h, hora local. A corte, formada por cinco ju\u00edzes, presidida por Evelina Canale, ouviu tamb\u00e9m a Giulia Barrera, arquivista que testemunhou apresentando documentos sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor. Ela explicou o per\u00edodo da ditadura pol\u00edtico-militar do Brasil e da Am\u00e9rica do Sul e a liga\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os secretos dos Estado Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os documentos apresentados por Barrera estava um telegrama ao Departamento de Estado dos Estados Unidos comunicando a ades\u00e3o do Brasil ao grupo Condor em 1976. A chamada Opera\u00e7\u00e3o Condor foi uma alian\u00e7a pol\u00edtico-militar durante as ditaduras de 1970 e 1980 entre os v\u00e1rios regimes militares da Am\u00e9rica do Sul \u2014 Brasil, Argentina, Chile, Bol\u00edvia, Paraguai e Uruguai com a CIA dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entenda o processo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2005, o Minist\u00e9rio P\u00fablico italiano apresentou uma primeira lista de indiciados &#8211; um total de 140 militares e pol\u00edticos de toda a Am\u00e9rica Latina envolvidos na morte de cidad\u00e3os com dupla cidadania italiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista de 140 acabou resultando em 33 processados. Onze brasileiros faziam parte da lista original, mas apenas estes quatro r\u00e9us ainda est\u00e3o vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caso Vi\u00f1as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1980, os quatro brasileiros tinham cargos de responsabilidade. Leivas Job era secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Rio Grande do Sul. Ponzi comandava o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) de Porto Alegre. Rohrsetzer dirigia a Divis\u00e3o Central de Informa\u00e7\u00f5es em Porto Alegre e o delegado Silva Reis era diretor estadual do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) no Rio Grande do Sul. Atualmente Rohrsetzer mora em Florian\u00f3polis, Silva Reis em uma praia do litoral ga\u00facho. Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lorenzo Ismael Vi\u00f1as foi sequestrado em Uruguaiana na fronteira entre o Brasil e a Argentina em 26 de junho de 1980 e em seguida desapareceu. Ele era militante do grupo Montoneros, de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura da Argentina. Em 12 de mar\u00e7o do mesmo ano, outra v\u00edtima \u00edtalo-argentina tamb\u00e9m desapareceu no Brasil. Trata-se de Horacio Campiglia, que foi sequestrado no aeroporto Gale\u00e3o, no Rio de Janeiro. No entanto, os quatro brasileiros n\u00e3o ser\u00e3o julgados pela morte de Campiglia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A advogada da fam\u00edlia Campiglia, Martina Felicori, falou \u00e0 RFI Brasil: \u201cOs ju\u00edzes avaliaram que n\u00e3o existem elementos suficientes que poderiam demonstrar o envolvimento dos quatro brasileiros no caso Campiglia. Talvez porque os r\u00e9us ocupavam cargos de responsabilidade no Rio Grande do Sul, distante do Rio de Janeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na It\u00e1lia, o r\u00e9u pode ser processado \u00e0 revelia, mas ele tem que ser comunicado sobre a acusa\u00e7\u00e3o para poder nomear um advogado de defesa.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Jornal GGN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima sexta-feira (25), a Justi\u00e7a italiana decidiu que ir\u00e1 julgar separadamente os brasileiros Marco Aur\u00e9lio da Silva Reis, Jo\u00e3o Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e \u00c1tila Rohrsetzer, agentes da ditadura militar brasileira. Os quatro s\u00e3o acusados de hom\u00edcidio do \u00edtalo-argentino Lorenzo Ismael Vi\u00f1as em 1980. 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