{"id":8389,"date":"2016-04-19T19:57:14","date_gmt":"2016-04-19T19:57:14","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=8389"},"modified":"2016-04-19T19:57:14","modified_gmt":"2016-04-19T19:57:14","slug":"morto-pela-ditadura-militar-artista-tem-obras-expostas-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2016\/04\/19\/morto-pela-ditadura-militar-artista-tem-obras-expostas-em-sp\/","title":{"rendered":"Morto pela ditadura militar, artista tem obras expostas em SP"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Antonio Benetazzo, Perman\u00eancias do Sens\u00edvel&#8221; re\u00fane cerca de 90 desenhos do artista e militante pol\u00edtico assassinado pela ditadura militar brasileira, em 1972. A mostra, que \u00e9 in\u00e9dita, traz obras desconhecidas at\u00e9 pouco tempo, que estavam guardadas na casa de amigos a parentes do artista, al\u00e9m de apresentar objetos pessoais e documentos de origem biogr\u00e1fica.<\/p>\n<div style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/img.jornalcruzeiro.com.br\/img\/2016\/04\/17\/media\/201425_1.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"388\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A exposi\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 aberta de 22 de abril a 29 de maio, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo &#8211; DIVULGA\u00c7\u00c3O \/ CENTRO CULTURAL \/ SP<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Entre as obras, est\u00e3o desenhos produzidos em 1971, quando o artista esteve na clandestinidade, al\u00e9m de alguns estudos e c\u00f3pias do jornal Imprensa Popular \u00bf publica\u00e7\u00e3o oficial do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (MOLIPO), redigido por Benetazzo. O curador Reinaldo Cardenuto disse \u00e0 reportagem da Ag\u00eancia Brasil que a exposi\u00e7\u00e3o tem duas dimens\u00f5es na sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Primeiro \u00e9 a dimens\u00e3o de resgatar uma mem\u00f3ria que foi soterrada pela viol\u00eancia do regime militar. A primeira dimens\u00e3o do projeto era finalmente tornar p\u00fablica a biografia do Benetazzo, que foi algu\u00e9m que teve uma participa\u00e7\u00e3o muito intensa na resist\u00eancia \u00e0 ditadura, e, ao resgatar a biografia, resgatar essa obra que \u00e9 de muita qualidade&#8221;, disse. Segundo o curador, a obra do artista tem sofistica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e tamb\u00e9m uma identidade est\u00e9tica muito singular.<\/p>\n<p>&#8220;A segunda quest\u00e3o tem uma perspectiva mais pol\u00edtica, porque se trata de trazer para o espa\u00e7o p\u00fablico uma viol\u00eancia autorit\u00e1ria que n\u00e3o pode se repetir&#8221;, avaliou. A ditadura impediu a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de obras cr\u00edticas contra o regime, como ocorreu com Benetazzo. Al\u00e9m de inserir o artista na hist\u00f3ria da arte do pa\u00eds, um dos objetivos \u00e9 incentivar os visitantes a refletir sobre o regime autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma das fases mais intensas da trajet\u00f3ria art\u00edstica de Benetazzo foi a segunda metade da d\u00e9cada de 1960, quando produziu mais de 150 obras, com t\u00e9cnicas, estilos e motivos variados. Nessa \u00e9poca, ele produziu autorretratos, retratos de familiares e de amigos, representa\u00e7\u00f5es do corpo e da sexualidade feminina, abstra\u00e7\u00f5es com cores vibrantes, colagens pop a partir de material publicit\u00e1rio e nanquins, em di\u00e1logo com a est\u00e9tica visual dos ideogramas. O artista dedicou-se tamb\u00e9m \u00e0 fotografia, registrando vistas da cidade de Caraguatatuba, detalhes da arquitetura paulistana, cliques de banners espalhados por S\u00e3o Paulo e retratos de pessoas na rua.<\/p>\n<p>Junto \u00e0s suas atividades art\u00edsticas, Benetazzo ampliou o engajamento pol\u00edtico. A partir de 1965, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), por ser contra a linha pacifista e institucional de resist\u00eancia aos militares adotada pelo partido, e aproximou-se da luta armada contra a ditadura.<\/p>\n<p>Em 1969, entrou na clandestinidade, ainda militando pela Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN), e mudou-se para Cuba, onde teve treinamento de guerrilha. Fora do pa\u00eds, ele ajudou a fundar um novo grupo de esquerda, o Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Popular (MOLIPO), que, a partir de 1971, fez v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em luta contra o regime militar.<\/p>\n<p>Benetazzo voltou secretamente ao Brasil na segunda metade de 1971 e continuou atuando na clandestinidade, ajudando a desenvolver a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas pelo MOLIPO. No decorrer de 1972, redigiu textos do &#8220;Imprensa Popular&#8221;, jornal oficial do movimento, no qual denunciava a ditadura e defendia a luta armada como projeto de resist\u00eancia contra o regime. Benetazzo foi capturado por agentes da repress\u00e3o no dia 28 de outubro de 1972 e dois dias depois foi brutalmente assassinado a pedradas, no S\u00edtio 31 de Mar\u00e7o, em Parelheiros.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o fica em cartaz de 22 de abril, quando o espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o do Centro Cultural S\u00e3o Paulo ser\u00e1 reaberto ap\u00f3s per\u00edodo de obras, at\u00e9 29 de maio, com entrada gratuita. Os hor\u00e1rios de funcionamento s\u00e3o: de ter\u00e7a a sexta, das 10h \u00e0s 20h; e s\u00e1bados, domingos e feriados, das 10h \u00e0s 18h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil\/Jornal Cruzeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Antonio Benetazzo, Perman\u00eancias do Sens\u00edvel&#8221; re\u00fane cerca de 90 desenhos do artista e militante pol\u00edtico assassinado pela ditadura militar brasileira, em 1972. 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